sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"Campanha Negra"

Como professor, há quatro anos que, juntamente com os meus colegas, tenho "de enfrentar uma campanha negra e com as técnicas habituais, as técnicas de sempre, as técnicas da deturpação e da insídia, com o intiuto de afectar a minha honra e pôr em causa a minha integridade pessoal".
As palavras em itálico foram pronunciadas ontem por José Socrates, num contexto diferente.
Há quatro anos que este governo lançou uma "campanha negra" contra professores, funcionários públicos, médicos, enfermeiros, sindicalistas...trabalhadores em geral. Por isso o sr. Primeiro Ministro sabe do que fala.
Quanto aos poderes ocultos que diz enfrentar, só se forem os dos seus amigos, "sócios" do Clube Bilderberg !
Em relação ao caso Freeport, continuo na minha... não sei se é ético, mas ... está tudo legal!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Wellington Contra Massena

Algumas das obras mais interessantes sobre a Guerra Peninsular têm sido escritas em Inglaterra. Infelizmente, raramente encontram editores portugueses interessados na sua publicação entre nós.
Contrariando essa tendência, a Gradiva editou recentemente o livro de David Buttery, “Wellington contra Massena – a Terceira Invasão de Portugal – 1810-1811”, obra editada em Londres em 2007.
Apesar de se assumir como uma obra de divulgação, este livro é uma muito boa e bem documentada síntese sobre esse período da nossa história, agora que estamos próximos de iniciarmos as comemorações bicentenárias das Linhas de Torres Vedras.
Podemos dividir a estrutura deste livro em cinco partes distintas.
Numa primeira parte faz a contextualização da Guerra Peninsular , desde os seus antecedentes com o Bloqueio Continental à expulsão de Soult de Portugal em 1809.
Numa segunda parte traça o perfil biográfico, em capítulos distintos, de Wellington e Massena.
Na terceira parte, a mais importante da obra, aborda o período histórico identificado em Portugal como o da IIIª Invasão Francesa, desde a chegada de Massena a Valladolid, em 10 de Maio de 1810, para assumir o comando do chamado “Exército de Portugal”, até à sua destituição por Napoleão, exactamente um ano depois.
Aqui vamos encontrar uma descrição pormenorizada das tácticas seguidas por ambos os lados, das principais batalhas e da importância das Linhas de Torres, sem nunca esquecer os custos humanos, para as populações locais, desse acontecimento.
Se, em relação às Linhas de Torres, o autor pouco acrescenta àquilo que é conhecido por quem estuda este tema, é de realçar o pormenor descritivo dos cercos e das batalhas, onde se revela a especialização do autor na História Militar do século XIX.
Numa quarta parte, refere a evolução política de Massena, após ter caído em desgraça perante Napoleão, o seu regresso à ribalta política, após a derrota do Imperador e a restauração da monarquia e a amizade pessoal que se desenvolveu entre Massena e Wellington, quando se encontraram em Paris, durante um jantar oferecido por Soult, no principio de 1815.
Então, os dois antigos rivais conversaram sobre as Linhas de Torres Vedras, ironizando Massena que Wellington lhe estava a dever um jantar “pois quase me matou à fome”, ao que o irlandês retorquiu, sorrindo, que devia ser o marechal francês a pagar “pois impediu-me de dormir”. Seguiu-se depois uma animada conversa sobre as estratégias de ambos durante a Guerra Peninsular (pp.246 e 247).
A última parte do livro é dedicada a uma descrição da viagem que o autor do livro fez à Península Ibérica, pelos lugares onde decorreram os principais acontecimentos narrados, com indicações preciosas para os viajantes.
Em Torres Vedras visitou o castelo e o forte de S. Vicente, recomendando aos visitantes para deambularem “pelas ruelas que sobem para o castelo” (p. 265).
Na sua visita aos últimos vestígios das linhas, o autor queixa-se de, em Portugal, “ao contrário de muitos países, os locais de interesse histórico nem sempre são adequadamente assinalados – o que é uma pena, dada a abundância de sítios interessantes” (p.266).
O livro inclui ainda uma detalhada cronologia do período, uma interessante documentação iconográfica (mapas, gravuras e fotografias), e uma vasta e completa bibliografia, de origem britânica, sobre estes acontecimentos.
Um livro de leitura obrigatória.

Iconografia Antiga das Linhas de Torres



terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Está Tudo Legal!

Provavelmente o caso “Freeport” vai dar em nada.
Tudo terá sido feito legalmente
Mas é exactamente a situação legal do “Freeport” que é revelador de uma atitude repetida, pelo país fora, das autarquias ao poder central, onde as leis são feitas para beneficiar vários interesses privados em relação àquilo que devia ser o bem público.
As leis, aprovadas em Assembleia da República, parece que são feitas para proteger os negócios de uns poucos. A sua falta de clareza favorece todo o tipo de negociatas, assessoradas por conhecidos gabinetes de advogados.
Casos como os do “Freeport” mostram o valor que o nosso património natural tem para os interesses políticos instalados. Aquilo que se passou com o “Freeport” não é muito diferente daquilo que se passou e vai continuar a passar com a construção de auto-estradas, estádios de futebol, linhas de TGV, aeroportos, barragens, hotéis, bairros urbanos, grandes superfícies industriais e comerciais...houvesse ingleses interessados em investigar!
Qualquer zona natural protegida, monumento nacional ou bem cultural que ameace os negócios de milhões ligados à construção civil ou o sempre discutível “desenvolvimento”, baseado apenas no lucro e nos interesses financeiros imediatos, passou a estar, por iniciativa deste governo, à mercê da célebre lei dos Projectos de Interesse Nacional (PIN).
Já antes, como se viu no caso do “Freeport”, bastava alterar rapidamente as regras que limitavam a construção em zonas ambientais protegidas para que tudo se fizesse no limite da lei.
Aliás, é no limite da lei que se move uma nova geração de políticos, como é o caso de José Sócrates. Os licenciamentos por si assinados no início da sua carreira não violaram a lei, apenas serviram para aferir do seu mau-gosto urbanístico. A licenciatura da Independente também era legal, apenas serviu para perceber o seu ódio aos professores. O caso “Freeport” também se revelará legal, apenas revelará o seu desprezo pelo nosso património, dele e, convém recordar, do então primeiro-ministro Guterres, do então presidente Jorge Sampaio e, sabe-se agora, da Comissão Europeia, que, devidamente alertados, nada fizeram para travar o processo.
Não sei se é ético….mas está tudo legal!

Alcobaça, repouso de Pedro e Inês (Janeiro de 2009)





Alcobaça, repouso de Pedro e Inês (Janeiro de 2009)





Alcobaça, repouso de Pedro e Inês (Janeiro de 2009)




quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Taliban lá...Taliban cá...

Numa região do Paquistão, os taliban, também conhecidos como "estudantes de teologia", resolveram destruir cinco escolas à bomba, porque acham que as raparigas não devem frequentar a escola.
Ao todo, esse método foi já utilizado para "encerrar" 173 escolas, nada que se aproxime da actividade do nosso Ministério da Educação.
A diferença está no método. Por cá, em vez de bombas, usam-se decretos-lei e comentadores de serviço para destruir a escola pública.
O ódio à escola e a quem ensina é o mesmo.
A nossa Ministra confessou ainda hà pouco tempo a sua costela anarquista. Esta, se levada à letra, defende exactamente a política de terra queimada.
Os taliban, daqui a trinta anos, vão andar por aí, engravatados nos partidos "socialista" ou "social-democrata" lá do sítio, tal como aconteceu a muitos dos nossos "ex-taliban" que enchem os partidos do centrão e páginas de jornais, mas que, há trinta anos atrás, defendiam tais políticas de terra queimada.

ZAMORA (sede da cimeira luso-espanhola)



ZAMORA (sede da cimeira luso-espanhola)



ZAMORA (sede da cimeira luso-espanhola)





(...e já agora, caro Zapatero, ensine alguma coisa de socialista ao Sócrates...)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"Bye Bye" Mrs. Bush. "Welcome" presidente Barack Obama

Hoje é o primeiro dia de uma nova esperança.
Finalmente estamos livres do sr. Bush .
O sr. Bush representou um retrocesso civilizacional na história do ocidente e da democracia.
Com o sr. Bush o mundo tornou-se menos seguro e a guerra tornou-se o argumento mais utilizado para “resolver” os seus problemas.
Com o sr. Bush e os seus amigos neo-conservadores e neo-liberais, o mundo assistiu, na primeira década deste século, a um retrocesso cultural e social nunca visto anteriormente, numa tentativa de nos fazer regressar às premissas do século XIX.
Com o sr. Bush a vida dos não-americanos passou a ter um valor inferior, a tortura e o assassinato tornaram-se lei.
Com o sr. Bush, eleito em eleições fraudulentas, a democracia foi ridicularizada.
Com o sr. Bush, o mundo encontra-se á beira da catástrofe ambiental e económica.
O sr. Bush, ao recusar assinar o tratado de Quioto, vários tratados contra a proliferação de vários tipos de armamento, ao não reconhecer o Tribunal Penal Internacional, ao marginalizar a Onu, ao violar a Convenção de Genebra, tornou-se no dirigente de um país fora da lei.
À sombra do sr. Bush, uns pelo neo-conservadorismo, outros pelo neo-liberalismo, floriram figurinhas e figurões como o sr. Blair, o sr. Barroso, o sr. Aznar, o sr. Berlusconi , o sr. Sócrates ou o sr. Olmert.
A incompetência do sr. Bush abriu as portas para a afirmação de figurinhas e figurões que completam a outra face da moeda bushista, como o sr. Bin Laden, o sr.Putin, o sr. Eduardo dos Santos, o sr. Chavez, o Hamas, o regime iraniano ou o regime chinês.
O presidente Barack Obama representa a última esperança de afirmação dos valores ocidentais da democracia, da tolerância e da igualdade.
Tem pela frente a tarefa gigantesca, cheia de armadilhas deixadas pelo seu antecessor, de repor o respeito universal pelos Direitos Humanos, pela democracia plena, pela tolerância na relação entre os povos e por mais justiça social.
O presidente Obama vai ser fortemente pressionados pelos verdadeiros interesses instalados, por aqueles que temem perder protagonismo e pela necessidade de resolver rapidamente a actual crise económica e ambiental.
Claro que depositar todas as esperanças num único homem é um erro. Todos nós temos de o ajudar nessa tarefa que o é também da humanidade, começando logo por não nos deixarmos enganar por aqueles que, sempre tão prestáveis em aplicar as políticas económicas, sociais e/ou culturais do sr. Bush, se confessam actualmente grandes fãs de Obama, a começar pelos nossos “socialistas” ou pelo sr. Barroso e pelo sr. Blair na Europa.
Uma das grandes tarefas do novo presidente será enfrentar a crise económica, apostando num novo modelo, mais social e mais humano.
Outra das tarefas será a de enfrentar o grande desafio ambiental com que o mundo se debate, apostando num novo modelo energético.
Mas, acima de tudo, cabe-lhe a responsabilidade de recuperar e reformar o papel das Nações Unidas como centro de resolução dos grandes conflitos internacionais.
Se conseguir iniciar a abordagem dessas três grandes tarefas, já valeu a pena toda a esperança depositada na sua eleição.
Boa Sorte presidente Obama

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Cem Anos de Publicidade Portuguesa - 1






Iniciamos hoje a divulgação de vários anúncios publicitários do princípio do século XX, publicados nas páginas da "Ilustração Portuguesa" ao longo do ano de 1909.
A ingenuidade desses primeiros anúncios contrasta com os tempos actuais, onde a publicidade até invade domínios que deviam estar reservados à seriedade, como o da política.
Ainda ontem tivemos mais uma sessão de pura propaganda política à Goobels,dirigida por esse mestre da publicidade que dá pelo nome de José Socrates...

A Fábula de Bush


Neste último dia da era Bush, recordo aqui uma das mais interessantes obras de Banda Desenhada publicadas recentemente.
Refiro-me á “Fábula de Bagdad”, da autoria do escritor californiano Brian K. Vaughan e do desenhador quebequiano Niko Henrichon.
Esta obra, editada entre nós pela BDMania, em Dezembro de 2007,apenas um ano depois da sua edição original norte-americana, baseia-se num acontecimento verídico, acontecido em Abril de 2003 quando, na sequência dos bombardeamentos norte-americanos a Bagdad, se deu a fuga de um bando de leões do zoo daquela cidade martirizada.
A história desenrola-se num ambiente de autêntico pavor provocado por um clima de guerra total.
O grupo de leões encontra a sua libertação graça à destruição das grades das suas jaulas e dos muros do zoo, destruídos pelos bombardeamentos norte-americanos, percorrendo as ruas destruídas de Bagdad, num cenário de autêntico pesadelo.
Paradoxalmente acabam todos mortos por soldados americanos.
A “Fábula de Bagdad” questiona a legitimidade de impor a liberdade pela força das armas, revelando toda a inutilidade da guerra.
Uma obra a ler ou reler, neste dia que marca o fim de uma das épocas históricas mais pavorosas do mundo ocidental.
Uma verdadeira “Fábula da Era Bush”.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Eu também sou israelo-palestiniano!


Em mais de meio século que levo de vida, foram muitos os acontecimentos e as mudanças. Houve contudo três situações que ainda não mudaram: o reinado de Isabel II, o regime castrista de Cuba e o conflito Israelo-palestiniano.
É sobre este último que gostava de tecer algumas considerações.
Nasci a ouvir falar no Holocausto, assunto quase tabu no regime salazarista, mas muito presente entre os opositores ao regime, como era o caso do meu pai.
Inicialmente, a existência de Israel foi vista como um direito que um povo perseguido ao longo da história (em Portugal queimavam-se judeus há pouco mais de dois séculos) ter a uma terra onde vivesse em paz.
As grandes conquistas de Israel, conseguindo tornar-se num dos países mais desenvolvidos no meio de um território quase desértico, eram vistas cá por casa como grandes avanços da humanidade.
Ainda me recordo do orgulho com que exibia as minhas caricas (tampas de garrafa) israelitas que uma tia-avó minha tinha trazido de uma sua viagem a Jerusalém.
Contudo, como em todas as imagens idílicas que se constroem de países, regimes ou ideologias, na década de 60 a imagem que tínhamos de Israel esboroou-se.
Descobriu-se que aquele Estado tinha sido construído lançando os palestinianos na miséria, roubando-lhes a terra e, em muitos casos, a vida.
E aqui a história começa a complicar-se, recordando-nos aquela máxima de Bertolt Brecht : ao rio que tudo arrasta, chamamos violento, mas ninguém acusa a violência das margens que o comprimem.
A revolta palestiniana transformou-se, em muitos casos, em puro terrorismo. Mas o ocidente, apressando-se a condenar (e bem) tais actos esquecia-se frequentemente de dois factos: foram os Israelitas os primeiros a recorrer ao terrorismo, no início da sua formação, contra as tropas britânicas e os palestinianos; os sucessivos governos de Israel recorriam, com muita frequência, ao terrorismo de Estado, tão ilegítimo como o outro.
Aos longo dos anos foram dezenas as resoluções da ONU nunca cumpridas pelo estado de Israel.
Nos últimos anos a situação agravou-se com a chegada ao poder, nos Estados Unidos, do irresponsável Bush, com o assassinato, por um radical judeu, de Isac Rabin, e com a morte de Arafat (que poucos anos antes tinha escapado ileso à tentativa de assassinato por parte dos Israelitas).
Por sua vez, a corrupção que minou a autoridade palestiniana fez entrar em cena um novo actor, o Hamas, organização fundamentalista, cujo crescimento se deve, em grande parte, ao apoio que os próprios Israelitas lhe deram nos anos 80, com a intenção de minar a influência da OLP.
Neste momento o horror da guerra volta a manchar as terras da Palestina, confrontando-se dois bandos de malfeitores, o actual governo de Israel e o Hamas. Discutir quem começou esta nova escalada é o mesmo que discutir quem apareceu primeiro, se o ovo ou a galinha.
O que não há duvida é que a resposta israelita em Gaza é desproporcionada à realidade e não passa de uma tentativa cínica de aproveitar os últimos dias da presidência Bush, conivente com a situação, naquele que é considerado por alguns analistas como o último crime de Bush.
O que é triste de ver é o exército israelita imitar mais uma vez as velhas tácticas dos exércitos nazis. Ao ver a situação e o cerco a Gaza, só me ocorre o massacre nazi no ghetto de Varsóvia.
O que é triste de ver é o cinismo assassino e desumano do exército Israelita lançando panfletos sobre a Faixa de Gaza, “avisando” as populações da intensificação dos bombardeamentos, população essa que não tem qualquer hipótese de fuga.
O que é triste de ver é alguns cronistas locais, a propósito da hipotética falsidade de fotografias e filmes sobre o sofrimento dos civis palestinianos, querer, com isso, desvalorizar a realidade, como que justificando o real sofrimento das populações civis palestinianas.
O que é triste é ver mais uma vez a inutilidade da diplomacia europeia face a tudo isto.
A posição correcta neste conflito não é apoiar o Hamas ou o Governo israelita, pois ambos fazem parte do problema, são as duas faces da mesma moeda. A posição correcta é condenar a barbárie dos dois bandos e defender o renascimento da ONU na resolução deste problema.
A posição correcta é apoiar as ainda raras vozes que, do lado palestiniano e do lado israelita, clamam por uma solução de paz e tolerância para aquela região e pelo direito de aqueles dois povos poderem viver em paz.
Parafraseando uma célebre máxima, também eu sou um cidadão israelo-palestiniano.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Centenários 2 - Brighton, Grã-Bretanha, em 1909

Na sua primeira edição de 1909, de 4 de Janeiro, publicava a Ilustração Portuguesa uma interessante reportagem, da autoria de A. Ferreira d’Almeida Carvalho, sobre a praia britânica de Brighton, acompanhada de varias imagens que reproduzimos abaixo.
Brighton era a praia dos londrinos e a preferida do rei Eduardo VII.
Para aquele repórter, Brighton era “uma cidade lindíssima”, sem “uma única fábrica, esse terrível inimigo dos pulmões débeis”, cercada de “parques frondosos”, com uma avenida marginal de vários quilómetros, onde se situavam “em Linha harmónica elegantíssima, os principais edifícios” e os “hotéis mais importantes”.
As suas areias eram de “seixos e não de areia fina como as nossas”.
A cidade prolongava-se para oriente, “ao longo da estrada que conduz a Black-Rock”, baptizada de “Madeira Road”, numa homenagem à ilha portuguesa, “tão querida dos ingleses e estação obrigatória no seu caminho para as colónias sul-africanas”.
Brighton era o destino chique dos londrinos, que aproveitavam os domingos para aí passar o dia, “tomando o almoço e o chá das cinco, podendo partir para jantar em casa, à hora em que a cidade se transforma numa brilhante faixa de luz à beira mar”.
Nesta estância encontravam os londrinos “as mesmas diversões de Londres, os concertos ao ar livre, todo o género de sport e até mesmo pregadores de Hyde-Park e os incansáveis pedintes com discursos e canções “.
As duas cidades estavam ligadas por caminho-de-ferro, num trajecto que demorava duas horas.
Para o nosso articulista, Brighton podia servir de exemplo para o “Monte Estoril” ou a “Figueira da Foz”, Nazaré, Cascais ou a Praia da Rocha. Desenvolver turisticamente estas praias podia “ser produtivo para a nação se soubéssemos tirar partido do nosso sol, céu e clima”, concluindo que “Portugal tem aquilo que no estrangeiro falta”, mas falta-lhe “apenas o que lá sobra – a actividade”.

Centenários 2 - Brighton, Grã-Bretanha, em 1909

A praia de Brighton, junto ao cais de desembarque

Um "music-hall" improvisado na praia de Brighton

Os seixos da praia de Brighton

Brighton - pavimentos de esplanadas junto ao Hotel Metrópole
Casas de Brighton, junto a "Madeira Road"