segunda-feira, 24 de junho de 2013

O caos nas democracias europeias e as diferenças de Dilma.

Até aqui, revoltas como aquelas que se veem no Brasil e na Turquia, eram normais em regimes ditatoriais, como aconteceu na revolta àrabe.

Já se tinha percebido na Europa, depois de mega manifestações que tinham tido lugar em países democráticos  como Portugal, Grécia ou Espanha, que hoje em dia as democracias não estão imunes às manifestações  populares, cada vez mais agressivas e que a revolta se vai generalizando, minando a própria democracia.

Mas o problema não é da democracia em si, mas da crescente falta de democracia que se está a generalizar, um pouco por toda a Europa. A Hungria é "apenas" o caso extremo, bem como a recente vitória da extrema-direita francesa em eleições regionais (mais de 40% dos votos).

A responsabilidade principal pela descrença dos cidadãos na democracia, no caso da Europa, cabe à Comissão Europeia, para vergonha de todos nós liderada  por um português, uma comissão que não foi eleita pelos cidadãos e que eterniza no poder, apesar de todos os abusos e erros que vai cometendo contra o bem-estar dos seus cidadãos.

Um pouco por toda a Europa as pessoas começam a perceber que só podem mudar o rumo às suas vidas combatendo os poderes dessa Comissão, do BCE e da troika. 

 Muitos começam a perceber que os próprios governantes democraticamente eleitos são meros joguetes daquela "troika", enfeudada ao poder financeiro, e por isso começam a ter dúvidas se a democracia serve para alguma coisa.

Mas mais uma vez dizemos que o problema não está na democracia, mas no seu constante atrofiamento que, no caso da Europa, tem sido apanágio da poderosa Comissão Europeia e do BCE, instituições não eleitas e que, por isso, têm no seu ADN a falta de democracia das suas decisões, apesar de se escudarem na "democracia".

O problema reside também na forma como se procura atrofiar a opinião pública fazendo crer que a democracia começa e acaba no acto eleitoral. 

A democracia é muito mais do que isso, ela manifesta-se nos sindicatos, nas organizações sociais e nas manifestações de rua, tão legitimamente como a legitimidade do voto.

Há ainda uma agravante, que é o não cumprimento de promessas eleitorais ou o total desvirtuamento dos programas políticos por parte do poder eleito, que lhe tira toda a legitimidade perante o poder democrático dos cidadãos.

É também tudo isto que se questiona nas ruas do Brasil.

Muitos quiseram ver nas manifestações brasileiras  a deslegitimação da "esquerda" que está no poder no Brasil. Mas, ouvindo bem os manifestantes, tudo o que reivindicam nunca poderá ser cumprido pela "direita" e o problema reside exactamente no facto de alguma esquerda, quando chega ao poder, rápidamente se esquecer das suas origens e da sua base social de apoio, como aconteceu em Portugal com os governos de José Sócrates.

Mas Dilma demonstrou que a esquerda, mesmo quando é contestada nas ruas, pode fazer a diferença. As afirmações de Dilma, no último fim-de-semana, demonstraram que está atenta ao que se passa à sua volta e anunciou medidas concretas para responder ao descontentamento popular, como a de canalizar os lucros do petróleo para a educação.

Havia de ser cá...vinham logo com a lenga-lenga da liberdade dos mercados, pois a Europa da Comissão Europeia e do BCE presta mais atenção à liberdade especulativa dos "mercados" do que à liberdade dos cidadãos terem uma vida digna.

A presidente brasileira tem agora uma forte base social de apoio para promover as reformas, as verdadeiras reformas, de que o Brasil precisa para reforçar o estado social e combater as gritantes desigualdades sociais.

Sobre o oportunismo da direita em relação à revolta dos brasileiros, aconselho a leitura do artigo em baixo


 Quem quiser acompanhar o que se passa no Brasil, de forma independente, aconselhamos a leitura da revista on-line Carta Capita:

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