quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Brexit or not Brexit



Todo esta comédia à volta do Brexit é resultado de duas décadas de uma Europa (tanto na Grã Bretanha como na União Europeia) governada por uma geração de políticos irresponsáveis, ignorantes, intolerantes, arrogantes, inconsequentes, cobardes e facilmente corruptíveis pelo poder financeiro e outras máfias.

Uma comédia que caminha cada vez mais para uma tragédia, não só para os britânicos, mas também para toda a União Europeia.

Uma União Europeia que, para além de estar na origem do Brexit, devido à sua incapacidade irresponsável de liderar com a questão da emigração e de, ao governar contra os cidadãos, aumentar o clima de ódio e intolerância social, neste processo esteve mais interessada em  vingar-se dos britânicos do que em encontrar soluções equilibradas e moderadas para resolver a situação.

Aos burocratas da União Europeia só interessa que o caso do Brexit sirva de exemplo para quem se atreva a contestar o seu poder e influência.

Por isso, em vez de encontrarem uma solução equilibrada, idêntica àquela que vigora para com países como a Noruega,a Islândia,a Suiça ou o Canadá, só procuram vingança.

Como era possível que quisessem que os britânicos  aceitassem um acordo que previa todo o ónus para o lado britânico e todas as vantagem para a União Europeia que podia continuar a exigir, durante dois anos após a saida, que os britânicos continuassem a pagar e a serem sujeitos ao controle financeiro europeu, para além da questão irlandesa, uma falsa questão, já que a Irlanda,tal como a Grã-Bretanha, nem faz parte do acordo de Shengan?

A arrogância dos lideres europeus está “só”  a esquecer-se de três coisas: a Grã-Bretanha era uma das três economias que mais contribuíam para as finanças europeias; a Grã-Bretanha tem o único exército digno desse nome da Europa ocidental; a Grã-Bretanha é muito mais “europeia” que muitos do países que fazem parte da União Europeia.

Claro que, juntando a tudo isto, não podemos esquecer décadas de governança britânica que conduziram a uma grave situação social e económica que, internamente, gerarou um clima de ódio contra a Europa e um clima de intolerância social que alimenta o populismo, com dois responsáveis, que têm sido muito esquecidos no imediatismo da informação: Thatcher e Blair.

Os actuais políticos britânicos não passam de caricaturas grosseiras desses dois políticos que foram responsáveis pela decadência britânica das últimas décadas e geraram tanto politico incompetente que enchem o parlamento de Londres.

Não se vendo o mínimo de bom senso de parte a parte, o Brexit vai acabar mesmo muito mal, tanto para o reino de sua majestade como para o “reino” de Bruxelas…e para todos nós!

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Por favor, salvem o PSD!



Não, não me converti ao PSD.

Não, não simpatizo com um partido que se diz popular e tem sido apoiante e executor de medidas antipopulares, como aconteceu com o “ir além da troika”.

Também não simpatizo com um partido que anda por  aí a enganar toda a gente a dizer-se “social-democrata”, mas tudo o que tem feito é apoucar o nosso já de si débil Estado Social e a retirar direitos a quem trabalha.

Muito menos simpatizo com o mal disfarçado neoliberalismo que é a matriz actual desse partido.

Sim, simpatizei, mantendo-me à distância, com a coragem de Sá Carneiro que disse e escreveu coisas sobre Portugal, tanto antes como depois do 25 de Abril,  que hoje seriam consideradas, pela maior parte dos seus actuais militantes e simpatizantes, como sendo de “extrema-esquerda” ou “venezuelanas” (acham que estou a exagerar? Então leiam o que ele escreveu, ele que era, de facto, um social-democrata).

Mas, apesar das distâncias e das divergências, penso que esse partido é fundamental para o funcionamento da democracia portuguesa, nem que seja para travar o avanço do populismo de extrema-direita.

O PSD tem um papel pedagógico na direita portuguesa, canalizando para a democracia os órfãos do Estado Novo salazarista e as novas gerações populistas da direita e neoliberais.

Se esse partido se desboroar, abre-se espaço em Portugal para a extrema-direita e esse é, para mim, o maior perigo que a democracia portuguesa vai ter de enfrentar nos próximos tempos.

Por isso apelo às pessoas de bom senso e democráticas que, dentro do PSD, sobreviveram ao cavaquismo e ao passos-coelhismo, para não deixarem morrer o PSD e o salvem da confusão que os está a devastar.

E, não, não estou a ironizar.

Eu sou de esquerda, não desejo que o PSD volte ao poder nos próximos tempos, mas também sei que não há democracia sem um forte partido democrático de direita. O PSD  (e o CDS…mas isso é outra história..) ainda é esse partido.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O“MEL” do “fel”…



A direita ressabiada e saudosa da “troika” reúne-se por estes dias em Lisboa.

Designa-se de “MEL”, mas de ideias…só se for para apanhar moscas!

A conversa é a de sempre: “menos Estado”, “privatizações”, “salários competitivos” (isto é…baixos e sem garantias!), “menos direitos para os cidadãos e mais direitos para as (grandes) empresas”, por estas ou por outras palavras mais "subtis"…

Nada de novo portanto nesta versão “ponto.2” do velho e estafado “compromisso Portugal” onde se “formaram” os “quadros” que aplicaram a receita do “além da troika”…

Indisfarçável foi a forma como se perfilaram, às claras ou em salas à parte, os candidatos a apanhar os restos das canas dum PSD meio desorientado liderado por Rui Rio.

Este “MEL” mais parece um congresso paralelo anti-Rio, dos saudosos do ausente-presente Passos Coelho que espera na sombra aparecer como o homem providencial da direita do “além da troika”…

Enfim, nada de novo, uma direita ressabiada, oferecendo mais do mesmo, disfarçando o seu fel com uma pinceladas de mel!!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Dois anos sem David Bowie.

(Bowie em Lisboa. Fotografia do Diário de Notícias)

Passam hoje dois anos que David Bowie nos deixou.

Nascido em Brixton como David Robert Jones em 8 de Janeiro de 1947, formou a sua primeira banda aos 15 anos, em 1962 e cinco anos depois editava o seu primeiro álbum, com o nome artístico que vira a adoptar, exactamente intitulado "David Bowie".

Foi um dos mais inventivos e criativos músicos do rock e o seu estilo não é facilmente classificável.

Aqui evocamos esse grande autor da musica popular recordando aqui o seu concerto de Berlim em 2002 e mais em baixo, o seu concerto em Alvalade em 1990, numa das suas raras passagens por Portugal (a outra foi em 1995).

Podem também ouvir AQUI alguns dos temas de musicos portugueses num tributo a Bowie.

Divirtam-se e recordem o imortal Bowie



PORTUGAL 1990: 


TinTin, um jovem que faz hoje 90 ano

(a 1º prancha de Tintin)
BêDêZine: TinTin, um jovem que faz hoje 90 ano: Foi no dia 10 de Janeiro de 1929 que surgiu pela primeira vez Tintin(clicar para ler mais).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

“Não há corrupção em Portugal” (!!??)… “só” (!!) corrupção ética!!??


O recente desfecho de alguns casos de tribunal, que envolvem figuras da vida politica nacional, é um mau prenuncio do estado da justiça portuguesa, mas também do estado da comunicação social e da classe politica, e representa uma grave machadada na credibilidade democrática.

Como cidadão, não me sinto convencido nem devidamente esclarecido sobre esses desfechos.

Mas algumas conclusões  posso tirar dessa onda de absolvições de casos mediáticos:

- aquilo que qualquer cidadão normal, que vive do seu trabalho, considera eticamente reprovável, afinal não é corrupção…porque é legal. Dá para perceber que quem faz as leis as faz para fomentar o que é reprovável eticamente e, em muitos casos, para proteger o que é perceptível como corrupção. Percebe-se assim a misturada entre escritórios de advogados , classe politica e grandes empresários…;

- o Ministério Público acusa antes de ter provas sólidas e, por incompetência ou conivência, ou ambas, antes de conseguir essas provas, prefere fomentar fugas de informação selectivas, que minam a credibilidade da justiça, contaminando a investigação e as provas e condenando  na praça pública antes de se chegar a julgamento, agindo conforme a conveniência política do momento: “ora agora acusamos políticos do PSD, ora agora acusamos políticos do PS”!!!;

- a comunicação social faz o servicinho sujo de toda essa gente, mais preocupada com audiências do que em investigar por conta própria os casos de que tem conhecimento, misturando,no mesmo saco, falsas suspeitas, muitas vezes por mera vingança politica e pessoal, dos verdadeiros casos de corrupção, sem separar o que é corrupção ética do que é legalmente condenável.

Apesar de toda essa areia atirada aos olhos do incauto cidadão, apesar da incompetência da justiça, há uma forma simples de perceber se os absolvidos são de facto criminosos ou não, mesmo que a lei os proteja:

- se eles, após serem absolvidos, processarem a comunicação social e a própria justiça e se baterem até ao fim por pedidos públicos de desculpa e pelas indemnizações devidas, de forma frontal e aberta, é porque de facto são inocentes. Não era isso que qualquer cidadão injustamente acusado faria?

- se, pelo contrário, se remeterem ao silêncio, então é porque têm mesmo alguma coisa a esconder e preferem não fazer ondas e contentar-se com a forma como se safaram de prestar contas à justiça, jogando com todos os sobre-refúgios de leis, criadas à medida pelos escritórios de advogados que lhe fornecem os mesmo advogados que os safam…

Situações como essas, pouco claras, sem certezas, que não convencem ninguém, só contribuem para minar o Estado de Direito e a Democracia e fomentar a demagogia das redes sociais e dos “coletes amarelos”.

Depois não se admirem se, um dia destes, um qualquer Bolsonaro bater à porta da democracia portuguesa!!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Diz o Expresso "Estado gastou 21,7 milhões em advogados em 2018"...mas o Banco de Portugal lidera nos gastos...


A seguir ao apoio à Banca e à rede de influências que mistura empresas privadas e públicas com o Estado ,  as Sociedades de Advogados a "trabalhar" para o Estado são o terceiro pilar do cancro que vai minando a nossa democracia, agravando a dívida que todos vamos pagar quando a coisa der mais uma vez para o torto ( e vai dar...).

Nunca percebi a necessidade das instituições do estado de recorrerem a assessorias externas, quando têm nos seus quadros centenas de funcionários com formação e experiência nas mais variadas especialidades, em Câmaras,  Ministérios e Empresas Públicas... 

Também  não percebo porque põem, na notícia do Expresso, Mário Centeno na fotografia...tá bem, a noticia refere-se ao último ano...mas foi só em 2018 que isso aconteceu? Além disso, nesses gastos incluem-se autarquias e quem mais gastou em assessorias foi... o Banco de Portugal.

Em rigor, quem lá devia estar na fotografia era o Carlos Costa, governador desse banco desde 2010, e um dos grandes responsáveis pela situação financeira do país (o outro chama-se Victor Constâncio, mas esses escapou-se para um "exílio" dourado e bem pago no BCE…).

Mas esse, lá colocado por Passos Coelho, é “amigo” e ideólogo do “autoritarismo” neoliberal que controla a "informação" económico-financeira na imprensa de "referência"…

A situação agora denunciada arrasta-se há décadas e tem protagonistas bem  mais responsáveis  do que Centeno (Cavacos, Durões Barroso, Sócrates e Passos Coelhos...onde estão na fotografia?).

Por onde andavam o Jornal de Negócios e O Expresso, que só agora se lembram de denunciar a situação, como se ela só tivesse tido inicio em 2018?

Também seria curioso uma análise a esses gastos comparando-os com as últimas quatro décadas, para se perceber melhor a dimensão da "coisa", revelando quais são as "sociedades de advogados" que mais têm lucrado, assim como o nome dos administradores dessas sociedades, para percebermos melhor a rede de influências que está por detrás da notícia.

Isso sim, era investigação jornalística de qualidade.

Mas a noticia fica pela rama e pela insinuação manhosa de colocar Centeno no topo da noticia, alinhando assim na mais reles demagogia populista...

Enfim, o Expresso no seu melhor, misturando alhos com bugalhos...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

As tragédias e as esperanças dos anos terminados em 9



Quase todos os anos terminados em 9, nos últimos 100 anos, foram marcados, ora pela esperança, ora pela tragédia, muitas vezes pela esperança que conduz à tragédia.

0 ano de 1919 foi o primeiro de paz, após a tragédia da Primeira Guerra e marcou muito do destino do resto do Século. Em Junho seria assinado o Tratado de Versalhes que, ao mesmo tempo que reafirmava a desagregação dos Impérios Centrais (Alemanha e Austria-Hungria) e do Império Otomano, esteve na origem, pela humilhação imposta aos vencidos, do desenvolvimento do fascismo e do nazismo. Em Portugal foi o ano da última grande tentativa de restauração da Monarquia, que desencadeou a última guerra civil registada até hoje no país,  iniciando a segunda etapa da Primeira República, após o breve interregno sidonista.

Dramático foi o ano de 1929, encerrando uma década de esperança (os “loucos anos 20”) com o crash das bolsas de Nova Iorque , repercutindo-se na vida económica e social de todo o mundo e marcando o inicio do fim do liberalismo democrático em muitos países, contribuindo para fortalecer os regimes ditatoriais já existentes.

A Segunda Guerra, iniciada em 1939, foi a principal consequência da conjugação do Tratado de Versalhes com a Crise de 1929, e fez desse ano um dos mais trágicos do século, marcado igualmente pela vitória de Franco na Guerra Civil de Espanha, uma das mais sanguinárias ditaduras de sempre e que conduziu ao poder um dos ditadores  mais sanguinárias de sempre.

O ano de 1949 é considerado um ano crucial para o inicio da Guerra Fria, com a União Soviética a testar a sua primeira bomba atómica, a criação da NATO e a divisão definitiva da Alemanha com a fundação de dois estados, a RFA e a RDA.

1959 começa com a vitória da Revolução Cubana, ao mesmo tempo que o General De Gaulle tomava posse como primeiro presidente da Vª República francesa, sem esquecer a criação da República Popular da China, acontecimentos que iriam marcar toda a década.

1969 é um ano cheio de acontecimentos esperançosos, marcados pela afirmação de uma nova geração, reflexo do Maio de 1968. É o ano da chegada do homem à Lua e do Festival de Woodstock, um dos anos marcantes na contestação à Guerra do Vietname. Por cá a agitação estudantil conhece um dos seus momentos decisivos com a Crise Académica iniciada pelos estudantes de Coimbra e que irá ter um papel importante na consciencialização da  geração que vai estar por detrás do 25 de Abril. Este ano também é marcado por alguma abertura do regime, liderado desde o final do ano anterior por Marcelo Caetano, culminando nas eleições legislativas, com a presença de três movimentos da oposição e a eleição da chamada ala liberal.

1979 é outro ano cheio de acontecimentos marcantes. Desde logo o afastamento do poder, pelo exército do Vitname, do sanguinário regime dos Khmer Vermelhos, que provocará uma curta invasão do Vietname por parte da China. O Khmer vermelhos sobrevivem na clandestinidade graças a uma aliança entre o Ocidente e a China no apoio a esse grupo terrorista, uma das muitas contradições da Guerra Fria. É também o ano da chegada ao poder no Irão dos ayatollahs, com o conhecido episódio da invasão e ocupação da embaixada dos Estados Unidos em Teerão. Na América Latina dá-se a tomada do poder dos sandinistas na Nicarágua. Em África morre Agostinho Neto e o sanguinário ditador do Uganda, Adi Amin, é derrubado. Ao mesmo tempo que a Grécia adere à União Europeia, Margaret Thatcher é eleita a primeira mulher a dirigir um governo britânico. Também em Portugal toma posse aquela que vai ser, até hoje, a única mulher primeira-ministra, Maria de Lurdes Pintasilgo, num governo provisório de cem dias, até à realização das eleições legislativas ganhas em Dezembro por aquela que foi até hoje a mais importante aliança da direita portuguesa, a Aliança Democrática liderada por Sá Carneiro. Foi ainda um ano fundamental para a musica popular com o lançamento do álbum The Wall dos Pink Floyd e London Calling dos the Clash, marcando este o auge do movimento punk.

Grandioso foi também o ano de 1989, o ano da queda do muro de Berlim. Antes já o movimento “Solidariedade” tinha tomado o poder na Polónia. Animados pelo fim do Muro e aproveitando o clima de abertura soviética, os regimes comunistas começam a cair no leste europeu, com destaque para a Revolução de Veludo na Checoslováquia e para a Revolução Romena. Nesse mesmo ano os soviéticos começam a retirar do Afeganistão. Menos festiva foram  as manifestações da praça de Tiananmen na China, que terminaram num banho de sangue. Nesse mesmo ano morre o Ayatola Khomeini e o pintor Salvador Dali.

1999 é o ano do nascimento do euro, mas em Portugal segue-se com emoção a situação em Timor Leste , cujo povo decide a independência em referendo, sofrendo a repressão violenta das forças indonésias, ao mesmo tempo que a China recupera a soberania sobre Macau. Emocionante será igualmente o funeral de Amália Rodrigues, que morre nesse ano. O ano é marcado nos Estados Unidos pelo massacre de Columbine.

Finalmente o ano de 2009 foi aquele em que a crise financeira, iniciada no ano anterior, começou a fazer sentir os seus efeitos um pouco por toda a Europa, mas com principal incidência na Grécia, na Islândia, na Irlanda e em Portugal. Em Portugal tomava posse o 2º governo de José Sócrates, de tão má memória. Foi também o ano da primeira pandemia do século XXI, a Gripe A. Num ano que marcou o inicio do fim do clima de confiança que se vivia na Europa desde a queda do Muro de Berlim, 20 anos antes, existem dois momentos de esperança, remando contra a maré, mas, à luz dos nossos dias,  uma esperança apenas conjuntural: a tomada de posse de Barack Obama, primeiro presidente negro eleito nos Estados Unidos, e de José Mujica como presidente do Uruguai.

E chegamos a 2019, num clima de grande pessimismo sobre o futuro da humanidade e da democracia, por via do crescimento incontrolado de movimentos de extrema-direita, situação simbolicamente representada pela tomada de posse de Bolsonaro no Brasil e do previsível crescimento dos movimentos antidemocráticos nas eleições para o parlamento europeu que se disputam este ano, sem esquecer o agravamento do holocausto ambiental.

Mais uma vez este ano terminado em 9 promete ser um ano que vai marcar a História com H grande, como aconteceu com os seus “antecessores”do último século.

Se o fará como tragédia ou num clima de esperança renovada, vai depender um pouco de todos nós.

Um Bom Ano para todos, desejando que cada um revele o melhor de si próprio, sem se deixar dominar pelo ódio e pela intolerância que parecem marcar cada vez mais as sociedades actuais. 

Na Quinta da Viscondessa (Turcifal) : Uma Escola Agrícola pioneira no Século XIX

sábado, 22 de dezembro de 2018

Desejos de Um Feliz Natal

Vamos interromper por uns dias a nossa presença por aqui.
Até ao nosso regresso, desejamos um FELIZ NATAL para todos os que têm tido paciência de mos seguir por aqui.

“Coletes Amarelos” – quem são os derrotados.



Do total fracasso, a roçar o ridículo, da manifestação dos “coletes amarelos”, não saíram apenas derrotados os seus promotores.

Em primeiro lugar saiu derrotada a extrema-direita portuguesa, ficando à mostra a sua verdadeira dimensão.

Em segundo lugar, saiu derrotada a bazófia de utilizadores das redes sociais, (tão caladinhos agora) que pensavam que bastava destilar ódio, intolerância e demagogia, em doses cavalares, para conseguir mobilizar os portugueses.

Em terceiro lugar saíram derrotados os que andavam a apregoar a decadência da mobilização sindical, acreditando que bastava gritar contra tudo e contra todos para conseguir mobilizar manifestantes.

Em quarto lugar saiu derrotada a comunicação social, sempre tão pronta a desvalorizar reivindicações sindicais, profissionais e sociais, mobilizando desta vez grande parte do seu espaço para amplificar uma manifestação de dimensões ridiculas, mostrando-se quase tão desesperada com o resultado da manifestação como os próprios promotores.

Mas sairão igualmente derrotados, a prazo, aqueles que, perante o fracasso desta manifestação, pensam que tal desaire significa que muitas das reivindicações e protestos, usados de forma demagógica e oportunista pelos promotores, não têm um fundamento de verdade.

A democracia ganhou esta batalha contra a demagogia, mas tem muitas outras batalhas pela frente.

A democracia é frágil e, se quer sobreviver, tem de combater eficazmente as desigualdades, a corrupção, a pobreza e todo o tipo de injustiças sociais, ou a demagogia ganhará espaço para voltar com mais força.