terça-feira, 14 de maio de 2013

"Estudos" à OCDE...um relatório à medida de Passos Coelho.




Cada vez desconfio mais da objectividade e das “boas intenções” de estudos de organizações como a OCDE.
Esses estudos, para além de revelarem um conhecimento parcial das “realidades” ou dos países que “estudam”, parecem basear-se em dados parciais e manipulados, muitas vezes aqueles que os próprios governos lhes fornecem.

Aliás, é significativo que o "estudo" agora publicado tenha sido hoje apresentado com o próprio interessado nas suas conclusões, Passos Coelho, sentado na mesa da conferência de apresentação, situação reveladora da "independência" desse relatório.
 
Para além disso, esses estudos revelam quase sempre um forte preconceito contra trabalhadores, sindicatos, direitos sociais, e uma grande parcimónia para com especuladores financeiros, lucros do grande capital, muitos deles de origem duvidosa, ou para com os  paraísos fiscais e a corrupção fiscal. 
Aliás, o modelo que essas instituições, às quais podemos juntar um FMI, um BCE ou uma Comissão Europeia, parecem defender como modelo de “desenvolvimento”, pelo menos para o sul da Europa, é o modelo de trabalho e condições sociais e salariais de um Bangladesh ou de uma China.   
Mas nada disso é de admirar se tivermos em conta que os burocratas, que são contratados para essas instituições, todos eles muito bem pagos e sem contacto com a realidade dos cidadãos europeus,  passam pelo crivo da ideologia neoliberal dominante em universidades de economia de onde saem esses quadros, com uma visão formatada da sociedade, do mundo do trabalho, do mundo empresarial e financeiro.

Quem pensar fora da lógica do sistema neoliberal nunca encontrará emprego nessas instituições.
 
Não é por isso de admirar a coincidência entre os estudos dessas instituições e a as opiniões políticas dominantes na União Europeia.

 Sobre o assunto merece alguma atenção a audição da crónica de hoje de Nicolau Santos, as Contas do Dia,  na Antena 1: