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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A CARTA DE Meira Soares aos deputados, que esteve na base da sua demissão da Comissão de acesso ao Ensino Superior, cargo que ocupava desde 1995, “escandalizado” com ataques “despudorados” do Estado aos que menos recebem




"ISTO SERÁ MESMO NECESSÁRIO?

"Senhores Deputados:

"Sabemos que, só a partir de 2003, começaram a ser tomadas medidas no sentido de tornar sustentável o sistema de aposentações da função pública, numa clara e pública confissão da incompetência dos sucessivos governos para encarar um problema que já era previsível nos fins da década de 80 (ver adiante)! Desde 2003, o “ataque” aos aposentados intensificou-se, nalguns casos com justificações aceitáveis.

"Foi assim que a idade da aposentação e o tempo para a atingir se foi alterando e aumentando, ao mesmo tempo que as regras de cálculo das pensões eram também alteradas.

"Acabou-se, e bem, com a possibilidade de um aposentado do Estado poder acumular a sua pensão com qualquer forma de remuneração atribuída por esse mesmo Estado. Chegou-se, porém, ao exagero de as gratificações, ou senhas de presença, por se ser membro de uma Comissão qualquer, prevista na lei, não poderem ser recebidas quando se é pensionista. Há, assim, aposentados a trabalhar em Comissões legalmente criadas, sem poderem sequer receber senhas de presença, por exemplo.

"A irresponsabilidade dos sucessivos governos acabou por nos levar à situação de dependência em que nos encontramos, com a obrigação de cumprir um Memorando de Entendimento que tem trazido a miséria a muitos portugueses. A convergência dos sistemas, público e privado de pensões, estava entre as medidas previstas no Memorando, não dando, contudo, indicações específicas sobre o modo de o fazer.

"O atual governo demonstrou, há mais de um ano, em especial através do Primeiro-Ministro, uma propensão para lançar privados contra públicos e novos contra velhos, manifestando claramente uma aversão aos aposentados em geral (Contribuição Extraordinária de Solidariedade) e, de entre estes, aos da função pública. Não admira, portanto, que tente levar avante a sua ideia de penalizar estes últimos, através de uma proposta de legislação,aprovada em Setembro de 2013, que lhes retira, de um dia para o outro, uma parte considerável das suas pensões, sem qualquer preocupação com uma transição a que o Estado nos tem habituado.

"Dir-se-á que, na situação em que o país se encontra, tal seria inevitável, mais tarde ou mais cedo. Mas não basta afirmar: é necessário provar.

"Sejamos claros.

"Não me custa, absolutamente nada, admitir que, numa situação de emergência, como a atual, o Estado se veja obrigado a quebrar algumas partes dos seus contratos e não faço disso um segredo. 

"Escandaliza-me muito, porém, que esse mesmo Estado ataque de maneira despudorada os que menos recebem, os desempregados e os doentes.

"Escandaliza-me que esse Estado determine cortes, recorrendo ao fomento da discórdia entre gerações e entre diferentes grupos de trabalhadores.

"Escandaliza-me que esse Estado “esqueça” a sua própria responsabilidade na situação criada e venha, agora, querer dar a entender que são os reformados e os funcionários públicos a origem de todos os males e os culpados pela situação, como se tivessem sido eles a elaborar as leis que os conduziram à condição de “privilegiados”.

"Escandaliza-me que um Estado responsável admita, em nome de uma equidade que só ele entende, tratar os atuais funcionários públicos como uma classe a abater. 

"Aceito mal que, numa deriva de “tiro aos reformados”, esse Estado tenha até admitido a existência de uma “TSU” (aparentemente abandonada, por agora) com um valor não justificado, porque não sustentado em estudos, e, portanto, arbitrário, criando uma situação de desconfiança que, para além da injustiça a criar, pode gerar uma grave convulsão social.

"Mas não devem restar dúvidas de que há desigualdades que importa diminuir ou eliminar, sendo a fórmula de cálculo das pensões dos atuais aposentados, que entraram para o Estado antes de 1993, uma das que deve ser discutida e encarada. A correção pode, ou não, ser a proposta e ser gradual. Tal depende da real situação das “finanças” da CGA, mas tendo muito em conta os constrangimentos que lhe têm sido impostos (por exemplo, não recebe subscritores desde 2005, creio eu).

"Dito isto, é claro que considero saudável que essa discussão se faça e que sejam encontradas soluções que podem passar por um corte imediato ou progressivo, com a correção da fórmula de cálculo. Mas tal só deve ser feito após se esclarecerem algumas questões e se desfazerem algumas mentiras:
 
"1. Afirma-se que a CGA está sem dinheiro para pagar pensões. Tal não é de espantar – o patrão Estado, só a partir de meados desta década, começou a pagar a sua parte, como fazem os privados, não podendo, por isso essa verba ter sido capitalizada quando tal ainda era possível; desde 2005 não há novos funcionários a descontar, pelo que, aumentando o número de aposentados, o sistema vai mirrando. Será que o governo será capaz de dizer isso aos contribuintes, isto é, que foi o Estado que criou esta situação?

"2. As regras da aposentação dos funcionários públicos têm vindo a ser apertadas (e bem) desde 2003, em mudanças sucessivas da lei, aproximando os regimes. Está o governo em condições de informar quanto já se “poupou” com estas alterações, por que razão elas ainda não chegam e o que foi feito do dinheiro? Suponho que sei, mas a maioria dos aposentados, que já sentiram as consequências das diferentes medidas, pensava que estas eram suficientes. Se não eram, por que razão não lhes foi dito e explicado atempadamente, apanhando-os agora desprevenidos? E será que eram mesmo insuficientes? Ou aproveita-se a onda de cortes e põe-se tudo no mesmo saco? Não se trata de uma medida estrutural pois só durará enquanto eles vivem e não é de esperar que seja, em média, muito mais do que uma década.

"3. Tem o Primeiro-Ministro razão quando diz que descontámos para ter pensões (CGA e regime geral), mas não “estas pensões”. Na verdade, não é preciso ser cínico para dizer que era possível prever que tal iria acontecer – o Estado deixou de ser pessoa de bem há muito tempo e isso prova-se pelas malfeitorias que tem aplicado aos cidadãos, forçado, pela incompetência dos governos, a cortar nas despesas e a aumentar as receitas (estas são só algumas entre outras). No limite, se o Primeiro-Ministro não clarifica, a conclusão a que se pode chegar é que descontámos (os atuais aposentados e os que virão a aposentar-se) uma brutalidade para ter pensões não compatíveis com esses descontos. Quererá o Primeiro- Ministro explicar, se for esse o caso, que a sua intenção não era pôr novos contra velhos? Se não era, tiveram esse efeito.

"4. Na primeira parte da década de 90 (ou fim da década de 80!), o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, prevendo que se poderia chegar ao ponto a que chegámos (não tão grave, pois era precisa muita imaginação) propôs ao Governo que permitisse que se pudesse pôr, a título voluntário, um limite às pensões (neste caso dos membros das Universidades, pois só para isso tinham legitimidade), com a redução correspondente nos descontos, deixando a possibilidade de se poder, naturalmente, aderir a um sistema de seguro, ou algo semelhante. Concorde-se, ou não, com a proposta, verifica-se hoje que ela tinha a sua razão de ser e até já foi uma hipótese avançada por alguém do atual executivo (neste momento já é impossível sem riscos apreciáveis). O governo não viabilizou a proposta e, como tinha a faca e o queijo na mão, ficou tudo na mesma. Convém referir que, na altura, o sistema da CGA não tinha, de modo algum, um problema semelhante ao de hoje. Com a negação da hipótese, pelo governo, ficou, naturalmente a convicção de que o Estado asseguraria o cumprimento do que estava na lei, naaltura. Vê-se! Alguém explica isto? Estou certo que ninguém quer falar do assunto.

"5. A situação do país é aquela que se sabe. A incompetência dos governos é a maior responsável por ela. Não se toca, ou toca-se a fingir, nas PPP’s e nas rendas elétricas. Poucos são responsabilizados pelos desmandos. Há, diz-se sem que seja negado, centenas ou milhares de milhões de euros que estão perdidos por negligência ou por ações criminosas.Vai buscar-se dinheiro sempre aos mesmos, “confiscando-lhes” a sua propriedade, mas não se cuida de o ir buscar a quem o terá subtraído. Quererá o governo, em nome do Estado, pedir desculpa aos portugueses pelo descalabro? E mostrar a sua determinação em corrigir o rumo, sem se esconder numa putativa reforma doEstado?

"Haverá, seguramente, mais perguntas a fazer. Porém, se tiver respostas a estas, e elas forem convincentes, dar-me-ei por minimamente esclarecido. Pelo menos, servir-me-ão de justificação para, sem grandes problemas de consciência, poder afirmar que a dita convergência gradual, ou imediata, tem sentido.

"Até ter respostas, recuso-me a ser conivente com esta hipocrisia. Felizmente para mim, porque no meio desta miséria moral e material ainda sou dos menos prejudicados, não tomo esta atitude por temer que os cortes me venham a afetar irreversivelmente (repare-se que aceito o princípio). Tomo-a por entender que os princípios são mais importantes do que o dinheiro, e devem ser recordados por quem ainda tema liberdade de os defender (os que foram levados ao limiar da pobreza estão muito limitados na sua liberdade de expressão).

"Os direitos adquiridos não são todos sagrados, mas a confiança nas instituições que nos governam é (ou deveria ser). E só essa confiança legitima que alguns desses direitos sejam retirados. Ao que se constata, tudo está invertido: corta-se primeiro e depois quer-se legitimidade. Já não é só incompetência – é estupidez, teimosia, miopia ou má-fé.
 
"Resta-nos apelar para os deputados para que tenham a coragem de tornar este processo racional e inteligível, que é o que deles se espera, e porque o governo não o faz nem quer fazer. Por isso me dirijo a vós".

Virgílio Meira Soares

"P.S. – A recente notícia daquilo que já se chama a TSU das viúvas é uma medida abjecta e em nada contribui para me descansar sobre a boa-fé do governo. Marcar, com estrela, ou sem estrela, os mais idosos e os mortos, começa a ser demasiadamente preocupante".


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A "GRANDE OBRA" DE MERKEL E BARROSO : - Austeridade lançou Europa numa "espiral de pobreza" e ameaça criar "crise social e moral" .

NO CINQUENTENÁRIO DA MORTE DE EDITH PIAF - A minha primeira memória do mundo.



A minha primeira memória de um mundo que existia para lá das casas onde vivi na infância, da escola e das ruas à volta da minha casa, foi a do dia da morte de Edith Piaf.

Embora só com o tempo me tenha apercebido disso, pois, dos acontecimento que marcaram o mundo após o meu nascimento, os mais recuados no tempo de que me conseguia lembrar eram os da morte de Piaf e do assassinato de John Kennedy ( cujo cinquentenário acontece no próximo dia 22).

Lembro-me desse momento como se fosse hoje. Brincava então na sala da casa dos meus pais, ainda hoje a mesma, o rádio estava aceso e lembro-me perfeitamente  de ouvir o locutor anunciar a morte daquela cantora imortal e de, em seguida, passar um tema de Piaf.

Só como tempo aprendi a conhecer essa voz inconfundível, mas, mais do que isso, da importância daquele momento com o da iniciação da minha consciência de um mundo para lá do meu pequeno mundo da infância.

Por isso, não podia deixar de invocar hoje o cinquentenário que hoje passa sobre a morte de Edith Piaf.

Em baixo podem ler um dossier sobre do Le Matin sobre a sua vida e AQUI uma reportagem do jornal Público sobre o mesmo tema, bem como um video raro como uma das suas actuações ao vivo:



No Cinquentenário do falecimento de Edith Piaf - momentos da sua vida em imagens.









quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Barroso recebido em Lampedusa com gritos de "assassino"








Como disse o papa Francisco, o que se passou em Lampedusa é uma vergonha para a União Europeia e par os seus líderes.

Pessoalmente, como português, sinto-me envergonhado por "darmos" à Europa alguém como Durão Barroso, e com Europeu sinto-me envergonhado pelae da trupe da Comissão Europeia que nos governa e que pouco se preocupa com as pessoas e os cidadãos.

Pensava Barroso que, ao deslocar-se a Lampedusa, as pessoas eram parvas e o íam receber com aplausos?

Haja vergonha!!!

Morreu Philip Chevron, guitarrista dos The Pogues

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Porqu não te calas?..ou "economistas e comentadores portugueses, ainda há muitos fretes pela frente a fazer a este governo" : ..."Execução de medidas de austeridade pode gerar novo "choque de expectativas", diz Passos "

Parece que os economistas e os comentadores ainda não fizeram o servicinho todo ao governo.

Num apelo "lancinaste", o  fanático primeiro-ministro que nos calhou na rifa eleitoral afirmou, perante uma sala cheia de agradecidos economistas, que estes e os habituais comentadores de serviço ainda têm muito serviço de propaganda neo-liberal pela frente.

Segundo a notícia do Público, "Passos Coelho apelou, nesta terça-feira, aos economistas e intervenientes na opinião pública a envolverem-se no debate de forma a "não criar um choque de expectativas, que comprometeria os méritos e os sucessos" do programa de ajustamento financeiro".

A figurinha não deixou de apelar a que aqueles serviçais continuem a convencer os portugueses que a sua comprovadamente falhada receita de austeridade é o melhor caminho para cumprir os "compromissos que assumimos com os nossos credores internacionais", esquecendo-se que o seu principal compromisso devia ser para com os portugueses e para com os compromissos assumidos pelo Estado com estes, e não a salvação dos especuladores que gerem os "mercados" e que foram os responsáveis pela crise financeira.

Ao contrário daquilo que faz a srº. Merkel, que defende os alemães e os interesses alemães, Passos Coelho tem-se comportado como um mero serventuário da abjecta especulação financeira que está a destruir Portugal, os portugueses e, a prazo, o que sobra do sonho Europeu, e pelos vistos pretende continuar a sê-lo.

Veremos se os economistas e comentadores vão continuar a fazer o "frete" da propaganda ideológica, como a maior parte tem feito até aqui., e como Passos Coelho deseja que continuem a fazer.

..e já agora...os economistas que passam a vida em congressos e a ouvir ministros, não trabalham?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

NEM MAIS!!!...: Corte nas pensões de viuvez compensa "borla fiscal" para grandes empresas

“À Procura de Sugar Man” - Um documentário sobre a integridade



INTEGRIDADE : esta é uma palavra que escasseia no discurso político, no discurso jornalístico e no discurso cultural dos nosso dias.

“À Procura de Sugar Man”, de Malik Bendjelloui  é um documentário sobre o modo como se podem conjugar a  integridade, os valores e o talento numa sociedade marcada pelo espectáculo constante, pelo carreirismo a toda o custo e pela falta de respeito pelo ser humano.

O documentário, que ganhou o óscar, conta-nos a fabulosa história de Sixto Rodriguez, um talentoso musico que gravou dois álbuns entre 1968 e 1970 e que desapareceu tão depressa como apareceu.

Por um acaso da história, um dos seus álbuns chegou à África do Sul na época do apartheid e o talento da sua musica e a crueza esclarecida das suas letras representaram uma lufada de ar fresco, entre a jovem comunidade branca que não se sentia bem naquela regime.

As músicas de Rodriguez começaram a circular clandestinamente entre grupos de jovens brancos contestatários e o seu nome tornou-se tão famoso, na África do Sul, como um Bob Dylan ou os The Beatles.

Contudo ninguém sabia do paradeiro de Rodriguez e circulavam as mais incríveis lendas, tudo apontando para a sua morte trágica e precoce.

Com o fim do regime do apartheid  cresceu a curiosidade sobre o destino do musico.

 O filme retracta exactamente a investigação que alguns fãs de Rodriguez levaram a efeito, conduzindo-os a um desfecho imprevisível. 

Afinal Rodriguez estava vivo, morando num subúrbio da decadente cidade norte-americana de Detroit.

E o contacto com Rodriguez revelou um homem que nunca se interessou pela fama ou pelo êxito, consciente do seu talento, mas que levou uma vida simples, trabalhando na construção civil, tendo tirado um curso de filosofia, tendo criado três filhas a quem proporcionou cursos universitários e a quem ensinou, ao longo da vida, os valores da integridade e da cultura, mas que desconhecia o êxito e a importância que ainda hoje tem na África do Sul.

Na África do Sul, depois de o descobrirem  na década de 90, realizou mais de trinta concertos, enchendo estádios e grandes salas de espectáculo.

Mas o êxito que ele descobriu que tinha naquele país africano, duas décadas depois de ter deixado de editar musica, não o deixou deslumbrado, viu tudo aquilo com muita curiosidade e lucidez, doou todo o dinheiro que obteve como os concertos e continua a viver na velha casa de sempre, procurando continuar a viver a vida simples e anónima  que sempre levou em Detroit.

A fama nunca o atraiu e, contudo, teve-a à mão, pois a sua musica é de uma qualidade intemporal e as suas letra são de um profundidade avassaladora.

Talvez que a  crueza dos seus temas não se adaptasse ao optimismo dos anos 60.

Mas Rodriguez também nada fez para obter essa fama. Fez uma opção consciente. 

Entre a fama ou a simplicidade e a integridade da sua vida, preferiu a segunda opção. Quando no filme alguém o questiona sobre a oportunidade  que deixou escapar, sobre se não achava que podia ter tido uma vida “melhor” ele acrescentou “melhor…ou não!”.

Quando vivemos num mundo onde as pessoas estão viciadas no êxito fácil, tudo fazem para os seus quinze minutos de fama, onde, parafraseando uma personagem de Woody Allen, se é famoso por ser famoso, onde a comunicação social , principalmente a televisiva, promove a mediocridade em todas as áreas, a história da vida de Rodriguez é um edificante história humana, que nos faz recupera a esperança na humanidade.

…como eu percebo Rodriguez!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Uma impressionante fotoreportagem do fotógrafo da Reuters Damir SagolJ: As vidas partidas de Fukushima

O "NAZI-LIBERALISMO":




Entre os vários livros que fui lendo nos últimos meses, algures entre a ficção e o ensaio histórico, passou-me pelas mãos um pequeno volume histórico, da autoria do norte-americano Paul Maracin, “A Noite das Facas Longas”.

O autor, antigo investigador criminal no Gabinete do Procurador de San Diego e actual colaborador no The Wall Streeet  Journal, tem-se dedicado na sua reforma à investigação sobre a IIª Guerra Mundial.

Neste livre analisa a ascensão dos nazis ao poder e a luta entre facções do Partido Nazi que desembocou nessa noite de 30 de Junho para 1 de Julho de 1934, que foi uma noite de ajuste de contas entre Hitler e os seus rivais internos no Partido Nazi, em especial contra Röhm e as SA, mas que aproveitou para ajustar contas contra todos os que se tinham oposto a Hitler ao longo da sua vida política.

A grande burguesia alemã, o sector financeiro e o exército, que até aí olhavam para Hitler com alguma condescendência e desconfiança, viram na eliminação das SA um sinal de “civilidade” de Hitler, que eliminava e domesticava assim a ala mais populista, irrequieta,  e “obreirista” dos nazis, que até aí os servira na perseguição aos sindicatos, aos socialistas e aos comunistas e que agora se tornava “um deles”, sem os indisciplinados membros das SA a incomodar a “normalidade” das suas vidas.

Mas o que mais me impressionou neste livro foi, na breve biografia que o autor traçou dos mais destacados líderes do nazismo, alguns pontos em comum entre alguns deles: a aversão ao trabalho, a utilização da política como forma de ascensão social de muitos deles e arrogância do seu carácter sem ética social.

A maior parte deles eram pessoas falhadas, que, em circunstâncias históricas normais, nunca teriam passado do anonimato e teriam, provavelmente, levado a vida normal da pequena burguesia e das classe mais desfavorecidas.

Como é que uma sociedade culta e esclarecida, como era a alemã do principio do século confiou o poder a esse tipo de gente é uma incógnita que ainda hoje continua a motivar intensos debates entre historiadores, sociólogos e politólogos.

O que mais me impressionou foi, com as devidas distâncias históricas, algumas semelhanças nos percursos pessoais na actual geração de políticos europeus com a carreira política das elites nazis.

Gente medíocre, que quase nunca trabalhou ou geriu uma empresa, ou, quando o fez, foi totalmente incompetente  e desastrosa, sem um conhecimento da história europeia, pouco dados à cultura, ascendendo ao poder à sombra do mais abjecto oportunismo e carreirismo politico, navegando entre as juventudes, as concelhias e os congressos partidários, com falta de ética social, que olham para os cidadãos ora como meros “eleitores”, “contribuintes” ou números estatísticos.

Esta gente se tivesse vivido em plena Alemanha dos anos 30 não desdenharia participar e dar o seu contributo para levar os nazis ao poder.

Hoje o nazismo é politicamente incorrecto, e, à distância, sabemos do criminoso desfecho da sua política.

Mas os nazis eram gente “normal”, ambiciosa, bem comportada perante o poder dos mais fortes, apoiado pelo poder financeiro, tal como muito dos políticos que dominam as instituições e os governos europeus dos nossos dias.

Tal como aqueles, a maior parte dos actuais lideres políticos europeus têm o mesmo desprezo pelos cidadãos em geral e por alguns grupos em particular.

Hoje os trabalhadores, os funcionários públicos e os pensionistas substituem os judeus como a “escória” a abater por esses novos políticos, como os “bodes expiatórios” das incompetência das suas desastrosas políticas económicas e socias.

Hoje não usam camisas negras ou castanhas, mas uma postura formatada que não dispensa a nova farda do fato e gravata, vivendo das aparências.

Hoje não têm a máquina propagandista de Gobbels , mas uma miríade de jornalistas e comentadores, principalmente nas televisões, a tratar da propaganda ao seu programa único de “combate” à austeridade, ao défit e de salvação do corrupto sistema financeiro, seguindo a valha máxima nazi segundo a qual, uma mentira várias vezes repetidas acaba por se tornar verdade.

Mas hoje, tal como ontem, desprezam as leis e as constituições, os compromissos com os cidadãos, as liberdades e garantias socias.

Mas hoje, tal como ontem, limitam-se a obedecer ao sector financeiro, sem ética ou vergonha, que os coloca no poder para melhor servir os interesses desse sector, que não se importa de negociar com criminosos, desde que obtenham lucros. 

Hoje não é preciso assassinar ninguém, a não ser em casos extremos, para levar a àgua ao seu moinhos, basta ameaçar com o desemprego, com a penalização salarial, com o confisco puro e simples dos rendimentos das pessoas, ou com o medo de um futuro sem esperança para os cidadãos e seus familiares.

Hoje não é preciso levar ninguém para campos de concentração, basta retirar direitos sociais e lançar milhões no desemprego e ao empobrecimanto para retira o futuro e a esperança de vida aos cidadãos.

Hoje não é preciso invadir países com exércitos   para os saquear, basta impor um resgate financeiro para saquear um país.

Hoje, um homem com Hitler sentir-se-ia bem na pela de qualquer banqueiro, comissário europeu ,  de qualquer burocrata do BCE…

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A "TROIKA" E A UNIÃO EUROPEIA ESTÃO DE "PARABÉNS" . O "AJUSTAMENTO" ESTÁ A RESULTAR!!!Un indigente de 23 años, primera persona que muere de hambre en España .

Finalmente a Comissão Europeia de Barroso e o BCE de Constâncio podem esfregar as maõs..de "contentamento".

Finalmente, com as suas políticas de "ajustamento" e austeridade conseguiram o milagre de colocar cidadãos europeus  ao nível da Etiópia ou do Bangla Desh.

Graças às suas políticas um Europeu morre à fome.

Estão de "parabéns" o sr. Barroso, o sr, Rhen, a srª Merkel, o sr. Draghi, o sr. Constâncio e tantos outros, políticos, banqueiros, comentadores...

A VINGANÇA DO "CHINÊS": Governo aprova medidas muito duras - Expresso.pt

Já se percebeu que este governo é constituído por gente vingativa e mesquinha. 

Depois de levarem um gigantesco cartão vermelho por parte dos portugueses, o "terrível governador" resolve vingar-se.

Cada vez que algumas coisa corre mal ao governo e ao seu cada vez mais desumanizado e arrogante líder, "toma lá" mais um conjunto de medidas vingativas contra os cidadãos em geral, e contra os trabalhadores e os funcionários públicos em particular.

Este governo é um filme de terror..

Governo aprova medidas muito duras - Expresso.pt