quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Pagar a "fragilidade" da Banca fragilizando trabalhadores e pensionistas?

Para grande espanto meu (ou talvez não!!!?) ouvi esta manhã uma conhecida comentadora residente da comunicação social de "referência", jornalista destacada num jornal económico financiado pela banca e pelo sector financeiro, defender esta mesma banca da intenção do governo, através do orçamento de Estado, em fazer o sector pagar parte da austeridade exigida pelos burocratas de Bruxelas (a mesma "Bruxelas", que impôs a negociata do Banif, em benefício do Santander sem se preocupar com o facto de os contribuintes portugueses terem de pagar mais de dois mil milhões pela negociata, mas está muito preocupada com a diferença de 500 milhões no orçamento.....!!!!).

O principal argumento dessa conhecida comentadora, defensora da austeridade, em defesa da banca é o de que esta está"fragilizada"!!!!

Até hoje, que me lembre, nunca ouvi essa comentadora, ou outros da sua corrente, preocupar-se com a fragilidade daqueles que viram os seus salários ou pensões cortados, com aqueles que perderam o seu posto de trabalho, ou o viram reduzido à precaridade mal paga ou com aqueles que empobreceram drásticamente,  tudo em nome do modelo "austeritário", por ela regularmente defendido, que foi aplicado para "salvar" o seu querido sector bancário.

Falar da "fragilidade" do sector bancário parece-me algo exagerado. Apesar da "crise" (uma crise inventada para destruir direitos sociais e reduzir o rendimento do trabalho), a banca tem continuado a ser dos poucos sectores que regista lucros fabulosos, que garante aos seus accionistas rendimentos especulativos fabulosos, paga salários escandalosamente altos aos seus gestores de topo  e garante as maiores reformas, que conseguiu recentemente que passassem a ser pagas pelo Estado ( a maior parte destes reformados de luxo engrossam o grupo de 7 mil e quinhentos pensionistas que recebem mais de 5 mil euros mensais, custando, na sua totalidade, mais de 500 milhões de euros anuais ao Estado, a mesma quantia que Bruxelas exige que seja garantido no orçamento deste ano à custa de mais austeridade...!!!!).

E quando de facto algo corre mal à banca, como aconteceu com o BPN, BPP, BES e BANIF, cá estão os contribuintes e o "Estado" ( que eles tanto abominam) para pagar a factura das suas "fragilidades", mesmo que para isso se tenha de fragilizar ainda mais a vida dos cidadãos à custa do recurso a mais austeridade.

Ou seja, para essa comentadora, para não se "penalizar" ainda mais o "frágil" sector bancário, a alternativa passará, provavelmente,  por mais cortes nos salários, nas pensões e nos direitos sociais.

Neste caso já não lhe interessa nem preocupa a "fragilidade" dos cidadãos face às criminosas medidas de austeridade impostas por "Bruxelas"!!! 

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