Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
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sexta-feira, 22 de junho de 2018
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Crise dos refugiados: Países Pobres dão lição de humanidade aos países ricos
Segundo o relatório anual do Alto Comissário das Nações Unidas para os
Refugiados, ontem divulgado, em 2017 atingiu-se o número record de pessoas forçadas
a abandonar as suas casas.
Cerca de 69 milhões de pessoas tiveram de fugir a situações de guerra,
violência e perseguições, muitas delas provocadas pelas intervenções militares
do ocidente (como no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Líbia e um pouco por
toda a África).
Esse número dá uma média de 44 mil deslocados por dia.
Mas aquele que é o aspecto mais significativo desse relatório é o facto
de desmontar o mito segundo o qual a pressão dessas migrações é feita
principalmente sobre o Ocidente.
Na realidade 85% desses refugiados encontram-se e são acolhidos em países
do chamado Terceiro Mundo, muitos deles países muito pobres, mas onde, apesar
disso, são salvos, acolhidos e alimentados pela população pobre desses países.
Esse relatório é mais um contributo para desmontar o argumentário da extrema-direita
populista e xenófoba que domina já uma grande parte dos governos europeus.
Aliás, é significativo que as instituições europeias sejam muito rápidas a aplicar sanções a um país que ultrapasse uma décima de milésimo no deficit orçamental
e pura e simplesmente feche os olhos a atitude ignóbil de muitos países Europeus
em relação aos refugiados que cá chegam.
É também uma verdade que nos envergonha a todos, como Europeus, se não
soubermos acolher dignamente o pequeno número de refugiados, tendo em conta a
dimensão global do fenómeno, que escolhe a Europa para se abrigar das guerras e
fugir à miséria.
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terça-feira, 19 de junho de 2018
As “Corporações” e os sindicatos.
Não deixam de ser irónicas as acusações feitas, às justas reivindicações
sindicais, como sendo “corporativas”.
Essas acusações partem de três dos grupos mais “corporativos” que
existem na nossa democracia, o dos comentadores/jornalistas, a dos políticos/comentadores
e a dos economistas/gestores financeiros.
Se existem grupos que em Portugal se comportam de modo corporativo é o
dos jornalistas, dos políticos e dos lideres económico/financeiros, que muitas
vezes se confundem no mesmo percurso de vida e/ou na ligação aos grandes meios
de comunicação.
Uma simples crítica a um deles é
encarada como um ataque vil a todo o grupo, e quem o fizer, justamente ou não,
enfrentará uma barreira de comentários arrasadores .
Podemos ou não concordar com as reivindicação sindicais, questionar o
seu timing ou a sua justeza, mas tentar
confundir lutas e reivindicações sindicais com interesses “corporativos”, não
sendo por ignorância, só pode ser classificado como uma boçal manifestação de
má-fé, intolerância e preconceito
ideológico.
Os interesses “corporativos” em Portugal, que sobreviveram ao Estado
Novo corporativo, estão devidamente identificados e legalizados e não se
confundem com os sindicatos.
A confusão só serve como argumento para quem procura destruir a
influência dos sindicatos, pilar essencial de um regime democrático.
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As Eleições de 1958 em Torres Vedras
Podem ler AQUI um estudo sobre o impacto da campanha eleitoral de Humberto Delgado nas eleições de 1958, em Torres Vedras.
segunda-feira, 18 de junho de 2018
Prémio Nobel da Paz? Obviamente…”Aquarius”!
Parece que anda por ainda grande agitação sobre a atribuição do próximo
Nobel da Paz.
Há quem sugira o nome de Donalda Trump por causa daquela encenação, com
resultados por provar, à volta do encontro conta Kim-Jong Il (esquecendo o
papel de Trump no boicote ao acordo com o Irão, o seu papel na crescente desestabilizarão da Palestina, a forma como rasgou o acordo de Paris e o
tratamento de está a dar aos imigrantes nos Estados Unidos…).
Para mim, em vez de andarem a atirar areia aos olhos dos incautos,
melhor seria que se preocupassem com aqueles que mais fazem pela paz no mundo,
procurando dar paz aos mais frágeis de todos, os imigrantes que procuram
atravessar o Mediterrâneo para fugir às guerras provocadas pela
irresponsabilidade internacional e à miséria fomentada pelas finanças mundiais.
O melhor símbolo dessa acção em prol da humanidade tem um nome,
chama-se “Aquarius” e toda a organização que está por detrás desse navio que resgatou
do Mediterrâneo centenas de pessoas que corriam risco de vida.
Querem dar um prémio Nobel da Paz merecido?
Escolham a organização humanitária que está por detrás do “Aquarius”
como símbolo máximo dos muitos anónimos que, neste momento de vergonha para os
líderes ocidentais, mais fazem para levar paz a quem a procura.
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terça-feira, 12 de junho de 2018
A Cimeira de Singapura entre Trump e Kim, em cartoon's
BêDêZine: A Cimeira de Singapura em cartoon's (clicar para ver).
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segunda-feira, 11 de junho de 2018
G7 – E se Trump tivesse razão?
Cimeiras com a do G7 apenas servem para legitimar politicas financeiras
e comerciais ilegítimas e prejudiciais aos cidadãos do mundo.
A realização de tal cimeira, a coincidir com a anual reunião secreta de
Bilderberg ,não terá sido mera coincidência, e terá servido para coordenar os
esforços das elites “globalistas” mundiais para programarem a sua acção em prol
do obscuro interesse financeiros e económicos e para fazer frente às previsíveis
reacções populares.
Os cidadãos e a melhoria da suas condições de vida não costumam estar
na agenda dessas reuniões, antes pelo contrário.
Contudo o “furacão” Trump acabou por desviar a atenção sobre os
verdadeiros objectivos e decisões desse encontro dos mais poderosos do mundo.
Trump marcou a cimeira com duas questões: a forma como questionou a
liberdade de comércio e o modo como a Rússia foi expulsa dessa reunião.
E se, nestas duas questões, apesar de corresponderem a uma estratégia irresponsável
e errada, Trump até tivesse razão, apesar de tomar decisões de forma,
aparentemente, pouco racional ?
Claro que o título que usamos em cima é uma provocação.
Mas não nos deixamos de interrogar sobre a ausência dessa cimeira de
outras potências mundiais, como a Rússia e a China, isto já para não falar da
Índia, do Brasil ou da África do Sul.
É o velho mundo, decadente, abalado por crises que não consegue
resolver, mas que ainda mantém um grande peso económico, financeiro e militar,
o que está representado na cimeira do G7.
Por isso, não existe grande razão para isolar as potências emergentes
ou, no mínimo, tão decadentes como aquelas representadas nessa cimeira.
A justificação para afastar a Rússia podia ser usada para afastar ao Estados
Unidos, a Grã-Bretanha ou a França, todas envolvidas recentemente em intervenções
militares e financeiras, ou apoiando regimes párias, não legitimadas pela única organização internacional
com mandato legítimo, a ONU.
Por isso, e apesar de não nutrir qualquer simpatia por Putin, a afirmação de Trump em defesa da presença da Rússia tem toda
a razão de ser.
Mas, para mim, mais importante do que estar numa cimeira de países
decadentes e onde se tomam decisões ilegítimas, seria mais importante reforçar organizações
internacionalmente legítimas, como a ONU, começando por alargar o número de
países do Concelho de Segurança e o poder da Assembleia Geral.
No Conselho de Segurança, como membros permanentes, deviam ser incluídos
países como o Canadá, a Alemanha, a África do Sul, o Brasil e a Índia. E o
direito de veto devia ser revisto, aumentando o poder da Assembleia da ONU.
O que têm feito organizações como G7 e outras do género é tentar esvaziar
a importância da ONU, com todas as consequências que temos visto em termos de
instabilidade económica, social e politica mundial e de aumento das
desigualdades.
Também, na outra questão levantada por Trump , no que respeita à injustiça da organização do
comércio mundial, embora na forma irresponsável que é peculiar nesse líder,
também acaba por ter alguma razão.
A "liberdade de comércio", tal como está estabelecida, favorece os mais
fortes, desenvolve o dumping social, e agrava as desigualdades sociais.
O “comércio livre” baseia-se no acentuar das injustiças socias e na
destruição de direitos humanos e sociais, e é ela própria a principal
responsável pelo descalabro ambiental do planeta.
Também não se percebe que os que tanto defendem tal “liberdade” de
comércio, só aceitem essa liberdade para a circulação de capitais e
matérias-primas, mas imponham todo o tipo de restrições à liberdade de
circulação de pessoas, como se tem visto na actual crise dos refugiados .
Claro que não são estas as preocupações de Trump.
Mas teve pelo menos o mérito de agitar e desestabilizar uma cimeira que
apenas serve para aplicar as decisões politica impostas pelo sector financeiro,
de forma ilegítima.
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sexta-feira, 8 de junho de 2018
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Três Falácias acerca da luta dos professores.
O "argumentário" de comentadores habituais, como Miguel Sousa Tavares e outros “achistas” do seu
gabarito, usado para denegrir os professores (existirão
razões do foro psiquiátrico que desconhecemos, que justificam tanto rancor???…),
baseia-se num conjunto de meias-verdades, má fé e num conjunto de falácias :
Primeira
falácia:
- Que os
professores não podem ser privilegiados em relação a outros sectores da Função
Pública!
Esta primeira
falácia foi hoje desmentida pela seguinte notícia do Diário de Notícias (leiam
principalmente o nosso sublinhado):
“Para Pedro
Bacelar de Vasconcelos, constitucionalista e atual deputado do PS, liderando a
Comissão de Assuntos Constitucionais na Assembleia da República, o facto de o
governo estar já a reposicionar na carreira outros setores da Administração
Pública que também sofreram o "congelamento" não implica a
existência de uma inconstitucionalidade.
"Mesmo
tendo o governo já aprovado a devolução, sem restrições, do tempo de serviço
congelado à maioria dos trabalhadores da Administração Pública com carreiras
gerais, deixando de fora - para já - apenas as que têm regimes específicos,
como é o caso dos professores e dos polícias.
"Estamos
a falar de políticas que têm também uma componente contratual, de negociação
das carreiras e diferenças específicas quanto ao estatuto", defende ao DN,
considerando "altamente improvável" a existência de uma
inconstitucionalidade, "não a excluindo por completo"
"Já
para Jorge Bacelar Gouveia, constitucionalista mais próximo do PSD, é
"claro que há uma desigualdade de tratamento" face a outros
trabalhadores. "isso parece-me evidente: viola o princípio da
igualdade e também viola o princípio da confiança", diz, lembrando os
compromissos assumidos sobre essa matéria.
"Recorde-se
que além da devolução do tempo de serviço congelado ter sido objeto de um
acordo de princípio, assinado em novembro entre os ministério das Finanças e da
Educação e os sindicatos, a medida foi inscrita no orçamento do Estado deste
ano, no artigo 19.º, tendo ainda sido objeto de um projeto de resolução
aprovado por unanimidade na Assembleia da República”.
(sublinhado
meu)
(in Pedro
Sousa Tavares, “Quem tem razão na luta dos professores? Juristas divididos”,
edição de 6/6/2018 do “Diário de Notícias”).
Ou seja, não
são os professores os “privilegiados”
nesta situação, mas outros sectores da Administração Pública.
Segunda
Falácia:
- Que os
custos para o estado da contagem integral do tempo de serviço vão custar ao
país cerca de 600 milhões de euros anuais.
Não se
percebe onde se foi buscar esse número. Dividindo-o pelos cerca de 120 mil
professores abrangidos pela medida (outro número a confirmar) dava qualquer
coisa como 5 mil euros por ano a mais para cada professor…!!!!
Mas mesmo
que esse número fosse o necessário para dignificar uma carreira, onde a maioria
dos professores ganham pouco mais de mil euros por mês, pagam do seu bolso
deslocações diárias de dezenas ou centenas de quilómetros e sofrem todo o tipo
de pressões sociais, perdendo direitos todos os anos, pelo menos ao longo do
últimos 15 anos, e ainda têm de fazer formação regular (apesar de terem
estudado vários anos para se licenciarem), talvez até não seja
demasiado.
Como é que
alguém que, para dizer meia hora de baboseiras semanais na comunicação social,
umas mais certeiras, outras menos, (como acontece com qualquer pessoa informada…mas ninguém recebe salário por isso...),
recebe de salário muito mais do que aquilo um professor, no topo da carreira, não sonha receber, se pode atrever a falar no salário dos outros???
E como é que
existe “lata”, por parte de muito comentador, para se indignarem com os tais
hipotéticos 600 milhões e ficar impávido e sereno perante a notícia, saída neste
fim-de-semana, segundo a qual os portugueses pagaram 17 MIL MILHÕES DE EUROS
para salvar a banca nos últimos dez anos (ou seja…MIL E SETECENTOS MILHÕES DE
EUROS POR ANO PARA A BANCA!!!!).
TERCEIRA
FALÁCIA
- Não há
desemprego entre professores.
Esta é uma
das falácias mais complicadas de provar.
Mas existe
desemprego entre professores, só que ele confunde-se mais com emprego precário
do que com o conceito clássico de desemprego.
Aliás, mesmo
assim, basta percorrer os títulos da imprensa ao longo dos últimos anos para
encontrar dezenas de notícias sobre o desemprego de professores.
Basta
comparar a lista de candidatos a concursos anuais com os realmente colocados.
Muitos do
que ficam de foram não são considerados
“desempregados” porque todos os professores têm de passar pelo “limbo”
da precariedade antes de entrarem para o quadro.
No meu caso,
passei dez anos nesse limbo, e era no tempo das “vacas gordas”, tinha de
concorrer para tudo todos os anos e, se não fosse colocado, ficava no
desemprego, mas não era classificado como tal, sem direito a subsidio de
desemprego. Por isso tinha de me sujeitar a tudo, até a um ano inteiro a
trabalhar para aquecer, pagando uma segunda casa longe da minha morada e da família… e fui dos que tiveram sorte.
Hoje a
situação dos professores em início de carreira (um “início” que nalguns casos
dura …10…15…20 anos…!!!!) é ainda pior.
Não são desempregados, mas sujeitam-se
a horários incompletos, mal pagos, a mudar todos os anos de casa e muitas vezes
a centenas de quilómetros da família….e sem qualquer ajuda de custo…apenas para
conquistarem uma melhor posição no concurso do ano seguinte, com a esperança de
se efectivarem…
Enfim, ouvir
comentadores, ditos “jornalistas”, falar nos privilégios dos professores…só por
má-fé, ignorância (um jornalista ignorante???) ou pura desonestidade
intelectual.
Podem
existir razões financeiras e outras para ser difícil rever a situação do tempo
perdido.
Pode haver
uma intransigência exagerada dos sindicatos nesta questão.
Mas o que
não se pode fazer, é usar este caso para atacar toda uma classe profissional
que tem sido das mais sacrificadas e é, apesar disso, das mais empenhadas em
melhorar as condições de vida de gerações de portuguesa.
Menos ainda
é aceitável o afã com que alguns comentadores usam argumentos falaciosos,
meias-verdades e falsidade para atacar toda uma classe profissional.
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terça-feira, 5 de junho de 2018
A “Moda” da acusação de “Populismo”
A acusação de “populismo” serve, nos dias que correm, para quase tudo.
Os mais assanhados defensores do actual situacionismo Europeu, isto é,
os que defendem a desintegração do Estado Social Europeu, mesmo com a desculpa
que o fazem par o “salvar” e “aperfeiçoar” e os que defendem as decisões
antidemocráticas dos burocratas de Bruxelas, as tão apregoadas “reformas
estruturais” (leia-se, cortes salariais, cortes nas pensões, desintegração do
funcionalismo público, entregue aos negócios privados, onde pululam os boys do
centrão, a retirada de direitos sociais, considerados “resquícios comunistas”, e
as ajudas públicas ao corrupto sector financeiro), consideram “populistas”
todos os que se opõem a essa deriva “austoritária” da União Europeia.
Metem no mesmo saco os que defendem uma verdadeira reforma da Europa (que
realize uma verdadeira reforma das instituições europeias, democratizando-as, um
verdadeiro aperfeiçoamento do Estado Social e do sector público e do sistema de
pensões, uma melhoria das condições sociais e salariais dos trabalhadores
europeus, um controle efectivo sobre o sector financeiro e um combate
consequente à corrupção e às desigualdades sociais), e os populistas de extrema
direita (que visam, demagogicamente, aproveitar-se da crise dos refugiados e
dos atentados bombistas para toda uma campanha xenófoba e islamofóbica, com uma
critica “nacionalista” à União Europeia, procurando assim, e por agora por via
democrática, chegar ao poder e impor o seu programa de intolerância e perseguição
aos refugiados e, mesmo que o façam em nome do “combate à corrupção”,
facilitando a vida ao grande poder financeiro, em nome de atrair
“investimento”).
Mas o mais grave é quando os partidos do “centrão” europeu adoptam os
projectos da extrema direita com a desculpa de anular o avanço do populismo.
Enquanto continuarem a culpar o “populismo” pelos males da Europa, em
vez de olharem para a sua própria responsabilidade na crescente descrença dos
cidadãos europeus pelas instituições europeias, enquanto continuarem a acentuar
as desigualdades sociais, salvando o poder financeiro à custa da desintegração
do Estado Social e dos Direitos Sociais, enquanto continuarem a alimentar a
corrupção ética das elites politica do “centrão”, enquanto acharem que a melhor
maneira de combater o populismo é integrar partes dos seu programa anti-social
e xenófobo no programa e na acção dos partidos do sistema, legitimando o argumentário
populista, o verdadeiro populismo (que os mesmos não têm coragem de chamar pelo
nome: FASCISMO!) vai continuar a fazer o seu caminho e o eurocepticismo a crescer e a alimentar a
deriva populista.
Vejam lá se acordam! Ainda estão a tempo de salvar a "Europa" e melhorar a vida dos cidadãos europeus da deriva populista.
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quarta-feira, 30 de maio de 2018
Os três “D’s” do debate sobre a Eutanásia: Dúvidas, Disparates e Decisões.
DÚVIDAS
Confesso que, no início do debate sobre a votação dos projectos sobre a despenalização da Eutanásia, assaltaram-me algumas dúvidas, muito idênticas às que foram formuladas por Vicente Jorge Silva na sua crónica editada no Público no último Domingo.
Intitulada “Vida e morte: as Fronteiras da
liberdade”, o jornalista confessava –se “profundamente
dividido sobre a questão da eutanásia” em debate no Parlamento:
“ Por um lado, não tenho qualquer
dúvida de que quero morrer com dignidade e, se não tiver alternativa ou não for
capaz de o fazer sozinho, antecipar a minha morte com ajuda médica em caso de
sofrimento insuportável ou degradação irreversível das minhas condições de
vida. Mas, por outro lado, não consigo generalizar e tornar objecto de uma lei
o que tenho certo para mim próprio, porque não consigo antever todas as
circunstâncias concretas em que, supostamente, a escolha de uma morte assistida
se fará segundo a vontade de cada um. Mais: receio que essa generalização
banalize aquilo que, de todo, não o deveria ser e possa prestar-se a abusos
macabros por parte de terceiros, como já terá acontecido noutros países onde a
prática de eutanásia é legalmente autorizada”.
E continuava o articulista : “Ora, face à minha divisão interior,
confunde-me a ligeireza com que uns pretendem fazer aprovar apressadamente, sem
um prévio debate aprofundado, uma lei tão delicada sobre as fronteiras entre a
vida e a morte. Tal como me desgosta a argumentação, de uma intolerância
maniqueísta, exibida por outros e que ultrapassa a esfera das convicções
religiosas, como se a eutanásia pudesse equivaler, em qualquer circunstância, a
um homicídio puro e simples (atitude essa reflectida na tomada de posição, com
laivos de chantagem política, pelo anterior Presidente da República, Cavaco
Silva).
“A este respeito, tenho dificuldade em perceber com clareza a fronteira que
alguns ferozes opositores da eutanásia estabelecem entre a interrupção do
tratamento dos doentes em fase terminal, considerada legítima, e o recurso a
uma morte assistida para obviar, precisamente, a essa situação considerada
irreversível. Há aqui, parece-me, uma certa hipocrisia ideológica que cuida
mais das aparências dos rituais do que do efeito final dos procedimentos”.
E concluía Vicente Jorge Silva:
“Não se trata de ficar no meio onde residiria falsamente a virtude, mas de
interiorizar a complexidade de um debate que não ganha nada em decorrer de
forma precipitada. Sei o que quero para mim, se porventura for confrontado com
a hipótese de não morrer com dignidade, mas considero abusivo legislar à pressa
para ficar confortado com uma opinião e uma opção de natureza pessoal. Estão em
causa as fronteiras da liberdade”.
Contudo, consultando o mesmo jornal Público na 6ª feira anterior, onde se
comparavam os 4 projectos em debate e os conteúdos mais significativos de cada
um, as minhas dúvidas dissiparam-se.
Na maior parte desses projectos estava bem claro quem se podia “candidatar”
à eutanásia, doentes em sofrimento extremo, com doença incurável e terminal,
maiores, em pleno uso das suas capacidades mentais, conscientes até ao momento
da eutanásia, após pedido devidamente analisado, aprovado e acompanhado por uma
equipa multidisciplinar, decisão sempre reversível e dando aos médicos o
direito de objecção de consciência.
Interessante ainda para a minha decisão de apoiar os projectos em discussão
foi a leitura da crónica de Bárbara Reis, no mesmo jornal, publicada em 25 de
Maio, intitulada “a eutanásia segundo Séneca, o sábio da morte”, de onde retiro
algumas frases desse clássico: “Viver não é uma coisa boa em si mesmo, mas sim
viver bem”, e assim “sábio é aquele que vive até onde deve, não até onde pode”,
ou “A vida é como uma história: o importante é como é feita, não se é comprida.
Mas dá-lhe um bom fim” e concluía: “achas que há alguma coisa mais cruel a
perder na vida do que o direito de acabar com ela”?.
A minha dúvida não é sobre o direito individual de cada um decidir a
eutanásia, mas se a questão não deve ser mais debatida antes de uma decisão
final, que só pode ser a sua despenalização com os critérios apontados nos 4
projectos.
DISPARATES
Triste de ver foi o rol de dispartes que
ouvimos nos últimos dias, principalmente por parte dos opositores à eutanásia,
em que a frase que circulou na manifestação de ontem, “Não matem os velhinhos”
é o coroar de tanta ignorância.
Apoiar ou não a despenalização da eutanásia pode ser uma questão de
consciência, mas daí a recorrer à chantagem ideológica, como o fez Cavaco Silva,
transformar essa questão num problema religioso, como o fizeram, pressionando o
poder politico, os líderes religiosos em Portugal, ou atirar areia para os
olhos, explorando a ignorância generalizada sobre o tema, merece-nos o mais
veemente repudio.
Ouvir dizer que o Estado não se pode meter numa questão de liberdade
individual, como li, é atirar areia para os olhos, como se o problema não fosse
o facto de o Estado, através da lei, poder condenar como criminosos comuns os
profissionais de saúde e os familiares que auxiliem quem, assumindo essa mesma
liberdade individual, recorra à eutanásia.
Ao contrário do que ouvi gritar e escrevinhar, ninguém é obrigado a recorrer à Eutanásia, nem esta se confunde
com cuidados paliativos ou testamento vital.
Pegando em dois exemplo extremos, Alejandro Amenábar (cuja situação foi o
tema do filme “Mar Adentro”) ou o físico Stephen Hawking, o Estado só tem de
garantir que a opção de Amenábar seja levada a bom termo, sem criminalizar
ninguém, ou a opção de Hawking de continuar a viver e a lutar até ao fim,
garantindo um eficaz acompanhamento médico. O resto são balela beatas.
DECISÕES
O parlamento decidiu reprovar todos os projectos.
As desculpas foram muitas, desde a consciência de cada um, o medo de perder
um lugar na lista do “partido” nas próximas eleições, até à disciplina partidária mais autoritária.
Outros desculparam-se com o facto de o tema não constar dos programas
eleitorais, os mesmos que, noutras circunstâncias, quando se tratou de retirar
direitos económicos e sociais, de cortar nas obrigações do Estado Social ,
salvar os especuladores financeiros, ou impor a austeridade dos últimos anos,
tudo actos que não constavam dos respectivos programas, não hesitaram nem um
momento em avançar com medidas que não constavam em programas eleitorais.
Invocar o facto de “não constar” nos programas eleitorais é passar um
atestado de menoridade aos deputados e ao Parlamento.
Foi também triste de ver a atitude do PCP, que se dividiu entre
justificações próximas da beatice e o desrespeito pela liberdade individual, à
qual esse partido, que revela grande dificuldade em acompanhar os tempos,
sobrepõe uma mítica “liberdade colectiva”.
Penso. Contudo que o tema deve continuar em cima da mesa para ser debatido
com serenidade.
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segunda-feira, 28 de maio de 2018
O “meu” Maio de 68 foi em Abril de 74
Quando se deu o Maio de 68, tinha apenas 12 anos de idade e, na altura,
não me apercebi da dimensão desse acontecimento.
Não que em casa não se falasse do que se passava no mundo. O meu pai
era homem informado e politizado, homem da oposição e em casa entravam
regularmente jornais (“República”, “Diário de Lisboa”, “A Capital”…) e revistas
(“Vida Mundial”, “Seara Nova”, “Vértice” , “Correio da Unesco”…).
Lembro-me bem de outros acontecimento desse ano, como os assassinatos
de Luther King ou Robert Kenneddy assim como da Primavera de Praga.
Aliás, a Primavera de Praga teve muito mais destaque e impacto na
comunicação social portuguesa do que os acontecimentos franceses, o que se pode
explicar por razões ideológicas e pela acção da censura.
A entrada dos tanques soviéticos em Praga motivou mesmo as primeiras
criticas que ouvi em casa à União Soviética e terá contribuído para um maior
afastamento por parte do meu pai do PCP.
Um cheirinho do Maio de 68 tive-o no ano seguinte, em Agosto de 1969,
quando, numa visita a Coimbra, o meu pai nos levou à zona da Universidade,
ocupada por tropas e policia, história que já contei AQUI.
Da importância do Maio de 68 só me comecei a aperceber anos depois,
quando me envolvi mais activamente na actividade politica, a partir de 1973.
Mas foi depois de Abril de 74 que me senti a viver no espírito do Maio
de 68.
Nesta altura, mais do que as teorias marxista, trotskista, maoista ou
anarquista que guiavam a acção de quase toda a gente à minha volta, eram os
valores de Maio de 68 que me guiavam, das frases aos livros impregnados no
espírito desse acontecimento, tendo lido avidamente as obras de Roger Garaudy e
Raul Veneigem.
Mais do que as frases e as palavras de ordem dos maoistas ou dos
trotskistas, eram as frases de Maio de 68 que me “guiavam” e entusiasmavam
nesses tempos de descoberta permanente que se seguiram ao 25 de Abril : “A
Imaginação ao Poder”; “Sejam realistas, exijam o impossível”; “Sob a calçada, a
praia”; “É proibido proibir”, “A Poesia está na Rua”; “Não é uma Revolução, é
uma mutação”, “Não me libertem, eu encarrego-me disso”…
O Maio de 68 foi o cumprir do terceiro pilar da Revolução Francesa, o
da “Fraternidade”, o mais esquecido (“Liberdade, Igualdade, Fraternidade”).
De facto, muito daquilo que por cá ainda há pouco tempo se apelidava de
questões “fracturantes” ganharam uma verdadeira dimensão politica na Europa e
no Ocidente a partir de Maio de 68.
A França desse tempo, e uma
grande parte do ocidente, no que diz respeito ao autoritarismo e
conservadorismo dos valores e à própria censura às artes e à divulgação das ideias
novas, não era então muito diferente do que, por cá, se vivia no regime
salazarista.
A evolução de muitos dos principais protagonistas desse acontecimento
foi, na maior parte dos casos, uma desilusão, mas nem os próprios conseguiram
domesticar os valores de Maio de 68 que continuam a vir sempre ao de cima
quando o conservadorismo e o autoritarismo voltam a levantar a cabeça.
O próprio Maio de 68 não teria passado de mais uma revolta estudantil
como tantas outras nessa época, que tinham a critica ao autoritarismo e à
guerra como principais motivações, se a
ela não se tivessem juntado os sindicatos e os trabalhadores que, com greves e
manifestações, fizeram abalar o regime Gaulista.
De Gaulle percebeu a dimensão do acontecimento e acabou por o
aproveitar a seu favor, acabando por sair pela porta grande da História, ao
contrário daquela que foi a história de vida de muitos dos líderes do Maio de
68.
Hoje, do Maio de 68, guardo os ideais da recusa do conservadorismo e do
autoritarismo de todas as tendências, o direito à “fraternidade” , a
importância da “rua” como campo de afirmação politica e a importância da
criatividade e da imaginação para a realização humana.
De negativo? : o percurso de alguns dos “ideólogos” do Maio de 68, que
abriram caminho ao neoconservadorismo e ao neoliberalismo, o culto da “eterna
juventude”, algum extremismo “critico” e
...o “maoismo”.
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Memória pessoal
quinta-feira, 24 de maio de 2018
António Arnaut : Um politico ao serviço do bem público
Numa época em que, diariamente, tomamos conhecimento de mais um
politico apanhado nas teias da lei, ou responsabilizado pela degradação do
serviços públicos, ou envolvido em negociatas com o poder económico e
financeiro, a morte de uma figura como a de António Arnaut não é apenas mais
uma morte marcada pelas leis da natureza, mas uma verdadeira tragédia.
António Arnaut foi um exemplo raro de honestidade e dignidade no
exercício de um cargo público.
Como se isso não chegasse, foi ainda o rosto daquela que foi o exemplo
maior do “espírito de Abril”, a criação do Serviço
Nacional de Saúde (SNS).
Apesar de todos os ataques contra o SNS deferidos de todos os lados e por
todos o lóbis que procuram dificultar a sua concretização, como tivemos um
exemplo recente nos “recados” da Comissão Europeia com os “gastos” de Portugal
com o SNS, [é pena que não revelem a
mesma preocupação como os gastos para salvar o corrupto sistema financeiro
europeu…] a sua obra continua a resistir.
Apesar da tentativa de o desvirtuar a partir do “cavaquismo”, apesar de
quase ter sido arruinado pelo descalabro financeiro do “socratismo”, apesar da
tentativa oportunista de o destruírem no “passo- coelhismo” [com o resultado que todos
temos sentido nos últimos tempos], festim onde participaram e participam muitos
que nesta hora lançam loas de pesar pela morte do Homem, o SNS é um dos
pilares da nossa democracia.
Para além do SNS, o grande legado de Arnaut, é o que ele representa como
raro exemplo de honestidade politica, como um exemplo do que deve ser o
verdadeiro serviço público e do que se espera de um politico, de alguém que,
tendo um sonho, tudo fez para o concretizar e o defender até ao último suspiro.
Defender e aperfeiçoar o SNS é a
melhor homenagem que a nossa geração pode prestar à sua memória.
Etiquetas:
António Arnaut,
Ética,
Serviço Nacional de Saude
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