domingo, 8 de Novembro de 2009

HUMBERTO LUÍS RIVAS (1937-2009)



Faleceu ontem o fotógrafo argentino Humberto Luís Rivas.

Nascido em 1937, Rivas radicou-se em Barcelona em 1976, cidade que se preparava para entregar amanhã a Medalha de Ouro de Mérito Artístico ao fotógrafo argentino.
Nas suas fotografias procurava captara as qualidades interiores dos retratados, sendo conhecido como o “fotógrafo do silêncio”.


















Ao longo da sua vida foi várias vezes premiado, destacando-se o Prémio das Artes Plásticas da Cidade deBarcelona, atribuído em 1996, ou o Prémio Nacional de Fotografia de Espanha, em 1997.
A sua obra está presente em várias colecções, como a da “Fundación Cultural Televisa”, no México, a do Museu de Arte Contemporânea do Mar da Prata, na Argentina, na do “Los Angeles Country Museum of Art” e na do Museu de Fotografia Contemporânea de Chicago. Também nos fundos da Biblioteca Nacional de París e da “Fundación de La Caixa”, em Barcelona, se encontram várias obras suas.

















MURO DE BERLIM - Mudanças no urbanismo em 20 anos





A revista Der Spiegel divulgou um conjunto de fotografias, onde se comparam as diferenças urbanísticas registadas nestes último vinte anos nalguns dos lugares mais marcados por esse acontecimento. Registamos aqui esse "antes e depois" do fim do muro:




















































sábado, 7 de Novembro de 2009

Robert Frank- entre o Estoril e Nova Iorque, entre o Cinema e a Fotografia


A dois dias de completar 85 anos, o fotógrafo suíço Robert Frank vai estar presente esta tarde no Estoril Film Festiva, não para falar de fotografia, mas da sua faceta como cineasta documental, iniciada nos anos 60.

Nascido em Zurique em 1924, Robert Frank iniciou-se com fotógrafo de moda e publicidade em várias revistas norte-americanas, país para onde emigrou em 1949.
Mas foi a sua faceta como fotógrafo documental que o tornou famoso, quando, em 1955, com uma bolsa da Fundação Solomon Guggenheim, a primeira atribuída a um europeu, percorreu os Estados Unido de lés-a-lés.
Dessa viagem pela América resultaram mais de 24 mil negativos, dos quais seleccionou os melhores 83 para a edição da sua obra fundamental “The Americans”, publicada nos Estados Unidos em 1959, contando com um prefácio de Jack Kerouac.
O modo como fotografou os dois lados da América do Norte, foi alvo de perseguição política por parte dos sectores mais conservadores, em pleno período do macarthismo que o consideraram "anti-americano".
Para comemorar o 50º aniversário da publicação dessa obra, o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque tem patente ao público uma exposição, inaugurada em Setembro último e que vais estar aberta até ao próximo dia 3 de Janeiro de 2010, dedicada a Robert Frank e àquele trabalho.
Hoje no Estoril pelas 17 horas, pode-se ver um filme desse fotógrafo-cineasta, seguindo-se uma oportunidade única de se dialogar com Robert Frank (no programam oficial do festival, a sua presença estava ainda por confirmar).

Em relação à sua exposição novaiorquina, podem apreciar aqui algumas das sua obras fotográficas:


















sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Descoberta casual de uma curta-metragem de Charles Chaplin


(Charles Chapin durante as filmagens de Tempos Modernos)


Segundo foi hoje anunciado pela agência EFE, um internauta britânico terá descoberto casualmente uma nova película de Chaplin.
Tudo aconteceu quando Morace Park, um habitante da cidade inglesa de Henman, ao comprar na eBay uma velha lata de guardar filmes por pouco mais de três euros, ao recebê-la descobriu no seu interior uma película.
A Película, intitulada “Charles Chaplin in Zepped”, mostra imagens do dirigível Zeppelin sobrevoando a Inglaterra durante a Primeira Guerra, aparecendo Chaplin a expressar o seu desejo de voltar a Inglaterra para apoiar os seus soldados.
Trata-se de um ensaio, feito em 1916, para um filme de apoio ao esforço britânico na Grande Guerra (1914-1918).
Um amigo de Park, John Dwyer, antigo membro do Conselho Britânico de Classificação Cinematográfica convenceu o actual proprietário da película a realizar um documentário sobre o achado, que já está a ser filmado e que se intitulará “The Lost Film Project”.

Evocando Sophia, no 90º aniversário do seu nascimento



Se fosse viva, Sophia de Melo Breyner Andresen completaria hoje 90 anos.

A sua poesia, mas também a prosa, revelaram sempre uma enorme sensibilidade e humanismo.
Criativa e interventiva, a sua poesia tornou-se intemporal.
Aquela que foi a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões, e a quem José Saramago dedicou o seu Prémio Nobel, ao considerar que ela era o único escritor português que teria merecido esse prémio, falecida apenas há cinco anos (em 2 de Julho de 2004), continua actual e inspiradora, como se pode ler no seu poema que escolhemos para evocar esta data:


"AS PESSOAS SENSÍVEIS


As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas


O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo


Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra


"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."


Ó vendilhões do templo
Ó constructores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito


Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem".

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Os U2 comemoraram hoje queda do muro



A banda irlandesa realizou hoje um concerto em Berlim, comemorativo da queda do muro de Berlim, cujo 20º aniversário de comemora na próxima segunda-feira.
As fotografias que se reproduzem foram divulgadas, no início da noite de hoje no EL Mundo e são da Agência Reuters.










O Rei Édipo, INGRES e BACON em Lisboa


O Regresso de Moebius



Se alguém passar hoje “ali” por Madrid, talvez tenha uma excelente oportunidade de conhecer pessoalmente Moebius.

É que ele vai estar hoje na FNAC/CALLAO pelas 19 horas para apresentara a sua nova obra, “Inside Moebius”, considerada a mais pessoal do autor, nela realizando uma viagem interior dos seus altares ego e das suas personagens mais famosas como Blueberry ou Arzak.
Moebius, aliás Jean Giraud, é um dos maiores nomes da Banda Desenhada franco-belga, autor do “Western” Blueberry ou da série “Incal”.
A presença de Giraud é o ponto alto de uma série de iniciativas da FNAC madrilena dedicadas à banda desenhada, a realizar até ao próximo dia 3 de Dezembro.
Se não chegar hoje a tempo a Madrid, ponha-se a caminho que ele vai estar amanhã, também pelas 19 horas (hora de Espanha, é bom não esquecer…) em Barcelona, na FNAC/Triangle.
Se for como eu, e estiver a trabalhar, fique a aguardar pela edição portuguesa dessa nova obra de Moebius.

A Assembleia da República, antes de ser republicana e quando já era "Nacional".





No dia em que o 18º governo Constitucional se apresenta perante a Assembleia da República, recordamos aqui duas vistas antigas desse edifício.
O primeiro postal data de 1894, era então o Parlamanto da Monarquia, o segundo é dos anos 30, era então a Assembleia Nacional, democráticamente pouco recomendável.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Evocando o legado de Claude Lévi-Strauss



Foi ontem divulgada a notícia da morte de Lévi-Strauss, ocorrida no passado Domingo.

Estava à beira de completar 101 anos de idade no próximo dia 28 de Novembro.
O pós-modernismo e a fusão das ideologias neo-liberal (na economia) e neo-conservadora (na cultura), dominantes na viragem do século XX para o século XXI, contribuíram para fazer cair no esquecimento muitos dos ensinamentos dessa figura ímpar do conhecimento do século XX.
Tornou-se especialmente conhecido pela sua obra Tristes Trópicos, onde descreve a vida dos índios da Amazónia.
Foi um crítico feroz do racismo, do etnocentrismo e do eurocentrismo, combate resumido no seu livro “Raça e História”.
Mentor do chamado Estruturalismo, propondo uma investigação e um método de trabalho que permitiam compreender o que é que fazia realmente sentido e o que é que era realmente marcante na área das ciências sociais, foi um dos responsáveis por um dos período intelectualmente mais ricos, representado na historiografia por Emmanuel Wallennstein e Fernand Braudel, ou pelo “nosso” Vitorino Magalhães Godinho.
Quando se deu a falência do leste europeu muitos procuraram rapidamente desvalorizar o estruturalismo, devido à sua base marxista.

Com raras e honrosas excepções, a ignorância e o preconceito cultural passaram a dominar os estudos históricos e sociólógicos, valorizando-se em demasia o efémero, o conjuntural , o factual, nivelando-se por baixo o que realmente era essencial, inovador e marcante no conhecimento, num relativismo que está a ter reflexos desastrosos no ensino, na política e na economia.
Por sua vez, se é politicamente correcto ser-se contra o racismo, já o etnocentrismo e o eurocentrismo, denunciados por Lévi-Strauss, voltaram em força nos últimos anos.
Basta ver a forma como são dadas certas notícias na comunicação social, como falam os políticos ocidentais ou como politólogos, economistas e sociólogos comentam a realidade. O valor da vida de um Europeu ou de um Norte-Americano, principalmente se branco e cristão, em caso de guerra, terrorismo, catástrofe ou acidente, surge sempre valorizado de modo diferente da de um Chinês, de um Indiano ou de um Africano, de um negro ou de um muçulmano.
E o mais grave é que essa mentalidade já contaminou as elites dos países não ocidentais, que procuram impor nos seus países o modelo único da economia de mercado.



Se Lévi-Strauss acabou com o termo “selvagem” que era aplicado ao homem, à sociedade e à cultura não-ocidental, os mentores do pensamento único actual recuperam-lhe o sentido através do modo como valorizam as sociedades pelo seu nível de consumo, pelo PIB, pela “modernidade”, pela tecnologia, ridicularizando ou apoucando aquelas sociedades e culturas que valorizam as suas tradições, a relação com a natureza ou a liberdade do lazer.
O crescente desrespeito pelo outro e pelo diferente, o crescente divórcio entre a natureza e o Homem, estão a conduzir-nos a um beco sem saída, do ponto de vista social, ecológico, económico e cultural.
Talvez fossa positivo reler as obras de Lévi-Stauss, pela forma como ele valoriza e enaltece a riqueza de sociedades e culturas, em muitos aspectos mais humanas que a nossa.





CITAÇÕES DE CLAUDE LÉVI-STRAUSS (NO ORIGINAL)
(IN NOUVEL OBSERVATEUR, 4 -11-2009)




Sobre a Antropologia:

- "Le savant n’est pas l’homme qui fournit les vraies réponses ; c’est celui qui pose les vraies questions". ("Le cru et le cuit")

- "Le monde a commencé sans l’homme et il s’achèvera sans lui. Les institutions, les mœurs et les coutumes, que j’aurais passé ma vie à inventorier et à comprendre, sont une efflorescence passagère d’une création par rapport à laquelle elles ne possèdent aucun sens, sinon peut être celui de permettre à l’humanité d’y jouer son rôle". (Tristes Tropiques)

- "L’ethnologue respecte l’Histoire, mais il ne lui accorde pas une valeur privilégiée. Il la conçoit comme une recherche complémentaire de la sienne : l’une déploie l’éventail des sociétés humaines dans le temps, l’autre dans l’espace". ("La pensée sauvage")

- "Les hommes ne sont pas tous semblables, et même dans les tribus primitives, que les sociologues ont dépeintes comme écrasées par une tradition toute-puissante, ces différences individuelles sont perçues avec autant d’application que dans notre civilisation dite 'individualiste'". ("Tristes Tropiques")

- "Quand nous commettons l’erreur de croire le sauvage exclusivement gouverné par ses besoins organiques ou économiques, nous ne prenons pas garde qu’il nous adresse le même reproche, et qu’à lui, son propre désir de savoir paraît mieux équilibré que le nôtre". ("La Pensée sauvage")

Sobre a arte:

- "La musique, est la moitié de mon existence. Chez moi, je ne peux pas travailler sans un fond sonore qui stimule mon activité en me mettant l’esprit et le cœur en dispositions favorables. Si je ne m’étais pas orienté vers la philosophie et l’ethnologie, j’aurais voulu être chef d’orchestre…" (Télé 7 Jours, 7 avril 1973)

- "J’ai beaucoup dessiné et beaucoup peint. Je ne suis pas allé plus loin car je n’avais manifestement aucun génie pour cela et les difficultés matérielles rencontrées par mon père tout au long de sa vie m’en ont dissuadé. Mais je griffonne toujours, notamment pendant les réunions où je m’ennuie". (Libération, 25-26 octobre 1986)

Sobre a Política:

- A la question "Pour vous, mai 1968 a changé quelque chose" : "Peu de chose sur le plan pratique car, depuis plusieurs années déjà, mon laboratoire fonctionnait en démocratie directe, dans des assemblées où toutes les décisions sont prises par l’ensemble des membres. Sur un plan plus théorique, ces événements me sont apparus comme un signe supplémentaire de la désagrégation d’une civilisation qui ne sait même plus assurer ce que les sociétés sans écriture savent si bien obtenir : l’intégration des nouvelles générations". (L’Express, mars 1971)

- A la question : "Vous semblez fuir tout ce qui a trait à la politique " : "Oui, je le fuis. J’ai beaucoup fait de politique à la SFIO étant jeune. Mais je me suis trompé à double titre. Premièrement avec l’idée qu’il suffisait de bien raisonner et d’avoir les idées claires pour concevoir et réaliser la société idéale. Deuxièmement, j’étais pacifiste en 1938. Quand on s’est trompé à ce point là, il n’y a plus qu’une chose à faire : se taire pour le restant de sa vie". (Le quotidien de Paris, 2 octobre 1989)

- "Je me suis retrouvé secrétaire général des étudiants socialistes à 20 ans. Je me sentais engagé, parce que j’avais la naïveté de croire qu’en raisonnant bien on peut fabriquer une société bonne. Pas plus que l’ordre du monde, l’ordre social ne se plie aux exigences de la pensée". (L’Express, mai 1988)

Sobre a Religião:

- "Le problème de Dieu ne s’est jamais posé pour moi, même depuis l’enfance. Ce n’est pas le mot qui me fait peur. J’ai le sentiment très profond qu’il ne peut exister un hiatus complet entre la pensée et la vie. Je ne verrais aucun inconvénient à appeler Dieu une sorte de pensée diffuse dont on concevrait qu'elle soit répandue dans tout l’univers et qui se manifesterait à des degrés différents chez les animaux supérieurs et inférieurs, dans les plantes même, jusqu’aux plus modestes. Mais la notion et la représentation d’un Dieu personnel me manquent et me manqueront toujours, sans doute, jusqu’à la mort". (La Croix, janvier 1979)

- "Non vraiment la religion ne m’intéresse pas. Et si je devais avoir des préoccupations de ce côté-là, mes sympathies iraient plutôt vers certaines religions extrême-orientales". (Le quotidien de Paris, 2 octobre 1989)

Sobre o Dever da Memória:

"Je n’aime pas le mot 'devoir' pour commencer. Je n’aime pas les thèmes qui ont une connotation morale. Mais qu’il n’y a que par le passé qu’on peut comprendre le présent. J’aurais essayé de montrer qu’on ne peut rien comprendre ou juger que grâce à la mémoire". (Le Figaro, 26 juillet 1993)

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Viver com música de fundo (a propósito do 25º aniversário do BLITZ)



São títulos como este que nos fazem tomar consciência quanto velhos nós estamos (ou, como diria uma amiga minha, “antigos”…).

Ainda sou do tempo da rádio e do vinil.
Muitos acontecimentos da minha vida estão associados a determinadas canções. Por vezes parece que esta ou aquela música me conduzem, como uma máquina do tempo, a um determinado momento da minha vida.
Um dos primeiros acontecimentos de que me recordo foi o anúncio, na rádio, da morte da Edith Piaf. O rádio e os seus sons acompanharam-me ao longo da infância.

No início da adolescência foi o tempo do vinil. Graças ao meu amigo Mário Rui Hipólito, fiquei a conhecer muito do que mais interessante se fazia no final dos anos 60 e princípio da década seguinte em termos de pop-rock. Hoje o Mário, que é também excelente fotógrafo, especializou-se no jazz.
Depois foi o tempo eufórico de 74/75,com dezenas de espectáculos do chamado “canto livre” e o grupo de amigos onde pontificavam alguns que se aplicavam na aprendizagem da guitarra acústica (para além do Mário Rui, também o “Janeca”, o João Nogueira, hoje prestigiado músico de jazz).
Uma das minhas grades frustrações foi nunca ter aprendido a tocar música, mas, ainda hoje, não consigo passar sem ela.

Quando recebi o meu primeiro ordenado a sério, no princípio dos anos 80, gastei quase tudo a comprar LP’s, chegando a possuir uma grande colecção de vinil, hoje substituída pelos cd’s. Confesso que ainda não aderi aos downloads. Passar para o CD já foi um caso sério, foi perder um contacto quase físico e afectivo com um objecto completo como era o vinil e as capas que o guardavam.

Os anos 80 foram também os anos da aprendizagem na busca de sons inovadores, graças aos programas do Rádio Clube Português em FM, mais tarde Rádio Comercial, que se caracterizavam por serem programas de autor, onde se passavam álbuns completos, onde ainda não tinham chegado as irritantes playlists que hoje dominam a maior parte do espectro radiofónico, no intervalo da publicidade.
Foi nessa altura que apareceu o BLITZ, uma espécie de Bíblia de todos aqueles que gostavam da musica nova, quase experimental, que então se fazia, em ruptura com os doces e sinfónicos anos 70.
Foi também a época em que pude por em prática os meus conhecimentos assim adquiridos, colaborando activamente no movimento das rádios locais. Infelizmente este movimento gerou, com raras excepções, aquilo que é hoje, uma imensa discoteca ambulante, sem originalidade, refém dos top’s e da publicidade, onde apesar de tudo alguns raros continuam a resistir, como é o caso, aqui em Torres Vedras, do Víctor César.

De tudo isto me recordei ao desfolhar esta edição comemorativa do BLITZ, com um conteúdo bastante interessante.
Esta edição percorre 50 anos de música em Portugal, pedindo a um grupo de especialistas para indicarem os melhores trabalhos de cada década. Lá estão o Carlos Parede, o Zeca, o Rui Veloso, e tantos outros que é gostoso recordar.
Duas entrevistas originais com Mariza e David Fonseca, conduzidas respectivamente por Pinto Balsemão e Ricardo Costa, bem como a divulgação de parte do projecto fotográfico “By Invitation Only”, do britânico Simon Fredericck, que passou três meses a fotografar alguns dos maiores nomes da musica portuguesa contemporânea, fazem desta edição do BLITZ um número de culto, a não perder.

BD - 30 Anos de Rei Minimus - 25 - 2ª série - 1985










O Vanguardismo Russo em Madrid


No Bicentenário do início da construção das Linhas de Torres (3 de Novembro de 1808)



segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

...e a morte ficava-lhes tão bem...



Na Universidade Complutense de Madrid será apresentada brevemente a primeira tese de doutoramento versando o retrato fúnebre na Galiza.

A sua autora é Virginia de La Cruz Lichet, uma historiadora de arte que vive em Madrid. Foi ao ver uma fotografia do galego Viirxilio Vieitez, descoberto pela Fotobienal de Vigo em1998, que de La Cruz se interessou pelo tema. Vieitez, como todos os profissionais do seu tempo, fazia fotografias de mortos, anunciando essa tarefa na publicidade da imprensa local.
A autora da tese começou pela obra daquele fotógrafo e descobriu muitos outros que faziam o mesmo trabalho, como Maximino Reboredo, Pedro Brey ou Ramón Caamaño.
Pelas mãos daquela historiadora, desde que iniciou a investigação em 2001, passaram cerca de quatrocentas imagens, percorrendo um século inteiro, entre 1870 e 1970. Eram seus autores vários fotógrafos rurais das quatro províncias galegas, com destaque para as de Pontevedra e Ourense. A maior parte das fotografias conservam-se em arquivos particulares, sendo poucas as que encontrou, sobre esse tema, em arquivos institucionais.
As fotografias, abordando o tema da morte, começam a ser raras a partir de 1970, pois, com a democratização do uso das máquinas fotográficas, as pessoas deixaram de recorrer aos fotógrafos profissionais e começaram a preferir registar os momentos felizes da vida. Segundo José Becerra, presidente da Federação Galega de Serviços Fúnebres, a fotografia funerária já não se pratica em nenhuma região daquele território.

A fotografia acima reproduzida, que acompanha a reportagem de Sílvia R. Pontevedra, escrita para o El País, publicada na sua edição on-line de 27 de Outubro último, e na qual nos baseámos, foi resgatada pela investigadora a um fotógrafo compostelano, que se quis manter no anonimato, retirada de um arquivo que herdou.
Trata-se provavelmente de uma família dos arredores de Santiago de Compostela, “um clã muito humilde que perdeu a matriarca. O viúvo está sentado à cabeceira do féretro”, enquanto os demais, “filhos, genros e talvez vizinhos, sobretudo mulheres”, já que os maridos teriam emigrado, aparecem todos com os seus melhores fatos, a morta incluída. É possível que a falecida nunca tivesse tirado uma fotografia em vida, pois fazê-lo em meados de 1900 requeria algumas posses. Uma família pobre só podia pagar um retrato, que lhe custava uma semana de salário, pelo que a visita do fotógrafo era um acto solene, havendo quem deixasse em testamento dinheiro para esse fim.

Na época era mais comum fazer-se uma fotografia “post mortem” do que a de um casamento.
De la Cruz refere que os autores dessas fotografias “post mortem” punham “muito amor na preparação do cenário. Em geral”, prossegue a autora da tese, “as imagens galegas caracterizam-se pela forma delicada como se apresentam os defuntos”, não procurando dissimular a morte.
Mais do que como recordação, os familiares do defunto solicitavam um fotógrafo que retratasse o morto tendo por objectivo dar conhecimento do óbito aos familiares que estavam ausentes. A fotografia “post mortem” era também um importante documento na partilha das heranças.
Inicialmente fazendo-se transportar de burro, mais tarde de automóvel, o fotógrafo procurava chegar rapidamente ao velório com o seu pesado material para fotografar o morto “o mais vivo possível”.

Um Adeus a António Sérgio


(Fonte: Público on-line)

Deixou-nos este domingo um grande senhor da rádio, António Sérgio,apenas com 59 anso.
A sua voz era inconfundível, a sua originalidade imensa.
Devo-lhe ter conhecido muito de bom que se fez nos anos 80, através da audição,altas horas da madrugada,do seu "Som da Frente".
Obrigado!