sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Fólio - Ultimo fim-de-semana

Este é u último fim-de-semana para se visitar o festival literário de Óbidos, Fólio. (ver mais informações AQUI).













Ephemera : -A História da "Luar" em exposição e livro


Depois da inauguração no Porto, no passado dia 9 de setembro 2016, da “exposição de documentos, comunicados, manuscritos, cartazes, fotografias, objectos pessoais e outros, relativos à LUAR antes do 25 de Abril” com matériais do espólio de Palma Inácio (acima documentada), encontra-se, a partir desta semana, disponível para venda publica o livro de Fernando Pereira Marques,  editado pela Tinta-da-china , integrado na colecção Ephemera-Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira, intitulado “Uma Nova Concepção de Luta”, onde se reproduzem e comentam muitos dos documentos presentes naquela exposição.
 
Uma análise mais detalhada sobre o conteúdo desse livro pode ser lido AQUI, na edição de hoje do jornal Público.

As Grandes Exposições Históricas do MoMa de Nova Iorque podem ser "visitadas" na internet

A FORMA E A LUZ: As Grandes Exposições do MoMa de Nova Iorque podem...: A partir de agora é possível "visitar" e recordar as grandes exposições realizadas pelo MoMa de Nova Iorque(clicar para ver)

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A Golpada “Kristalina”


A ONU precisa urgentemente de recuperar a credibilidade de outros tempos.
Recorde-se que foi a ONU, quando funcionava como palco das grandes decisões mundiais, visando a preservação da paz e o equilíbrio entre as nações, sendo o primeiro grande centro de controle dos efeitos negativos da globalização (através de instituições como a UNICEF, a UNESCO, a OMS,  a OIT ou a FAO, entre muitas outras), que evitou várias guerras nucleares, durante a guerra fria, conseguiu algum equilíbrio, enquanto teve influência, na problemática região do Médio Oriente, acompanhou de forma activa, os grandes movimentos descolonizadores em África e na Ásia e evitou muitas crise humanitárias, ao mesmo tempo que foi sempre uma referência na defesa dos Direitos Humanos.
Claro que nem tudo coreu bem, principalmente pela manutenção e pela influência de um grupo restrito de membros permanentes (Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e União Soviética (hoje Rússia), aos quais se juntou mais tarde a China) com direito de veto.
O descalabro da influência da ONU começou quando ela era mais necessária, após o fim do bloco de leste e da União Soviética, a guerra da Jugoslávia e, mais recentemente, a guerra do Iraque e a actual situação que se vive no Médio Oriente.
Quis o Ocidente, mormente a União Europeia e América de Bush, substituir-se, com o recurso à NATO, ao papel da ONU, que se limitou a desempenhar um papel secundário na cada vez mais perigosa situação internacional.
A eleição de um novo secretário-geral surgiu assim como uma última oportunidade de recuperar para a ONU a influência de outros tempos e a própria esperança de dar um futuro mais equilibrado e de paz à humanidade.
Foi assim que surgiu pela primeira vez um método de escolha transparente  e um candidato credível.
Esse candidato credível, pela sua visão humanista, pela sua experiência no contacto com os mais graves conflitos mundiais, pela sua capacidade de diálogo, pelo seu profundo conhecimento do funcionamento da ONU, é o português António Guterres, não por acaso o melhor primeiro-ministro que Portugal teve desde que entrámos para a União Europeia.
Contudo, mais uma vez, movem-se nos bastidores as jogadas antidemocráticas do costume, conduzidas pelos mesmos de sempre (Comissão Europeia e politburo de Bruxelas , comandados pela Alemanha, assessorada pelos seus satélites do costume, o chamado grupo de Visegrado e outros do seu sonhado “espaço vital” a leste), recorrendo à costumada linguagem “politicamente correcta”, de ter, pela primeira vez, uma mulher à frente da ONU, representando os “países do leste” (um conceito que pensava que estava enterrado com o fim da guerra fria e com a adesão de alguns desses países à União Europeia!!!....).
É assim que surge, na recta final (nos últimos cem metros da maratona, para citar o nosso Presidente Rebelo de Sousa) uma candidatura para tentar afastar Guterres, uma vice-presidente da Comissão Europeia, apoiada por esta e pela srª Merkel, a srª Kristalina Georgieva.
A sua candidatura levante vários problemas:
Para já surge em resultado de uma guerra interna da política búlgara, com a “direita”  a apoiar essa nova candidatura e a “esquerda” a recusar-se a retirar a sua candidata, Irina Bokova, guerra essa que parece condenar à partida a veleidade das duas candidatas, até porque um país só pode apresentar um candidato;
Depois, esta é uma jogada de alto risco da Comissão Europeia e da Alemanha, que pode dividir, ainda mais, a própria União Europeia e pode retirar, de  vez, caso a sua candidata venha a ser derrotada, a intenção da Alemanha ascender à Comissão permanente da ONU;
Finalmente, essa candidatura, se for levada a sério pela ONU, é uma machadada final na procura de transparência que se pretendeu obter com o novo processo de candidatura, à qual os outros candidatos se submeteram, e na credibilidade da própria ONU.
Recorde-se que a antepassada da ONU, a Sociedade das Nações, foi destruída por situações deste género, com a contribuição  também da Alemanha, cuja destruição e descrédito conduziram à Segunda Guerra Mundial.
Mais do que uma candidatura, estamos perante mais uma golpada de uma instituição que está habituada a funcionar sem respeitar a vontade democrática dos cidadãos e habituada às jogadas de bastidores, a Comissão Europeia.
Surgindo essa candidatura de uma das grandes famílias politicas europeias, o Partido Popular Europeu, à qual pertencem o PSD e o CDS, será curioso observar a reacção destes partidos.
 
Será que em público, para não parecer mal, vão dizer que apoiam Guterres, mas em privado, vão seguir a atitude de Barroso, que é que descredibilizar e boicotar o candidato português?
Seja qual for o resultado, é o descrédito total da Comissão Europeia e do politburo de Bruxelas
…aguardam-se cenas dos próximos capítulos!

: Estudo histórico-arquitectónico sobre a Casa Senhoral torriense

terça-feira, 27 de setembro de 2016

ALEPO - Vergonha para a Humanidade.

Em baixo reproduzimos a capa de hoje do jornal "Liberation" que resume bem a dramática situação que se vive na cidade Síria de Alepo.
Uma população entalada entre o terrorismo de Estado de Assad, apoiado pela Rússia, e o terrorismo islamita, apoiado pelo ocidente, procura resistir ao terror diário, perante a passividade do Mundo.
Até quando?



 

Respirar de alívio, sem descansar...Sondagem da CNN considera que Clinton venceu o debate contra Trump .

Alívio, só depois das eleições...mas, por agora, parece que Clinton levou a melhor sobre o seu rival.
 
Clinton não será a minha candidata ideal, é muito "establishment" para meu gosto, não se compara com a frescura de um Obama, mas é o que há para travar o perigo mundial que representa Trump.
 
Para já parece que Clinton encostou o adversário à parede, o que não quer dizer, no complexo sistema eleitoral norte-americano, que tal se traduza em votos ou mesmo em vitória.
 
Mesmo as sondagens inspiram cada vez mais desconfiança, ainda por cima quando as aqui reveladas mostram um grande desequilíbrio entre eleitores que se declaram democratas e aqueles que se declaram republicanos.
 
Para já é uma folga na aflição que estas eleições se estão a revelar para o futuro da humanidade, depois do sufoco que as sondagens, feitas antes do debate, revelavam, com um empate técnico entre candidatos.
 
Á distância, sabendo o que representa para o mundo uma vitória de Trump, apenas podemos continuar a fazer figas para que as coisas corram bem a Clinton.
 
Entre a "normalidade" da candidata e o populismo irracional de Trump, torcemos pela primeira...
 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Barroso, a Goldman Sachs e a Comissão Europeia…zangam-se as comadres…


Uma extensa reportagem publicada na edição de Sábado do jornal Público revela uma série de e-mail comprometedores para Durão Barroso e para as suas relações com a Goldman Sachs.
Ficamos também a saber que essa relação ainda vem dos seus tempos de governante português, mas também que envolve muita gente na Comissão Europeia, ao ponto de se confundirem os interesses daquele sinistro banco, responsável pela aldrabice das contas gregas e pelas medidas de austeridade de que foi um dos principais beneficiários, com as medidas financeiras que a própria Comissão Europeia tomou, muitas por sugestão de responsáveis por aquele banco.

É caso para se dizer que a Comissão Europeia, pelo menos nos tempos de Durão Barroso, funcionou como uma verdadeira sucursal do Goldman Sachs.

Ou seja, se as atitudes de Durão Barroso são eticamente condenáveis, ele não está sozinho nessa atitude no meio dos burocratas de Bruxelas.

O problema é que Juncker não tem moral para acusar Barroso.

Por outro lado, quando Barroso tem de vir a público negar que aquele banco é “um cartel de droga”, vem, implicitamente reconhecer o carácter mafioso daquele banco, aliás bem evidente na reportagem que transcrevemos em baixo.

Também não pega e é repugnante que Durão Barroso venha agora fazer o papel de virgem ofendida, que estaria a ser atacado por pertencer a um pequeno país, o mesmo país que ele ajudou a afundar, primeiro como primeiro-ministro e depois como presidente da Comissão europeias que, através da troika, destruiu a vida de muitos portugueses, tudo para salvar os bancos e servir os objectivos de Goldman Sachs…

É caso para dizer que…zangam-se as comadres e descobrem-se as verdades…do funcionamento da União Europeia..:

“Arquivos da Comissão Europeia revelam que havia proximidade entre Barroso e Goldman Sachs

Por Paulo Pena  

In Público de 24/09/2016

 Os banqueiros faziam chegar “confidencialmente” ao gabinete de Barroso sugestões de alteração às políticas da UE, que os seus conselheiros liam “com grande interesse”. São emails e cartas que mostram como o Goldman se dizia “encantado” com algumas posições de Barroso.

“No dia 30 de Setembro de 2013, Durão Barroso recebeu uma carta de Lloyd Blankfein. “Caro Presidente Barroso”, escreveu o polémico CEO do Goldman Sachs – o homem que numa entrevista comparou o seu trabalho de banqueiro ao “de Deus”. “Muito obrigado por ter conseguido roubar tempo à sua agenda para vir ao Goldman Sachs. Gostei muito da nossa discussão produtiva sobre as perspectivas económicas mundiais.”

“Nessa mesma carta, Blankfein agradece ainda a Barroso por ter participado numa reunião com os “senior partners” do banco. “Sei que eles consideraram a sessão extremamente enriquecedora.” Estes encontros, que não foram tornados públicos na altura, estão descritos num dos 11 documentos (emails, cartas e mensagens) relativos à relação do gabinete do ex-presidente da Comissão Europeia com o banco de investimentos norte-americano entregues ao PÚBLICO depois de um pedido formal ao secretariado-geral da Comissão, em Julho.

“Nesse mês foi revelado que Durão Barroso passaria a desempenhar as funções de presidente não-executivo do Goldman Sachs International, com funções de aconselhamento sobre a estratégia para enfrentar a saída do Reino Unido da União Europeia, o que gerou uma polémica internacional e acusações, ao mais alto nível, na Comissão Europeia. O seu sucessor, Jean-Claude Juncker, anunciou recentemente que Barroso deixaria de ser recebido como ex-presidente da Comissão. Passará a ser um “representante de interesses”, ou seja, um lobbyista. Ainda esta sexta-feira, Durão Barroso disse estar ser alvo de "discriminação".

“Nos documentos do mandato de Durão Barroso arquivados na Comissão Europeia não existe qualquer acta deste encontro na sede do banco norte-americano. Não há, sequer, registos de uma visita ao imponente edifício do n.º 200 da West Street, em Manhattan, nas agendas públicas do presidente da Comissão, esclarece a responsável pelo departamento europeu de acesso a documentos. Não se conhece outra deslocação do presidente da Comissão à sede de um banco de investimentos, para uma reunião discreta e fora da agenda pública.

“Durão Barroso, numa resposta por escrito às perguntas do PÚBLICO, contextualiza: “Fui presidente da Comissão Europeia durante os anos em que a Europa e o mundo viveram uma das maiores crises financeiras da sua história. Naturalmente, mantive contactos institucionais – transparentes e convenientemente registados nos arquivos da Comissão – com as mais variadas entidades políticas, empresariais, sindicais e financeiras. Entre estas encontrei-me, como seria de esperar, com muitos dos principais bancos que operavam no mercado europeu. Tratava-se não só de conhecer o sentimento dos mercados, mas também de passarmos mensagens claras com a posição da Comissão e da União Europeia.”

“Durão Barroso não quis, no entanto, especificar se visitou outros bancos, nem se se reuniu com outros conselhos de administração.

“Os documentos do arquivo da Comissão dão conta de vários encontros de Durão Barroso com representantes do Goldman Sachs (Lloyd Blankfein, Peter Sutherland e Richard Gnodde) nos seus dez anos na presidência, e de alguns outros encontros entre membros do seu staff e dirigentes daquele banco. Porém, este arquivo não é exaustivo. Só a partir do final de 2014 passou a ser regra, na Comissão, a publicidade de todos os encontros de comissários com representantes de instituições ou interesses privados. Logo no primeiro email deste conjunto que o PÚBLICO revela, uma funcionária pergunta se o email com um pedido de reunião de Hank Paulson, então CEO do Goldman, deve ser registado, para constar do arquivo. Uma outra funcionária (não identificada, uma vez que os serviços da Comissão rasuraram os nomes de todos os participantes nesta troca de correspondência que não fossem altos dirigentes ou titulares de cargos políticos) remete a pergunta para um superior hierárquico, com a indicação de que o conselheiro principal de Barroso “é desfavorável” ao arquivamento.

“Ao contrário de Paulson, que saiu do Goldman para secretário do Tesouro de George W. Bush, nos EUA, os responsáveis europeus não doaram o seu telemóvel a nenhum museu, nem tornaram público o registo de chamadas ou as agendas de reuniões. A Europa divulga as reuniões “formais” e “informais” em que participam os seus dirigentes, mas não existe nenhum registo para encontros como o que juntou, lado a lado, Barroso e Peter Sutherland num jogo de futebol, no estádio do Manchester United, a 13 de Março de 2007. O que torna impossível detalhar a frequência dos contactos. Embora não a proximidade.

“Barroso desmente “categoricamente” favorecimento

“Quando Durão Barroso visitou o Goldman Sachs em 2013,  este não era um banco qualquer. Em 2010 tinha sido acusado por fraude pela Securities and Exchange Commission (SEC, o regulador do mercado de capitais norte-americano) e aceitara pagar, para ver o caso arquivado, aquela que era, à data, a maior multa de sempre na história da regulação dos EUA: 550 milhões de dólares. Mas além das responsabilidades apuradas na crise de 2008 – que teria um efeito na crise das dívidas do Sul da Europa –, havia um outro caso que, na altura, agitava Bruxelas. No debate político na Grécia, e nos restantes países europeus, o nome “Goldman Sachs” era tóxico.

“O ex-presidente da Comissão Europeia nega qualquer tipo de relação preferencial com o Goldman Sachs. “É importante sublinhar que se enquadra naturalmente nas competências e deveres do presidente da Comissão a realização de contactos com entidades externas. Mas, ao singularizar-se uma determinada entidade financeira, pode estar a sugerir-se que houve de algum modo uma relação privilegiada. Desminto categoricamente qualquer contacto ou relação especial com qualquer entidade financeira durante o exercício dos meus mandatos na Comissão.”

“De uma forma inédita, o actual presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, lançou, a 12 de Setembro, uma investigação que pretende apurar se Barroso quebrou alguma norma europeia ao transitar da Comissão para o banco de investimento. Juncker decidiu ainda que Barroso passaria a ser recebido nas instituições europeias como um “representante de interesses” e não como um ex-presidente.

“Estas decisões foram tomadas após a provedora europeia Emily O’Reilly ter solicitado à Comissão um esclarecimento sobre a “aparente arbitrariedade” que o estipulado período de cooling-off, de 18 meses, coloca. É um facto que Barroso cumpriu esse tempo, entre ter deixado as suas funções públicas e ter assumido as novas funções privadas, mas O'Reilly considera que “certos casos não deixam de ser problemáticos apenas porque passaram 18 meses”.

“Além de Juncker e de O’Reilly, também o Presidente francês, François Hollande, fala na necessidade de afastar qualquer dúvida sobre um possível “conflito de interesses” nesta passagem de um responsável europeu para uma instituição financeira: “Já tinha manifestado não apenas perplexidade em relação à escolha profissional de Barroso como também a exigência de que as regras éticas sejam respeitadas e qualquer conflito de interesses afastado”, afirmou Hollande há poucos dias, mostrando agrado pela iniciativa de Juncker.

“Onde acaba o lobbying?

“Os documentos oficiais que o PÚBLICO consultou mostram que o Goldman Sachs acompanhava de perto a actividade da Comissão Europeia. Lloyd Blankfein, por diversas vezes, elogiou as medidas tomadas por Barroso: “Introduziu importantes reformas que vão fortalecer a União Monetária, restaurar a confiança na supervisão bancária da zona euro e separar os bancos do risco soberano” (carta de Setembro de 2013). No entanto, outros dirigentes do banco foram ainda mais longe. Lisa Rabbe, directora executiva do banco (actualmente trabalha num banco suíço), já em Janeiro de 2005, pouco depois da posse da Comissão, afirmava, num email para o conselheiro principal do presidente da Comissão, Jean-Claude Thébault: “o Goldman Sachs está encantado” com algumas políticas do “presidente Barroso” e “pronto a ajudar”.

“A “ajuda” podia ter várias formas. Lisa Rabbe, que tinha a seu cargo o departamento de relações com governos na Europa, exemplifica: “O Goldman Sachs tem contribuído com dados e ideias para a iniciativa da presidência holandesa sobre a redução de barreiras a M&A [fusões e aquisições] de bancos na Europa.”

“Noutro email, de Junho de 2008, a mesma responsável apresentava-se como “antiga colega de António Borges” (que fora director do Goldman Sachs até essa altura e tinha sido nomeado, em 2006, conselheiro de Durão Barroso). A mensagem era dirigida a dois membros do gabinete do presidente da Comissão, o português António José Cabral e o inglês Matthew Baldwin. Desta vez, a representante do Goldman sugeria um encontro com um colega seu, do banco, para falar de vários assuntos, entre eles como “as restrições nas políticas de livre circulação de capitais, trabalho e tecnologia” estavam “a limitar o crescimento da oferta”.

“A actividade de lobbying está regulamentada na União Europeia, e o Goldman Sachs está acreditado na base de dados pública Transparency Register. O banco declara que gastou, em 2015, perto de 1,3 milhões de euros em lobbying na UE. Tem seis representantes registados.

“Um deles é Jenny Cosco, que tem credenciais para abordar deputados e serviços do Parlamento Europeu. Porém, Cosco tinha, também, acesso directo ao gabinete de Barroso. A 5 de Agosto de 2005, a representante do Goldman Sachs enviou, “confidencialmente” (sic), para a presidência da Comissão um relatório com sugestões sobre a legislação em matéria financeira, com a posição do banco sobre as regras que limitam o short selling (venda a descoberto).

“Menos “confidencialmente”, Cosco enviou ainda as posições tornadas públicas pelas associações que agrupam os interesses do sector financeiro (Association for Financial Markets e ISDA) sobre produtos financeiros derivados (CDO, CDS, swaps...). Em resposta, recebeu a garantia, de um funcionário do gabinete de Barroso, de que aquelas posições seriam lidas “com grande interesse”.

“Barroso argumenta que essas abordagens são comuns. “Foi sob a minha liderança da Comissão Europeia que esta promoveu o maior programa de regulamentação do sector financeiro de que há memória. Mais de 40 textos legislativos, propostos pela Comissão, viriam a estabelecer regras e princípios de responsabilização e transparência no sector financeiro, o qual, até então, se encontrava em larga medida fora da regulamentação efectiva dos poderes públicos europeus. É natural que os visados tenham de algum modo procurado transmitir o seu ponto de vista sobre a legislação em preparação pela Comissão. Mas posso garantir que nunca nenhuma entidade financeira me abordou sobre a matéria nem chegou ao meu conhecimento qualquer démarche específica eventualmente feita nesse sentido.”

“Nomeações polémicas de banqueiros Goldman

“Esta troca de correspondência consultada pelo PÚBLICO termina em 2014, com um convite dirigido por Barroso ao número dois de Blankfein, Richard Gnodde, para um pequeno-almoço em Davos, a 24 de Janeiro, à margem do encontro anual do Fórum Económico Mundial, naquela estância suíça. O mesmo convite terá sido dirigido a outros representantes de outras empresas, assegura ao PÚBLICO fonte próxima de Barroso.

“O seu mandato estava prestes a terminar. Ainda durante os previstos 18 meses de hiato, Barroso foi acumulando, com a concordância expressa da Comissão Europeia, várias actividades profissionais. A 5 de Novembro, a Comissão autorizou-o a assumir funções no Fórum Económico Mundial e nas universidades Católica de Lovaina e de Genebra. Um mês depois, nova autorização, desta vez para cargos especificamente não-remunerados: presidente honorário da Cimeira de Negócios Europeia, membro da Fundação Jean Monet, professor honorário do Politécnico de Macau, co-presidente do Centro Europeu para a Cultura, membro do Conselho Internacional da Ópera de Madrid e do conselho consultivo da associação Mulheres no Parlamento. A 16 de Dezembro de 2014, Barroso foi autorizado a integrar os quadros do Instituto de Políticas Públicas de Belgrado, o Conselho de Curadores do Europaeum, o Comité de Directores do grupo Bilderberg, o conselho consultivo da McDonough School of Business da Universidade de Georgetown e a presidência da Fundação UEFA para as crianças. A 15 de Abril de 2015, Barroso recebeu o último lote de autorizações da Comissão para ser professor visitante da Universidade da Califórnia e presidente da Fundação Palácio das Belas Artes em Bruxelas.

“A presidência não-executiva do Goldman Sachs International não carecia de aprovação, por ser assumida mais de 18 meses após o final do mandato. Curiosamente, Barroso passou a ocupar um cargo que fora de um homem por si nomeado conselheiro: Peter Sutherland, que Barroso anunciou em Salzburgo, aos jornalistas, em Janeiro de 2006, que iria ser um dos quatro membros de um restrito painel de consultores especiais para a Energia, ao lado de António Borges, que nessa altura era vice-presidente do Goldman.

“Porventura a mais polémica das nomeações de Barroso no universo de quadros do banco foi a de Otmar Issing para o “Grupo de Alto Nível” que lançou as bases da reforma europeia do sector financeiro. Num relatório de quatro ONG (Corporate Europe, SpinWatch, Lobby Control e Friends of the Earth/Europe), este “grupo de sábios” nomeado pelo presidente da Comissão Europeia é muito criticado: “É composto por pessoas com ligações próximas à indústria financeira, ou a instituições que, em maior ou menor medida, estão implicadas na crise.” O alemão Otmar Issing, consultor do Goldman Sachs, era, nesse relatório, acusado de estar numa situação de “conflito de interesses”, por aconselhar políticas que afectavam directamente a actividade do banco para o qual trabalhava.

“Barroso no entanto orgulha-se da legislação que fez aprovar e o próprio CEO do Goldman não poupou elogios às suas “importantes reformas”. Nas respostas que enviou ao PÚBLICO, o ex-presidente da Comissão recorda que, apesar de tudo, o mundo financeiro não esgotava a sua actividade em Bruxelas: “Para além do relacionamento político ao mais alto nível, nomeadamente com os chefes de Estado do G8 e do G20, tive um elevado número de reuniões com as principais associações empresariais europeias (como as da indústria) e com as principais organizações dos sindicatos europeus e, estes contactos, que parecem não suscitar o mesmo interesse mediático, foram com certeza muito mais frequentes do que aqueles que a Comissão e eu próprio tivemos com entidades financeiras em geral, ou com qualquer banco em especial.”

70º Aniversário da revista belga "Tintin"

BêDêZine: 70º Aniversário da revista belga "Tintin": Comemora-se hoje o 70º aniversário do lançamento da revista belga “Tintin”, nascida em 26 de Setembro de 1946. (clicar para ler mais).

sábado, 24 de setembro de 2016

Eu , José Sócrates...e outros!


Falo das trafulhices económico-socias do governo de Passos Coelho…logo alguém me responde: - E o Sócrates!!!???.
Falo nas trafulhices políticas de Durão Barroso…logo alguém me responde: - E o Sócrates!!!???.
 
Vamos lá a perceber uma coisa: O Sócrates foi “só” quem abriu as portas ao programa social neoliberal que Passo Coelho executou com a desculpa da Troika.
 
Lembro-me na altura de muitos do que agora usam e abusam de Sócrates como arma de arremesso serem os mesmos que , então, elogiavam o programa “corajoso”  de ataque aos “privilegiados” da “classe média”(os professores, os médico e os funcionários públicos em geral), ou o inicio da retirada de direitos socias a quem trabalhava, elogiando a “coragem” de Sócrates em enfrentar os “interesses corporativos” (!!!!) dos sindicatos e os cortes a eito nas pensões, também iniciados no tempo de Sócrates e agravados no tempo de Passos Coelho.
 
Sócrates é “apenas” o caso mais mediático de vários casos que envolvem as negociatas de políticos com o mundo da alta finança, de   políticos que se servem da política para enriquecerem em troca de “favores” a amigos.
 
Mas isto não é apanágio exclusivo de Sócrates mas  de toda uma geração de políticos.
 
Por isso muito me tenho admirado que, depois de tantos casos conhecidos e de tantos bancos falidos, apenas José Sócrates esteja a merecer a atenção da comunicação social e da investigação criminal e da justiça. E pergunto-me, sem por as mãos no lume por José Sócrates, se o caso Sócrates não está a ser apenas usado como arma de arremesso político, para desviar as atenções de outra gente.
 
E para que não restem dúvidas, podem ler, seguindo o meu tag “anti-sócrates” , tudo aquilo que aqui escrevi quando muitos que agora o usam como arma de arremesso eram admiradores escrupulosos das suas políticas anti-sociais.
 
José Sócrates já esta a contas com a justiça...mas outros também lá deviam estar e ainda continuam por aí a debitar opinião...e afazer negócios...

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O respigo da Semana : Nato, Libia, Refugiados e Mentiras


Para o “respigo” desta semana escolhemos a última crónica de Alexandra Lucas Coelho, uma arrebatante denuncia da hipocrisia do Ocidente na forma como tem tratado o drama dos refugiados :

“Mentiras de guerra, 235 mil à espera ou um pedaço da Lua
Por  Alexandra Lucas Coelho  
 In Público de 18/09/2016 - 07:30

 O Ocidente pode montar um confessionário para o pecado de desfazer países, fazer até fila. Entretanto, milhões de pessoas desses países que já não existem continuam a sonhar com um lugar que nunca existirá para eles chamado Europa”.

“1. A guerra da NATO na Líbia foi baseada em mentiras, levou ao caos e fortaleceu o ISIS, concluiu agora o parlamento inglês. Enquanto isso, na Líbia, a ONU contabilizava 235 mil refugiados de toda a África à espera de um barco para Itália, fora os que não se registaram. E um pedaço da Lua caído no deserto da Líbia podia ser comprado online. Um estado do mundo na rentrée sem sair da Líbia.

“2. 27°22.17'N 16°11.93'E. Pondo esta coordenada no google, fui dar a um ponto logo abaixo do território líbio controlado pelo ISIS neste momento. O lugar não tem nome no atlas local, mas caçadores de meteoritos baptizaram-no como Dar al Gani, para os íntimos, DaG. Um meteorito é todo o pedaço de cometa, asteróide ou planeta que cai na Terra. Pode, pois, cair em qualquer cabeça terráquea, embora não haja muitos certificados de ocorrências. Se tiver trinta toneladas, o que já aconteceu, não será difícil reconhecê-lo, mas há muitos fragmentos com gramas que só se localizam facilmente em lugares como Dar al Gani: um planalto antigo, de superfície clara, com baixo nível de erosão, aridez durante longos períodos de tempo, rápida eliminação de águas de superfície, ausência de ventos abrasivos com areia de quartzo, uma atmosfera química contrária à ferrugem. A clareza da superfície permite identificar de imediato a escuridão dos meteoritos, e todas as restantes condições permitem preservá-los. Isto, ao longo de 200 quilómetros de extensão por 60 de largura. Alguns dos meteoritos de Dar al Gani estão em museus mas muitos vão parar ao Mercado de Meteoritos, online. Fiquei a saber que isso existia quando esta semana recebi um mail com o título “Fragmento da Lua em leilão. Achei que fosse o anúncio de algum livro de poemas, mas era um “press release” de uma agência de comunicação, e dizia: “Está em leilão um meteorito encontrado em Dar al Gani, no deserto da Líbia, e analisado por uma instituição ligada à NASA, que confirma que a sua composição é semelhante à das amostras trazidos da Lua por Apollo 14 e Apollo 16.” Preço estimado: 8000 euros. Bastava seguir os links do próprio “press release” para perceber que não se tratava de todo o meteorito, que pesa 1425 gramas, e foi oficialmente baptizado DAG400, mas de um fragmento com 4,46 gramas. Esse fragmento é que tem um preço estimado até 8000 euros. Pesquisando um pouco mais no Mercado de Meteoritos arranjam-se uns fragmentos mais em conta. Vi um com 0,11 gramas por 160 dólares (0,11 gramas?) E para quem prefira os marcianos, também há, pelo menos por enquanto. Os que vi, vieram todos da Líbia muito antes da guerra de 2011, e da emergência do ISIS. Sobre o que se passa em Dar al Gani neste Verão, não tenho notícias. É possível que parte dos refugiados africanos que sobem até à Líbia tenham cruzado esse planalto coberto de fragmentos extraterrestres. Ou que o ISIS tenha percebido que podia pô-los a render, e tenha já o seu próprio mercado alternativo online.

“3. Todos aqueles africanos que já sobreviveram a perseguições e toda a espécie de violência concentram-se em Trípoli, Misrata, Benghazi, os portos da costa líbia, na esperança de enfiarem um colete laranja pelo pescoço e seguirem num bote até à Sicília, como 120 mil já fizeram só este ano, e mais de três mil não chegaram a fazer porque morreram. Entre Misrata e Benghazi há o porto de Sirte, mas esse não consta das rotas de fuga, é a base do ISIS para a sua luta pelo controlo das instalações petrolíferas da Líbia. E a Líbia é um paiol de armas esquartejado por vários poderes, sem solução à vista. Se no começo de 2011 alguém tivesse projectado o pior possível para 2016 não ia conseguir chegar a algo tão mau.

“4. O resultado da intervenção da NATO em 2011 foi “um colapso político e económico, guerra entre milícias e entre tribos, crises humanitárias e de migração, violações alargadas dos direitos humanos, a proliferação das armas do regime Kadhafi pela região e o crescimento do ISIS no Norte de África”, diz o relatório da Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento do Reino Unido. Com uma maioria de deputados do Partido Conservador, o comité condena duramente a participação britânica na guerra, liderada então por David Cameron, mas aprovada de forma esmagadora por 557 deputados, contra 13. “Não encontrámos provas de que o governo tenha levado a cabo uma análise séria da natureza da rebelião [contra Kadhafi] na Líbia”, dizem agora esses mesmos deputados no relatório. “A estratégia do Reino Unido baseou-se em pressupostos erróneos e numa compreensão incompleta das informações”, não conseguindo “identificar que a ameaça [de Kadhafi] aos civis era exagerada e que os rebeldes incluíam um elemento islamista significativo”. Ou seja, a ideia de que Kadhafi se preparava para massacrar civis em Benghazi terá sido comprada pelos governos ocidentais aos rebeldes sem provas que a confirmassem, ao mesmo tempo que no meio desses rebeldes estavam os embriões de vários grupos extremistas, como o ISIS, que aproveitaram a guerra ocidental para fazerem base ali. O relatório também diz que a França tinha objectivos políticos e económicos, não humanitários, e que a rebelião não teria sido bem-sucedida sem a intervenção externa. Milhares morreram na sequência dessa intervenção (aliás aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em nome da protecção de civis) e centenas de milhares ficaram desalojados, transformando a Líbia num estado falhado.

“5. Talvez muitos dos 557 deputados britânicos que aprovaram a intervenção durmam melhor este Outono-Inverno, depois de baterem no peito em mea culpa, embora pelo relatório pareçam bater no peito alheio. O Ocidente pode mesmo montar um confessionário para o pecado de desfazer países, fazer até fila. Entretanto, milhões de pessoas desses países que já não existem continuam a sonhar com um lugar que nunca existirá para eles chamado Europa, e enquanto assim for, na melhor das hipóteses, ainda estarão vivos”.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O pessimismo realista de Arturo Pérez-Reverte.

O escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte esteve em Portugal para participar no Festival Internacional de Cultura em Cascais e promover o seu mais recente romance, dando uma interessante entrevista hoje editada nas páginas do jornal "Público", que pode ser lida integralmente AQUI.

Nessa entrevista, que navega entre excelentes ideias para pensarmos e um pessimismo demasiado negro, mas realista à luz  dos nossos dias, Reverte defende, por exemplo, que repensemos, portugueses e espanhóis, o papel da Peninsula no mundo, defendendo um federalismo ibérico como resposta à decadência desse outro federalismo decadente, o Europeu, já que, para ele, a Liberdade está a morrer no velho continente, muito por culpa da classe política medíocre e ignorante da sua história que hoje lidera o projecto europeu.

O seu pessimismo leva-os a profetizar que o ocidente vai perder a guerra com o islão e o regresso do fascismo e do nazismo à Europa nos próximos 20 anos.

Reverte mostra-se aliás muito critico em relação a todas as religiões, vendo na literatura  o último refúgio a uma sociedade imbecilizada e governada por imbecis ("Não escrevo para que o mundo seja melhor.Eu escrevo romances em legítima defesa").

Da obra de Pérez-Reverte, escritor espanhol nascido em 1951 e que teve uma carreira premiada e reconhecida como repórter de guerra antes de se tornar escritor, conheço a sua trilogia sobre as Invasões Francesas na Península Ibérica, escritas como autênticas, bem documentadas e intensas "reportagens de guerra".

Refiro-me às obras "O Husardo" (de 1986, editada em Portugal em 2006), " A Sombra da Águia" ( de 1993, com edição portuguesa em 2009) e "Um Dia de Cólera" (de 2007, em português no ano seguinte).



"O Husardo" descreve a história de um soldado hussardo combatendo em Espanha, um libelo intenso sobre a guerra, onde se encontra uma das mais brilhantes descrições de uma batalha, baseando-se o autor na sua própria experiência de repórter de guerra.



"A Sombra da Águia" baseia-se numa história real, a de um grupo de prisioneiros espanhóis obrigados a combater no exército napoleónico na frente russa, em 1812, e que, ao tentarem desertar para o lado russo, provocam um mal entendido, que será interpretado por Napolão como uma acto heroico, uma história escrita com ironia corrosiva.



"Um Dia de Cólera", quanto a mim o melhor livro da trilogia, descreve os célebres acontecimentos do 2 de Maio de 1808, com os fuzilamentos  em Madrid, baseando-se numa ampla investigação histórica e onde se faz uma rigorosa reconstituição das ruas de Madrid naquela data.

Existe ainda uma outra obra, não editada em Portugal que tem as Guerras Napoleónicas como tema, mais narrativa e menos ficcionada, "Cabo Trafalgar", de 2004, sobre a célebre batalha marítima. 

 

Francisco Gromicho, um artista torriense apresenta o seu trabalho nos Paços do Concelho, no próximo Sábado