segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Lu Nan, o fotógrafo da China esquecida

Lu Nan, fotógrafo chinês da
Magnum (ver AQUI) , pode ser descoberto agora em Lisboa. No Museu Berardo,  em Lisboa, até 14 de Janeiro (ver mais clicando em cima).

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A “Minha Vida” com Os Xutos e Pontapés..


Acompanhei o percurso dos Xutos desde os primeiros tempos.

Ainda me lembro de, para grande pena minha, não ter na altura  dinheiro para os ver, ainda uns quase ilustres desconhecidos, no “Casino” de Santa Cruz, num verão lá para os finais da década de 70 (provavelmente em 1979, já que esse foi o ano oficial da sua fundação).

Actuavam juntamente com outro grupo da época, os “Minas de Armadilhas”, na altura os seus principais rivais no panorama “punk” nacional.

Apesar de não ter podido assistir a esse concerto, que foi um dos primeiros dos Xutos ao vivo, a frustração de não os ter podido ver foi compensada pelo reencontro, nas ruas de Santa Cruz, de um amigo, o Rui do D. Pedro V, (não me recordo do apelido, mas vivia na Avenida de Roma e depois, com os anos perdi-o de vista…até hoje), que era menager de um desses grupos (fiquei com a idéia que era dos Xutos, mas talvez fosse dos Minas e Armadilhas !!??).

A partir de aí fui seguindo a carreira do grupo, bastante inovador, com letras que retratavam bem uma juventude suburbana e a irreverência punk, acabando por desembocar no sempre eterno rock and roll.

Não sei nomear todos os espectáculos dos Xutos a que assisti posteriormente, geralmente em festivais, sem esquecer a sua presença sempre habitual nos palcos das festas do Avante.

Recordo-me, contudo, de uma passagem de ano, penso que a de 1980 para 1981, no antigo refeitório da Cidade Universitária, onde os Xutos eram a banda principal, mas que tiveram de interromper abruptamente a sua actuação, não sei se ainda antes da hora da passagem de ano, e todo o pessoal foi evacuado do pavilhão, porque alguém de ente o público tinha sido esfaqueado, num ambiente “normal” entre a geração punk .

Entretanto ,vi-os pela última vez no Rock in Rio de 2012, já a banda consagrada dos nosso dias, numa actuação que quase fez esquecer os grandes nomes que já por ali tinham passado nesse dia (os Kaiser Chiefs e os James) e o que actuou a seguir a eles , o grande Bruce Springteen…

Estou convencido que, apesar do desaparecimento trágico do Zé Pedro, a banda tem todas as condições para continuar por muitos e mais anos.

Como alguém dizia, os Xutos são um daqueles grupos com quem mais de 90% dos portugueses se cruzaram, pelo menos uma vez na vida, num qualquer espectáculo ao vivo e para quem qualquer tema seu é um tema da nossa vida.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Dijsselbloem em cartoon´s - uma figura que só deixa saudades aos cartoonistas

O Homem que liderou de forma desastrosa o Eurogrupo, tendo contribuído para aumentar as divisões e as desigualdades entre os Europeus, vai finalmente sair de cena no próximo dia 13 de Janeiro.

Os holandeses já correram com esse racista  há muito tempo.

Por cá não deixa saudades e representou o pior que existe entre os burocratas de Bruxelas.

É caso para dizer..."adeus, até nunca mais".

Aqui se recorda a sua "acção", que quase conduziu à destruição do euro e da Europa e que tanto sofrimento causou em Portugal , numa recolha de cartoon´s, que retratam bem essa tenebrosa figurinha: 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

NOS ÚLTIMOS DIAS DA UNIÃO SOVIÉTICA – 5 (conclusão)– (Agosto de 1991) Regresso a Moscovo .


Chegámos a Moscovo por volta da 7.30 do dia 3 de Agosto de 1991.

Voltámos ao hotel “Saliut” (Fogo de Artifício). Depois do pequeno-almoço, voltámos à Praça Vermelha.


O ambiente em Moscovo pareceu-me mais alegre, menos frio e triste do que na semana passada, Talvez seja do sol e do calor de Verão que se faz sentir.

Também me parecia haver mais gente nas ruas e maior variedade e quantidade de produtos à venda. Será porque é principio do mês e de férias? Ou será que já nos habituámos ao ritmo de vida soviético?

Dei uma volta pelos “armazéns do povo”, o GUM. Havia segurança reforçada, provavelmente por causa da visita de George Bush. Cruzamo-nos com grandes grupos de turistas espanhóis.

Na Praça Vermelha passou por mim um grupo de indivíduos bem vestidos, a serem filmados e das entrevistas à televisão. A figura em destaque no grupo pareceu-me o Boris Ieltsin, presidente da República soviética da Rússia, mas não tenho a certeza. Tentei indagar junto de um dos elementos da comitiva, mas este olhou para mim com se tivesse visto um extraterrestre e continuou o seu caminho.

Muitos noivos recém casados escolhem a Praça Vermelha para as fotografias.

No centro da Praça existe um murete circular, onde eram decapitados os inimigos dos czares. Hoje as pessoas atiram moedas da o interior do murete e fazem um desejo.

De vez em quando ouvem-se os apitos da policia a abrir alas para deixar passar carros topo de gama em alta velocidade que entram para lá dos muros do Kremlin.

Regressamos ao hotel para almoçar. Eu vim carregado com um saco cheio de bonitos crachats, com símbolos soviéticos e outros motivos menos políticos.

 Custou-me tudo, no GUM, cerca de 60 rublos, uns 300 escudos [hoje pouco mais de uns euros].

À tarde fomos visitar o Museu de Arte Pushkin, com uma colecção de arte temporariamente bastante abrangente, da arte Suméria aos Impressionistas europeus.

Uma sala reproduzia em tamanho natural vários monumentos e  objectos de arte da Suméria, do Egipto, da  Grécia, …até ao renascimento Italiano, tudo com uma preocupação didáctica.

Tinha muitos outros objectos, este originais, de arte egipcia, incluindo múmias e sarcófagos.

Uma sala exibia uma variada e valiosa colecção de pintura russa.

Mas o que mais me entusiasmou foi a sala com originais da pintura vanguardista europeia, do final do século XIX ao principio do século XX: Cezanne, Gauguin, Kadinsky, Matisse, Picasso, Paul Klee e Miró. Picasso  e Matisse tinham uma sala cada um, totalmente dedicada à sua pintura. Também vimos uma obra original, mas inacabada, de Toulouse-Lautrec.

Voltámos ao Hotel por volta da 17.30, todos bastante cansados.Eu ainda aproveitei para dormir antes do jantar.

Hoje ficámos pelo Hotel e aproveitarmos para recuperar da noite mal dormida da viagem da noite anterior e da “andarilhação” do dia.

Manhã do dia 4 de Agosto.

A manhã inicia-se com a visita ao Túmulo de Lenine, na Praça Vermelha. Havia uma longa fila para entrar e muita segurança. O ambiente era pesado, e avisaram-nos que era proibido tirar fotografias e tínhamos de visitar o túmulo na máxima ordem e em silêncio. O interior do túmulo de mármore preto e vermelho é impressionante pela sobriedade e pela luz difusa. O corpo embalsamado de Lenine encontra-se no interior de uma vitrina, guardada por quatro soldados estáticos. É um ambiente pesado e solene. Parece a entrada de um túmulo egipcio. Ao que se diz, Lenine nunca quis este túmulo, preferindo ser enterrado junto da sua mãe. Contudo o culto da personalidade imposto por Stalin acabou por não respeitar o desejo do primeiro líder soviético.


À saída, ao ar livre, no seguimento do edifício do túmulo, passamos pelos túmulos de outrso líderes soviéticos, como os respectivos bustos. Lá estão Stalin, Brezenev, Tchernenko, Andropov, entre outros. Em gavetões junto aos muros do Kremelin estão outras personalidades ligadas à revolução ou aos feitos emblemáticos do regime, do escritor John Reds a Gagarin e outros astronautas.

Fomos depois vistar a Igreja de S. Nicolau, uma dos mais emblemáticos monumentos da praça vermelha, com as suas cúpulas coloridas. O interior está coberto de ícones pintados a fresco.

Almoçámos no Hotel Russia nessa mesma praça.

Depois do almoço dei uma volta a pé pelas redondezas da Praça Vermelha, bebi uma pepsi-cola num café, andei a ver os quiosques que vendem de tudo, idênticos a tantos outos  espalhados pela cidade. Apesar de inestéticos, são o embrião da crescente iniciativa privada permitida pela Perestroika e complementam as faltas que se fazem sentir nas lojas estatais.

Embrcamos depois numa viagem pelo rio Moskva (Moscovo), ficando com outros panorama da cidade. Embora as vistas nãos sejam tão interessantes como as que tivemos na viagem no rio de Kiev, observámos a existência de muitos espaços verdes, alguns cheios de gente que os utilizam com se fossem praias. Muita gente a circular pelos jardins desses espaços, em fato de banho, a apanhar sol ou a banhar-se no rio.

Voltámos ao Hotel para jantar e de seguida, com outras pessoas do grupo, fomos viajar de metros até a Praça Vermelha para a ver iluminada. É um belo espectáculo, com estrelas iluminadas, todos os edifícios cheios de luz e muita gente a passear.

Regressando ao Hotel. A televisão do quarto tem acesso a quatro canais. Num deles passa a série pirosa “O Barco do Amor”, dobrado em russo. Filmes e séries televisivas são dobradas, mas com uma característica diferente da que conhecemos.

 O som original e as conversas originais passam em fundo, e a dobragem é feita oralmente por cima do original, o que gera alguma confusão.

Hoje é domingo, 5 de Agosto de 1991 e é o nosso ultimo dia na União Soviética.

O dia é livre e resolvi aproveitar para visitar Moscovo por minha conta, usando o metro para me deslocar.

Tinha feito um roteiro com as estações de metro mais icaracteristicas e com as que íam ao lugares mais interessantes.

Comecei pelo metro que me levou às respectivas  casas museu Tolstoi e Puskin, pois ficam práticamente em frente uma da outra.

Tolstoi, o autor da Guerra e Paz, tem no museu com o seu nome vários objectos de uso pessoal, manuscritos, quadros e fotografias.

O mesmo sucede com a casa Pushkin, um poeta importante da União Soviética.

Os palacetes dessas casas-museu são bastante bonitos, com tectos ricamente cobertos de pinturas.

Depois dessa visita, aventurei-me sozinho para visitar 15 estações de metro eu tinha escolhido previamente.

O preço de cada viagem era uma pechincha, o que me permitia sair à rua, para observar as redondezas, e voltar para pagar outra viagem. Aqui não existe bilhete, entra-se no metro colocando uma moeda.

Num dos lugares onde sai à rua, deparei-me com o famoso edifício sede do KGB, com um ar algo sinistro.

Para me orientar, porque as indicações estavam todas em russo, tinha que perder algum tempo a comparar os nomes, letra a letra e depois procura a  linha correcta. E lá me desenrasquei.

Não há praticamente uma estação igual, todas ricamente  decoradas , uma espécie de catedrais subterrâneas, o orgulho dos moscovitas.

As estações dão quase todas coberta de mármore, com grandes candeeiros de belo design, algumas com pinturas em mosaico ou esculturas. As mais bonitas são as das estações de “Kiev” e “Leninegrado”.

Voltei a atravessar a pé a Praça Vermelha para ir almoçar ao Hotel Russia e, depois de me despedir dessa praça, que vou ver talvez pela última vez na minha vida, voltei a apanhar metro até à Rua Arbat, que percorri detrás para a frente várias vezes.

Aí voltei a encontrar de tudo. Muita gente a vender artesanato, entre o qual as célebres Matrioskas, das tradicionais à mais originais com temáticas várias, músicos a tocar vários tipos de instrumentos e géneros, artistas plásticos expondo e/ou vendendo os seus trabalhos (alguns, provavelmente, serão famosos daqui a uns anos..), acções de protesto contra a situação politica na União Soviética, muitos artistas a pintar retratos ao vivo, caricaturistas e, principalmente, muita gente, turistas ou não (hoje é Domingo).

É uma rua difícil de descrever, uma feira da ladra em ponto grande.

Nas ruas aparecem muitas pessoas a vender latas de caviar e garrafas de vodka. Comprei duas garrafas a uma velhota, com aspecto de camponesa. Só provei o vodka em Portugal e foi o melhor que até hoje provei.


O dia terminou com o regresso ao hotel e um jantar de despedida, com champagne e bebidas típicas da Rússia, incluindo ainda um espectáculo de folclore russo, com cossacos a dançar e a musica alegre típica destas paragens.

Amanhã levantamo-nos às 4 da manhã, saímos do Hotel por volta das 5 horas (três em Portugal) para irmos para o aeroporto para a viagem de regresso a Portugal.

Cheguei a Lisboa por volta da 11 horas da manhã  do dia  de Agosto de 1991 e, só aqui, fui incomodado pela policia que, no aeroporto, me mandou sair do grupo e me levou para um gabinete para revistar cuidadosamente a minha mala. Pensava que era por causa das garrafs de vodka que trazia, mas o problema deles era como os gorros russos, que foram revistados e revirados várias vezes. Finalmente deixaram-se sair….ero o belo país do “cavaquismo”…

Esta viagem não teria sido possível se não tivesse sido desafiado pelas minhas colegas e amigas Noémia Santos e Paula Viegas, com quem partilhei alguns dos momentos acima descritos.

No grupo, nós os três e o Carlos de Alcochete, que conheci na viagem, eramos os mais novos. O resto do grupo era composto por gente mais velha (talvez com a idade que tenho hoje, mas alguns a rondar os 80), algumas pessoas já tinham feito a viajem uns vinte anos antes.

O ambiente que se respirava entre as pessoas com que nos cruzámos na União Soviética era de mudança e esperança.

A liberdade começava a fazer o seu percurso e, se o caminho a fazer podia ter sido diferente, o que era evidente é que ninguém pretendia voltar para trás.

Foi isso que, cerca de 15 dias depois de termos deixado aquele país, um grupo de militares caquéticos e stalinistas não percebeu e, ao  tentar afastar Gosbachev do poder, apressou, com esse acto irresponsável, o fim de um regime que já não tinha fôlego para dar às pessoas uma vida melhor e digna.

A história daquele país deu, desde então muitas voltas, e hoje volta a viver um impasse.

A única certeza  é que o mundo que visitei naqueles dias de 1991 desapareceu de vez.

Ficam as recordações que, por aqui, com base num diário que então escrevi, tentei reproduzir o mais fiel possível à forma como senti esses momentos de pura descoberta, num mundo que era totalmente diferente do que conhecia até então.


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

NOS ÚLTIMOS DIAS DA UNIÃO SOVIÉTICA – LENINEGRADO Julho/Agosto de 1991 (…ou S. Petersburgo…ou…Petrogrado …ou…).


30 de Julho de 1991.

De manhã, ainda antes de apanharmos o avião para Leninegrado, fazemos ainda uma última visita por Minsk.

Vistamos um museu de pintura com obras de vários pintores russos desde o século XVIII ao início do século XIX, e com uma sala dedicada à exposição dos célebres ícones ortodoxos.

Á tarde partimos para o aeroporto para apanhar o avião para Leninegrado, ou S. Petersburgo como começa a ser designada por aqui, onde chagámos após uma viagem tranquila.

Por aquilo que deu para ver na viagem de autocarro do aeroporto até ao hotel, esta parece ser uma bela cidade.






Leninegrado é formada por várias ilhas de uma espécie de delta do rio Neva, entrada do Báltico. Parecendo que não, um rio dá outra graça a uma cidade.

Antiga capital do Império, ex- S. Petersburgo, ex-Petrogrado, passou a chamar-se Leninegrado depois da revolução de Outubro (ou Novembro no nosso calendário), e foi aqui que ocorreram os principais acontecimentos históricos desse período, antes de Moscovo se ter tornado a capital.

Tem cerca de 6 milhões de habitantes.

S. Petersburgo foi fundada por Pedro o Grande em 1703 e foi a capital do Império até 1918. O imperador tentou imitar na cidade o estilo de Amesterdão, embora muita gente compare a cidade com Veneza.

O Nosso Hotel fica na “ilha” de São Basílio, umas das 42 ilhas que formam Leninegrado. Para ligar essas ilhas existem cerca de 600 pontes. Existem igualmente na cidade cerca de 60 canais e afluentes do delta do rio Neva.

Com já era tarde, ficámos pela zona do Hotel, esta noite dei um passeio a pé aos arredores do Hotel, que tem em frente o rio Neva e do outro lado a zona histórica, vendo-se o Hermitage.

Às 22.30 ainda é quase de dia, e via-se a claridade no horizonte. Dizem-me que há um mês a atrás o Sol quase não se punha por estas bandas.

No dia 31 de Julho iniciámos o dia com uma visita geral por Leninegrado, começando pelas célebres colunas dos almirantado, na ilha do nosso hotel, guiados pelo Dima, que tem sido o nosso guia desde o primeiro dia, mas que conhece bem esta cidade, pois habita aqui.

O Dima tem 31 anos, é casado e tem um filho. Já lhe dei algumas cassetes de musica que levava e duas camisolas. Em troca ele prometeu-me uma boa garrafa de vodka.










Durante a visita parámos para tirar fotografias e passear por vários locais, como a chamada Catedral do sangue Derramado, construída junto do lugar onde o czar Alexandre II foi assassinado em 1881, uma catedral ortodoxa com as célebres cúpulas em “cebola”.







Visitámos de seguida a Igreja da “Resina”, assim chamada porque era junto dela que ficavam as fábricas de resina, simbolo da expansão marítima no Báltico iniciada por Pedro o Grande.

Estivemos depois na “Laura” de Leninegrado, ou Convento Smolny, o título mais importante para uma igreja ortodoxa, talvez o equivalente às nossas catedrais. Na União Soviética só existem duas Igrejas com este título, esta e outra em Kiev, que vistámos quando lá estivemos.



Tempo ainda para visitar uma espécie de feira da ladra, o equivalente local à Rua Arbat de Moscovo, onde muitos jovens vendem artesanato e obras de arte.


Leninegrado é uma cidade muito mais ocidentalizada, onde as pessoas vestem melhor e parecem mais arejadas do que nas cidades que já visitámos. Existem mais produtos e em maior variedade à venda e não se vêm as grandes filas nas lojas com vimos noutras cidades.

Ainda durante a manhã visitámos o Couraçado Aurora, que deu o sinal para a Revolução Russa, tendo combatido na Guerra contra o Japão, e nas duas Guerras Mundiais.



À tarde visitámos o Museu Lenine, que expõe escritos originais e vestuário daquele líder, assim como mobílias originais da sua casa.

Seguimos então numa viagem em Hovercraf pelo golfo da Finlândia até ao Palácio de Verão de Pedro o Grande, "Peterhof", o “Versalhes russo” fundado em 1705, numa viagem que levou cerca de meia-hora, a alta velocidade. Este lugar fica apenas a 50 quilómetros da Finlândia, o lugar mais a norte onde estive até então.

Do palácio sobressaem as grandes cúpulas douradas e os grandes jardins, por onde estão espalhadas várias estátuas douradas, sendo os seus repuxos a grande atracção. Um espaço muito bonito mas que estava todo em obras de restauro. 










Regessámos de autocarro ao nosso Hotel.

À noite fui dar uma volta pelos arredores do Hotel e descobri, a cerca de cinco minutos a pé, um Hotel flutuante com bar pago em dólares, onde se podia ouvir jazz, com um pátio ao ar livre com vista para o Neva e de onde vimos sair o famoso navio Odessa. Este bar é muito frequentado por finlandeses, e por isso as indicações estão em russo e finlandês.

À noite a televisão do nosso Hotel fartou-se da dar reportagens da visita de George Bush a Moscovo, para uma cimeira com Gorbatchev. Pelo meio vídeos musicais, como o célebre tema de Sting “The Russian Love her children too”. No intervalo das reportagens sobre a visita, vão passando vários vídeo-clips sobre a América e a Rússia.

Manhã de 1 de Agosto de 1991.

A manhã é para vistar o Hermitage, o museu mais famoso da Rússia, situado no antigo Palácio de Inverno, um palácio construído na segunda metade do século XVIII, de tilo barroco.

É um edifício quase mítico,  cujo assalto, imortalizado nas cenas do filme Outubro de Eisenstein, foi um dos momentos da história mitificada da revolução Russa ( ao que parece esse assalto não aconteceu na realidade, pelo menos nos moldes épicos do filme).

Muitas cenas desse filme foram filmadas nos imensos corredores e  nas imensas salas e escadarias deste palácio, hoje museu.






No museu do Hermitage visitei apenas algumas salas, pois, como no do Louvre, é impossível visitar tudo de uma vez.

As salas mais importantes que visitei foram as dedicadas aos impressionistas e modernistas , onde se encontram alguns dos quadros mais famosos dessas correntes e outras anteriores. Picasso e Matisse tinham duas salas cada um. Cezanne tinha uma sala e Gauguin outra. Por outras salas encontravam-se igualmente várias obras de Delacroix, Renoir, Van Gogh, Degas e tantos outros. Entre estes o célebre quadro de Delacroix, símbolo da Revolução Francesa.

A tarde foi livre. Houve quem aproveitasse para regressar ao Hermitage. Eu preferi ir deambular pelas ruas de Leninegrado.

Atravessei a grande praça que enquadra o palácio de inverno e fui até à rua mais movimentada e famosa, a “Perspectiva Nevsky”. Uma enorme multidão corre pelos dois lados desta enorme avenida, a perder de extensão, atravessada por vários braços do rio e com edifícios monumentais de ambos os lados. A Avenida está cheia de lojas de todo o género.

Almocei nesta avenida num pequeno café, um café com leite, um pastel de carne e dois bolos…foi o meu almoço.

Aí a meio da avenida encontrei um grande armazém, uma espécie de centro comercial, que percorri nos seus dois andares. É muito maior que o GUM de Moscovo, com muita variedade de produtos, predominando o vestuário e calçado. Comprei uma mala e tive vontade de comprar mais coisas, pois para mim os preços são muito baixos, mas tive de resistir, porque já tenho a mala muito cheia.

Não cheguei ai fim da rua, voltando para trás, porque estava na hora de regressar ao hotel.







Agora em sentido contrário, encontrei muitas livrarias, tendo entrado em três, onde comprei um pequeno livro com mapas da União Soviética e uma colecção de gravuras. Tive de resistir a comprar mais coisas, como catálogos sobre pintores, porque o formato era muito grande, mas os preços eram muito baratos. As livrarias tinham milhares de livros, mas tudo em russo.

Encontrando-me novamente junto ao Ermitage, caiu uma chuva torrencial, durante uns 15 minutos. O tempo aqui tem estado muito quente, acima dos 30 graus. Quando acabou de chover era uma sensação estranha sentir o calor que estava e a àgua da chuva que se evaporava rapidamente com o calor.

Daí até ao hotel levei mais uma hora, atravessando a grande ponte frente ao Ermitage e deslocando-me pela margem do rio Neva., do lado contrário do museu.

Cheguei estourado ao hotel, mas ainda fui ao bar da noite anterios.

Amanhã, depois de uma última vista à cidade, partimos para Moscovo.

2 de Agosto.


Último dia em Leninegrado.
De manhã visitámos a fortaleza de Pedro e Paulo, construída por Pedro o Grande, e que foi uma prisão. Aí existe uma Igreja, espécie de penteão, onde estão sepultados os czares mais famosos, como Pedro o Grande, Catarina I e Catarina II, entre outros.
Estava patente ao público uma exposição sobre a dinastia dos Romanov, derrubada pela Revolução.




Por aqui nota-se algum saudosismo em relação aos czares, pois Leninegrado era a cidade do czares, uma forma de contestar o poder soviético, representado pelo poder central de Moscovo. Entre Leninegrado e Moscovo existe uma grande rivalidade, acima das querelas políticas, um pouco como entre o Porto e Lisboa ou Madrid e Barcelona.

De tarde tivemos duas horas livres. O autocarro deixou-nos a meio da Avenida Nevsky, perto do lugar onde tinha ficado ontem. Aproveitei para percorre a outra metade dessa avenida que não tinha conseguido visitar na véspera. Mesmo assim a avenida é tão grande que não consegui chegar ao fim.

Nesta avenida há muita gente a vender sorvetes, fruta, pepsi-cola, jornais, livros….

Esta avenida é um autêntico formigueiro, como a Baixa de Lisboa à hora de ponta, mas deve ter muito mais que o triplo de extensão desta.

Os prédios são muito bonitos, construídos quase todos depois da segunda Guerra, pois Leninegrado esteve mais de 900 dias cercada pelos nazis, conseguindo resistir-lhes, tendo parado aí o avanço das tropas de Hitler.

No regresso assisti a um meeting numa passagem subterrânea para peões. Um homem dizia frases em forma de poema ou teatral, que percebi serem referências à situação politica actual, e depois tocava baladas de intervenção acompanhado por uma guitarra. Estava muita gente a assistir e as reacções eram positivas, alguns riam com as graças, mas eu não percebi o que ele dizia.

Voltei ao armazém que tinha visitado na véspera e comprei um boné “à Lenine” que me custou 14 rublos (cerca de 70 escudos  […menos de meio euro].

Regressei à camioneta que nos aguardava no sitio combinado.

Ainda fomos visitar o Palácio de Verão de Pedro o Grande, muito diferente dos outros que vistámos. O palácio parece uma pequena vivenda rodeada de um jardim, com uma vista para o Neva.O anterior está mobilado como o deixou Pedro o Grande.





Jantámos ainda no Hotel e partimos então para a estação de comboio, para voltarmos a Moscovo.

De facto, S.Petersburgo é a designação mais adequada para a cidade de Pedro o Grande. A sua memória está por todo o lado.