Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
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terça-feira, 11 de setembro de 2018
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
CP : “crime” ou “desastre”?
O descalabro do transporte ferroviário em Portugal foi um dos temas em
destaque este verão.
Que alguns só agora tenham acordado para o tema, não é mera
coincidência.
Uns procuram esconder as suas responsabilidades politicas no desastre
(como os cavaquistas e o CDS, com “agentes” seus nas sucessivas administrações
da “coisa”).Outros, ao serviço do poder financeiro, como acontece com muitos
jornalistas e comentadores, só agora se lembraram de uma triste realidade,
que vem de longe.
Com raras e honrosas excepções (como a do jornalista do Público Carlos
Cipriano que há longos anos denuncia a situação), esta é a sua forma de prestar
o seu “servicinho” para justificar a anunciada privatização dos serviços
ligados à CP.
Pode ser que ganhem um lugar de
assessores de comunicação numa das “futuras” empresas privadas que se acotovelam
para tomar de assalto a gestão dos transportes ferroviários (ficando o lucro para eles e os custos para os contribuintes e utentes, como tem sido prática nesta coisa das privatizações...).
O “crime” e o “desastre” da CP não é de agora. Vem de muito longe.
Pessoalmente, fui durante muitos anos utente regular da CP na linha do
Oeste.
Ainda sou do tempo dos horários regulares e dos intercidades, que nos
punham, aqui de Torres Vedras, a cerca de 1 hora do centro de Lisboa, quando a maior parte dos comboios
terminavam o seu percurso no Rossio (hoje, com autoestrada e de automóvel,
raramente alguém consegue chegar ao Rossio uma hora depois de sair de Torres,
sem esquecer os gastos com portagens, gasolina e estacionamento…).
Fui assistindo, ao longo do tempo, à longa agonia da linha do Oeste e
dos transportes ferroviários em geral, situação que se acentuou com a entrada
de “fundos europeus” em barda e das autoestradas cavaquistas.
Ao mesmo tempo a empresa foi sendo dividida às fatias, criando-se várias empresas, uma para o transporte de passageiros, outra para a manutenção das linhas, outa para o transporte de mercadorias, etc, etc...Apenas se beneficiou o aumento de lugares nas administrações para os vários "boys"...
Resisti quase até à ultima, mas o fim das ligações directas com o
centro de Lisboa, a redução do número de combóis em circulação e os horários
cada vez mais absurdos, acabaram por me “empurrar” para a carta de condução,
que tirei já depois dos 40 anos.
Toda a estratégia cavaquista de desinvestir nos transportes públicos
visou apenas beneficiar os patrões de Paris e Berlim, os únicos a beneficiar
pelo facto de terem quase o monopólio da industria automóvel na Europa. Outro
dos grandes beneficiados foi o sector petrolífero, hoje cada vez mais enredado
nos mais obscuros negócios financeiros e centro de emprego para ex-governantes.
Muito do nosso deficit e da nossa divida tem origem nessa opção.
Tudo isto, claro, em nome de uma pretensa “modernização” do país. Ainda
me lembro da argumentação de comentadores, políticos e economistas: o “comboio”
era coisa do passado, de países subdesenvolvidos.
Muitos portugueses engoliram essa retórica. Eu próprio quase acreditei
nessa mentira e só percebi o logro quando comecei a viajar mais vezes para fora
do país, inclusive no “centro” da Europa.
Aí descobri que o comboio é um meio
de transporte muito popular, pelo preço, pelo conforto, pela rapidez, pela
frequência e pelos horários, com ligações para quase todo o lado.
Hoje começa a ser evidente, até pelas razões ambientais, que o
transporte automóvel, pelo menos como o conhecemos, está condenado a prazo.
Por outro lado, estamos também a perder o “comboio” do TGV, que neste
momento se torna um concorrente sério à aviação, outro meio de transporte
condenado a prazo, também por razões ambientais e até pelo aumento de tempo que
se perde nos aeroportos e nas ligações.
Claro que o país não precisava de tanto TGV como se chegou a aventar.
Bastava uma boa ligação de TGV entre Lisboa/Sines e Badajoz e entre o Porto e
Vigo, melhorando os serviços do alfa pendular entre Lisboa e Porto.
É inconcebível que, tal como há 50 anos, a ligação ferroviária entre
Lisboa e Madrid e Lisboa e Paris tenha o mesmo horário e se faça à mesma
velocidade.
A aposta até teria custos reduzidos, já que era possível aproveitas o
trabalho feito pelos homens do século XIX, que construíram as vias existentes ,
sendo possível, com as tecnologias de hoje, recupera-las rapidamente. E já agora,
até podiam recuperar a industria de construção ferroviária (já tivemos
industria que fabricava carruagens e maquinas de comboios, tudo destruído na
voragem cavaquista…).
Para as mentalidade “ahistóricas”, e “presentistas” que dominam os nosso
economistas, os nossos políticos e os nossos jornalistas, não me parece que
seja credível que, de uma vez por todas, apostem forte no investimento nos transporte públicos, e, em
especial, nos transportes ferroviários.
Assim, o “crime” e o “desastre” está cada vez mais à vista com a privatização da CP,
mais uma negociata para alguns, com custos a prazo para todos nós e para os
nossos filhos!
Esperemos que o que resta de "cidadania" não se tenha esgotado nos "futebois" e ainda se tenha força para travar o desastre, obrigando a que se aposte, de forma séria, no transporte ferroviário.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2018
O “Caso” Joana Marques Vidal
Anda por aí grande agitação nos meios políticos e na
comunicação social sobre o fim do primeiro mandato de 6 anos da Procuradora
Geral da República.
Toda a direita, à falta de propostas para o país, faz da
recondução ou não da magistrada um caso a explorar politicamente, tal como o tinha
feito com a tragédia dos incêndios.
O argumento é a e a forma como a magistrada enfrentou os “poderosos”
e a sua “independência” face aos mesmos.
Objectivamente ninguém pode negar a competência da Drª Joana
Marques Vidal como Procuradora Geral da República.
Em comparação com os dois procuradores que a antecederam,
Souto Moura e Pinto Monteiro, ela, de facto, fez a diferença.
É verdade que não existe limite legal para a renovação do
mandato de 6 anos. Cunha Rodrigues exerceu o mandato durante 16 anos.
É verdade que foi no seu mandato que avançaram os processos “Operação
Marquês”, envolvendo um ex-primeiro ministro, José Sócrates, e várias figuras
de destaque no mundo empresarial e financeiro, “Monte Branco”, envolvendo
Ricardo Salgado e “Visto Gold”, envolvendo Miguel Macedo, ministro de Passos
Coelho.
Mas não é verdade que antes dela não se tivessem iniciado e
desenvolvido processo contra “poderosos”.
Entre muitos outros: “Caso
Portucale”, envolvendo figuras do governo de Santa Lopes, processo julgado em
2010; “Caso Face Oculta”, envolvendo Armando Vara, entre outros, com julgamento
iniciado em 2011 e com leitura de sentença em 2014;“Caso BPN”, envolvendo o
núcleo duro do cavaquismo, iniciado em 2011 e julgado já neste mandato, em 2017.
Há até uma comparação que se pode fazer entre o “antes” e o “depois”
de Joana Marques Vidal, que tem sido o arrastamento dos processos iniciados no
seu mandato, as constantes fugas de informação que enchem manchetes na
comunicação social, sendo mais rápido o julgamento público que o julgamento em
tribunal.
É um facto que até agora ainda não foi condenado um dos
únicos “poderosos” afrontados por Joana
Vidal, a não ser na praça pública, naquele que é um bom serviço prestado ao “populismo”
nacional.
Por último, ainda não se ouviu a opinião da própria sobre a
sua recondução, conhecendo-se apenas o que ela escreveu em 2013 e repetiu em2016, defendendo que o Procurador Geral da República apenas devia exercer um
mandato porque a “passagem dos anos retira-nos a
capacidade de distanciamento e de autocrítica relativamente à acção que vamos
desenvolvendo” (sic).
Pela minha parte, como cidadão, pesando prós e contras, Joana Marques Vidal, se o quiser, deve renovar o seu mandato, mas se não for renovado, não virá nenhum mal ao mundo...
O resto “é só fumaça”!
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quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Os Cães, os gatos e…os neoliberais
Substituam as palavras “cão”, “gato” ou “animal” por “judeu”, “negro”,
“velho”. “doente” , “deficiente” e “criminoso”, e depois raleiem o artigos de JoãoMiguel Tavares (JMT) publicado no passado Sábado 1 de Setembro no jornal“Público”.
Pelo menos, a ver pelos comentários em defesa do artigo de JMT, que raiam, a maior parte, a intolerância, o fundamentalismo, a ignorância e o total desrespeito pelo direito à vida de animais saudáveis, com o estafado argumento neoliberal dos "custos", o artigo legitimou essa argumentação.
Pelo menos, a ver pelos comentários em defesa do artigo de JMT, que raiam, a maior parte, a intolerância, o fundamentalismo, a ignorância e o total desrespeito pelo direito à vida de animais saudáveis, com o estafado argumento neoliberal dos "custos", o artigo legitimou essa argumentação.
A comparação só é absurda para quem não vive próximos de cães e gatos e/ou
acha que os humanos tem todos os direitos sobre o planeta (levem o artigo ao
Trump e aí está um tema explorar por este, nos seus Twiters ,para reforçar e
legitimar os seus argumentos em defesa das suas politicas contra a natureza e o
ambiente…).
Quando se misturam os preconceitos financeiros dos neoliberais com o
desrespeito pelos outros seres vivos temos a última crónica de JMT…
Vindo de quem vem não me espanta o “argumentário” de JMT. Sendo o mais
brilhante e credível defensor do neoliberalismo na nossa imprensa, tudo não
passa de aritmética.
Para os neoliberais somos todos um número no meio dos “mercados”. Sendo
assim porque é que os animais devem escapar a essa lógica?
Defender a eutanásia, "mesmo" quando falamos de cães e gatos, como forma de controle demográfico ou de redução de custos, aplicando-a, não a animais doentes ou em sofrimento, mas a tudo o que apareça pela frente, parece-me um primeiro caminho para legitimar os maus tratos e o desrespeito pela vida animal.
Defender a eutanásia, "mesmo" quando falamos de cães e gatos, como forma de controle demográfico ou de redução de custos, aplicando-a, não a animais doentes ou em sofrimento, mas a tudo o que apareça pela frente, parece-me um primeiro caminho para legitimar os maus tratos e o desrespeito pela vida animal.
Ao ler alguns dos comentários legitimados pela crónica de JMT,
lembrei-me de uma história que ouvi há muitos anos, embora nunca a tenha
conseguido confirmar:
Conta-se que aos jovens que ingressavam na Juventude Hitleriana
era-lhes entregue um cão ainda jovem e que os membros daquela organização nazi
tinham de tratar do animal durante uns anos. Quando chegavam a um patamar da
sua “formação”, os jovens recebiam uma pistola e, como prova da sua fidelidade
a Hitler e para “reforçar o carácter” tinham de abater o cão ao qual se tinham
afeiçoado. Se ultrapassassem a prova estavam em condições para matar qualquer
pessoa.
De facto, quem começa por maltratar ou “desumanizar” animais, acaba por
maltratar seres humanos…
Mas, agora a sério, voltando ao tema.
Existem muitas medidas que podem evitar a proliferação de gatos e cães
vadios, antes de estes irem parar a
canis:
- Proibir a importação e a venda de cães e gatos, bem como a sua
criação, enquanto houver um cão ou um gato no canil (com algumas excepções:
espécies portuguesas, animais para caça, animais para guiar cegos, para serviço
de polícia, busca e salvamento …);
- Penalizar com taxas pesadas quem não cumpre as leis sobre obrigação
de esterilizar ou chipar os animais domésticos e sobre maus tratos e abandono;
- Facilitar a vida a quem cumpre, nos transportes públicos, nos jardins
e nas esplanadas e penalizar quem não cumpre;
- Facilitar o aluguer de casas a quem tem animais de estimação;
- Esterilizar todos os animais encontrados e abandonados e, sempre que
possível e sempre que isso não cause problemas de saúde ou outros, devolver à
rua esses animais, que acabam por ser adoptados por “vizinhos” ou, nos casos
dos gatos, até podem contribuir para combater pragas;
- Criar um espaço para dez a vinte animais em cada freguesia do país,
entregando-se o excesso a canis municipais e a associações de protecção de
animais que possuam canis;
Nos canis só devem ficar casos mesmos extremos de dependência ou
necessidade e, em casos extremos, sim, os animais têm de ser abatidos.
Vão ver que algumas dessas medidas até não têm muitos custos e,
tomadas, podem reduzir o “problema”.
Percebo que tomar medidas “proibicionistas” ou “regularizar” situações
não seja do agrado dos neoliberais, que só respeitam a lei do “mercado”.
Mas tudo o resto é retórica, má fé, falta de respeito e de educação
cívica de gente mal formada e incivilizada (Diz-me com tratas os animais e
direi como tratas as pessoas e qual é teu nível de civilização!!!).
Tive um cão que viveu comigo quase até fazer 19 anos e fui busca-lo a
um canil, tenho, há cinco anos, duas cadelas que também fui buscar ao canil.
Não venham dizer que os animais, em especial os cães, não têm sentimentos, não
sofrem ou não temem a morte…
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