quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Andaremos nós, através da austeridade, a financiar o "estado islâmico"?

A pergunta é uma provocação, mas, se pensarmos bem, se calhar não está tão distante da realidade.

Uma questão sobre a qual  até hoje ainda não me sinto totalmente esclarecido, pelo menos desde o 11 de Setembro de 2001, é saber quem financia o terrorismo internacional.

E atrás dessa levantam-se outras questões.

Onde é que essa gente vai buscar o armamento pesado que utiliza?
Onde é que essa gente aprende a usar tão sofisticado armamento?
Onde é que essa gente consegue manter em funcionamento esse mesmo equipamento?
Como é que essa gente continua  a conseguir passar a sua mensagem através da comunicação social e da internet?
E como é que conseguem cativar jovens nascidos e criado no ocidente e obter tanto apoio popular?

Toda a gente sabe que os sucessivos erros do ocidente, alguns com origem histórica no colonialismo, contribuiram para engrossar as fileiras desses grupos e para a sua "legitimação" ideológica junto de tantas populações.

Também se sabe como as desastrosas intervenções na Jugoslávia, primeiro e, mais recentemente, no Iraque, na Líbia e na Síria, para além da forma como tem sido tratada a questão Palestiniana, e do problema da Tchetchenia, tanto contribuiram para fazer crescer a animosidade contra o ocidente (sim, a Rússia também é "ocidente") e aquilo que ele representa, ao mesmo tempo que contribuiram para disseminar os grupos terroristas no Médio Oriente, no Norte de África e até já em vastas zonas da Ásia e da África Negra.

A desvalorização que o ocidente acentuou do papel internacional da ONU, principalmente pela acção do presidente Bush filho, apoiado por Tony Blair e pela Comissão Europeia de Barroso, não é igualmente estranha à perigosa situação internacional que hoje se vive e pelo desrespeito crescente pelo convívio internacional baseado no direito e no respeito mútuo.

Mas nada disto responde totalmente às questões que acima colocámos.

Tem de haver, por detrás desse terrorismo internacional, um forte apoio financeiro. 

Sabe-se que parte desse apoio passa pela Arábia Saudita (a pátria de Bin Laden) e por outros estados árabes, "amigos" do ocidente, bem como pelo lobi do petróleo (não é estranho que, com o Médio Oriente mergulhado em guerra, se assista à queda do preço do petróleo?...não será que isso só seja possível porque o "estado islâmico" o coloca em grande quantidade e a baixo preço para se financiar e em troca de armamento???).

Mas, sem um sistema financeiro permissivo, que cativou e corrompeu os políticos ocidentais, desprovido de humanidade, sem respeito pelos direitos sociais, nunca seria possivel, ao "estado islâmico" e ao terrorismo internacional, financiarem-se do modo como o são.

E é aqui que reside o busilis do problema.

Tal como os portugueses já viram, porque o sofreram na pele nestes últimos anos, os efeitos desse sistema financeiro, também designado pelos propagandistas ao seu serviço por "mercados", é o total desrespeito pela  dignidade humana e pelos  direitos humanos, tratando as pessoas como lixo e movimentando-se livremente nos corredores do poder europeu.

Ao sistema financeiro pouco lhe interessa os meios para obter os seus lucros. O dinheiro é tudo, não lhe interessa a cor ou a origem....e nada dá mais lucro do que os negócios da droga e do armamento. Uma boa guerra é sempre uma garantia de lucro para os "mercados"!!!!

Mas, o mais grave, é que os cidadãos europeus têm sido convidados a prescindir dos seus direitos sociais e da sua dignidade de vida, a empobrecer, a serem privados dos seus salários e pensões, a pagarem impostos incomportáveis, para salvar esse mesmo sistema financeiro  que se alimenta da especulação, do branqueamento de dinheiro sujo (da droga, do armamento, da prostiuição, do tráfico humano, da mão-de-obra semi-escrava...) e dos lucros das negociatas com estados falidos como ...o "Estado Islâmico"!!!

E aqui regressamos ao principio e à provocação inicial. A austeridade que temos andado a pagar para salvar esse pouco recomendável sistema financeiro, não andará a pagar, mais ou meno directa ou indirectamente, aquele mesmo "Estado islâmico" e o Terrorismo internacional?

Ou, colocando melhor a questão: não será que os nossos cortes nos salários e nas pensões, o nosso empobrecimento colectivo, a nossa perda de direitos sociais, para agradar aos "mercados" , não andará,  directa ou indirectamente,  a financiar o terrorismo de que tanto nos queixamos?

Não esperem que a comunicação social responda a estas ou outras questões, pois aquela que conta, que tem os meios a as informações para uma tal investigação, e que nos controla os gostos e os valores ideológicos e fabrica as opiniões, está toda nas mãos desse mesmo poder financeiro.

Na falta de de uma informação independente para nos responder a essas dúvidas, resta-nos a ironia do mundo dos cartoonistas, que, exactamente por não ser levado a sério, denuncia sem complexos essa situação, como se pode comprovar pela selecção que em baixo deixámos:



























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