quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Grupo Bilderberg e os “trabalhos” de Rui Rio


Está cumprido o desígnio, traçado para Portugal, pelo influente e semissecreto Grupo Bilderberg em 2008 (sobre este grupo, leia-se o que escrevemos AQUI).

Esse grupo, conhecido por reunir os políticos, jornalistas , empresários e economistas mais influentes do mundo e acusado pelos seus detractores de funcionar como uma espécie de máfia que decide os destinos do mundo, e que costuma convidara e lançar figuras da sua confiança na vida politica, convidou em 2008 duas figuras, então de segundo plano nos respetivos partidos : António Costa e….Rui Rio.

Portuguesas, só costumam ser convidadas figuras do PS ou do PSD. Paulo Portas foi a única excepção.

Portugal tem direito a três convidados, escolhidos até 2015 por Pinto Balsemão, nada mais nada menos que o patrão dos órgãos de comunicação social que mais influencia têm em Portugal na “formatação” da opinião pública e, por isso, com poder para vender políticos com quem vende sabão…

Em 2015 Balsemão foi substituído na tarefa junto daquele grupo por Durão Barroso. O que é um facto é que nunca mais se ouviu falar nas reuniões daquele grupo.

Quando em 2008 António Costa e Rui Rio compareceram naquela reunião especulou-se sobre o destino que o grupo reservava àquelas figuras, falando-se na facilidade de entendimento entre eles para reforçar um bloco central em Portugal.

António Costa é hoje primeiro-ministro, mas talvez em circunstâncias não previsíveis por aquela elite de gente influente, dando-nos alguma esperança de que aquela gente pode ser contrariada democraticamente e os seus objectivos podem ser travados pelas circunstâncias da história,  apesar de todos os poderes manipulatórios que aquele grupo e outros do género (maçonarias , Opus Dei…) têm ao seu dispor.

Mas é um facto que os objectivos da “geringonça” estão praticamente cumpridos, que estamos a pouco mais de um ano de eleições legislativas, que os desentendimentos entre aliados no governo começam a ser frequentes e que um certo estilo “socrático”,  que estava adormecido no PS, começa a reerguer-se.

Ora, a imprevisível eleição de Rui Rio para liderar o PSD  parece surgir num momento chave para iniciar a reconstrução do centrão após as próximas eleições legislativas, até porque a “geringonça” está no limite do equilíbrio entre as imposições da burocracia de Bruxelas e o programa social da esquerda.

Claro que Rui Rio não tem o seu lugar seguro e também existe alguma imprevisibilidade na sua manutenção, já que o “passoscoelhismo” controla o grupo parlamentar e as estruturas do partido.

Rui Rio arrisca-se, caso não obtenha um bom resultado eleitoral, a ser um líder a prazo, abrindo caminho a um regresso triunfal de Passos Coelho e/ou de alguém que lhe seja próximo.

Mas, se as coisas correrem de "feição", com o aval do Presidente da República, que também já esteve em Bilderberg, corre-se o risco de assistirmos ao regresso do famigerado “centrão” de má memória, que nos conduziu à bancarrota “socrática” e ao “austeritarismo” troikista do “passoscoelhismo” e à vitória da estratégia antissocial daquele influente grupo de “opinião”.

Oxalá estejamos errados!


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Eleições no PSD …ou a “era do vazio”…

(Fonte: Inimigo Público, Jornal Público de 12/1/2018)

Este fim-de-semana vai ser eleito o novo dirigente do PPD/PSD, o maior partido da oposição e, para alguns, e de acordo com as últimas legislativas, o maior partido português (situação recentemente desmentida pelas eleições autárquicas e pelas mais recentes sondagens…).

Sob a direcção de Passos Coelho, esse partido, um dos fundadores do actual regime democrático, abandonou o que restava da sua componente “social-democrática”, imprimida no seu ADN pelo  fundador Sá Carneiro, e tornou-se um partido que substituiu o “social” pelo “neoliberalismo” e o “democrático” pelo “populismo”.

Na “campanha”, onde se enfrentaram Rio e Santana, pouco se discutiu sobre uma alternativa para o país ou sobre uma alternativa ao rumo interno imposto por Coelho.

Essa “campanha” serviu apenas para cada um dos candidatos exibir um total vazio de ideias, limitando-se ao mero ataque pessoal, à exibição de vaidades própria e a uma constrangedora tentativa de limpar um passado de falta de fidelidade ao “chefe” (Passos Coelho) que nenhum deles, nesta campanha, se atreveu a questionar: “espelho meu, espelho meu, existe alguém mais passoscoelhista e neoliberal do que eu???” !!!!

Parecendo improvável uma vitória eleitoral do  PPD/PSD nas próximas legislativas, tudo aponta para que o próximo eleito se limite a ser um gestor de um partido com dificuldades de afirmação, abrindo  caminho ao regresso, como “salvador”, de… Passos Coelho.

Para o comum dos mortais, a boa notícia é que vamos deixar de ter os noticiários cheios de “Rios” e “Santanas” a abrir emissões e a ocuparem espaços informativos… a má notícia é que esse espaço volta a ser ocupado pelos “casos” do futebol!!!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

#MeToo...ou talvez não!

Sei que me vou meter num terreno movediço e me arrisco a sofrer as consequências.

Mas a forma com está a ser tratada a questão do assédio sexual pelo movimento #MeToo  parece-me estar a ultrapassar todos os limites do bom senso.

Confundir um reles piropo com o verdadeiro assédio sexual parece-me ser um mau contributo para combater a violência contra as mulheres.

Não distinguir a chantagem profissional usada no assédio sexual com um qualquer arrebatamento machista momentâneo sem outra consequências que não seja a de envergonhar o próprio, parece-me ser um mau contributo para a causa feminista.

Foi para voltar a por o debate nos carris que Catherine Deneuve e outras mulheres francesas ligadas ao mundo das artes, da literatura e do espectáculo vieram assinar um manifesto contra o fundamentalismo que se vive neste momento no debate sobre essa questão.

A resposta javarda de trinta "feministas" (???) francesas àquele manifesto em nada contribui para o debate e só vieram dar razão às primeiras.

(leia-se a propósito aqui o que sobre o assunto se escreve no jornal espanhol Publico , no francês  Liberation ou no português Publico ).

A violência doméstica, maioritariamente contra as mulheres ou a violação estão devidamente criminalizadas. É preciso apoiar a coragem de quem as denuncia e, até certo ponto, o movimento #MeToo deu um importante contributo.

A chantagem sexual exercida sobre mulheres no local de trabalho, chantageando-as com o desemprego ou na progressão da carreira, muito comum no mundo do cinema, das artes e do jornalismo, sendo mais difícil de provar, deve ser igualmente denunciada e criminalizada e foi por aqui que parece ter começado o movimento #MeToo.

Infelizmente rapidamente se passou do bom senso para o fundamentalismo puritano, onde tudo se confunde e onde quem grita mais alto é quem ganha a razão.

O movimento #MeToo  teve o mérito de por a questão na agenda, mas a opinião de Catherine Deneuve e das suas colegas subscritoras é importante para repor a discussão em termos éticos.


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

2018 e ...uma “breve história” dos anos terminados em “8”…


De há cem anos a esta parte que os anos terminados em 8 parecem fadados para marcar a história que vivemos.´

Embora não seja dado a “adivinhações” ou a “previsões” astrológicas, não possuindo qualquer dom premonitório, dei por mim a reflectir sobre a importância dos anos terminados em 8, como aquele que agora se inicia.

Recuando apenas ao principio do Século  XX, 1908 foi marcado por um acontecimento fulcral para o  futuro de Portugal , o regicídio  de Fevereiro que acelerou a decadência inevitável da monarquia, que recebeu a estocada final dois anos depois.
À distância dos nossos valores de hoje esse acto condenável foi, na época, para muitos, um sinal de esperança por um tempo novo, o da República, que acabaria por se revelar menos promissor do que alguns julgavam. Isso não impediu que, por exemplo, poucos dias após o regicídio, ainda com os corpos “quentes” do rei e príncipe herdeiro , Torres Vedras assistisse ao primeiro grande Carnaval de rua, vivido com entusiasmo, muito por iniciativa das elites republicanas locais.

Dez anos depois, outro ano fulcral, o de 1918, encerrou a mais violenta guerra que a Europa até então tinha conhecido, terminando com a vã esperança que aquela fosse a última de todas as guerras, acabando com os grandes Impérios europeus e anunciando um “radioso” futuro “socialista”.

Mais dez anos volvidos e o ano de 1928 seria marcado por cá com a “eleição” de Carmona para presidente de Portugal, em 25 de Março, terminando com as esperanças dos Republicanos de que o 28 de Maio de 1926 fosse um mero interregno regenerador do regime republicano. Com a eleição de Carmona, no ano em que o fascismo italiano já levava 6 anos de vida, afirmou-se o novo regime como uma ditadura militar que rompia definitivamente com a “desordem” e a instabilidade da 1ª República e conduziria o país ao Estado Novo salazarista…

Mais negro ainda se perfilava o horizonte de 1938, com a afirmação plena de Hitler, sombra negra  a pairar sobre uma Europa amedrontada, com os nazis a anexar a Áustria, conseguindo encostar os “aliados” à parede levando-os a abdicar de tudo nos acordos de Munique, sentindo-se à vontade para iniciar a perseguição aos judeus, que teve com tiro de partida a ignóbil “Noite de Cristal” de 9 de Novembro, ao mesmo tempo que o nazi-fascismo se mostrava em toda a sua força em Espanha, onde os Republicanos sofriam uma estocada final na Batalha do Ebro e com o inicio do cerco a Barcelona em 23 de Dezembro.

Depois de uma Guerra sangrenta de 6 anos, chegava-se a 1948, novamente em clima de guerra, a pairar no horizonte quando com o bloqueio a Berlim, iniciado por Estaline em Junho desse ano, dava  início formal à “Guerra Fria”, ano igualmente marcado pela fundação de duas novas nações que, 70 anos depois, continuam hoje a provocar instabilidade e imprevisibilidade no inicio deste 2018: Israel, independente em 14 de Maio de 1948, e a Coreia do Norte, fundada em 9 de Setembro desse mesmo ano.

1958 marca novamente o destino português, quando um general sem medo, Humberto Delgado, com o apoio de toda a oposição, abala o regime salazarista que inicia aí o seu caminho de decadência e instabilidade, que se agravará pouco depois com o inicio da Guerra Colonial.

Essa decadência encontra um aliado numa cadeira que se partiu em 3 de Agosto de 1968, arrastando o ditador para uns delirantes dois anos, que foram de ténue esperança com Marcelo Caetano, mas onde o medo da recuperação de Salazar levou os seus ministro a tratarem com ele com se ainda mandasse.
Esse foi também o ano do auge da guerra do Vietname, nuns Estados Unidos em ebulição, com os assassinatos de Luther King e Robert Kennedy a ensombrarem a eleição de Nixon como presidente, enquanto na Europa os estudantes se revoltavam num Maio que fez abalar as estruturas conservadoras e as verdades feitas de “trinta gloriosos”, onde a juventude se afirmou como uma força a ter em conta. E embora a maior parte dos lideres dessa geração tenham acabado engravatados a gerir negociatas e a defender o neoliberalismo, o mundo ocidental nunca mais foi o mesmo. Foram também os estudantes que na Checoslováquia, em Agosto, iniciaram um movimento que, apesar de calado pela força das armas, abalou em definitivo as estruturas de um “socialismo real” cada vez mais repressivo e anquilosado.
Ainda nesse extraordinário 1968, na noite de Natal, pela primeira vez uma nave tripulada, a Apolo 8,  faz a circum-navegação da Lua, preparando o caminho para a chegada do homem ao nosso planeta irmão no ano seguinte.

Em 1978, enquanto por cá a Revolução dos Cravos ia arrefecendo, a Igreja conhecia um ano delirante, conhecendo três papas em três meses: Paulo VI morre em 6 de Agosto, João Paulo I sucede-lhe e governa um mês e dois dias, morrendo em circunstância mal esclarecidas e o papado foge ao controle da Igreja italiana dando o lugar, pela primeira vez, a um bispo vindo do leste comunista, o polaco João Paulo II.

Gorbachev, em 1988, no seu terceiro ano de poder, abandona neste ano a “doutrina de soberania limitada” a que estavam sujeitos os países do leste, abrindo caminho para a revolução democrática nesses países, que terá o seu auge no ano seguinte com o derrubar do muro de Berlim. Também por iniciativa do homem da perestroika, a União Soviética inicia em 15 de Maio a sua retirada do Afeganistão, abrindo caminho ao fim de uma guerra sangrenta que tinha provocado o declínio soviético, mas também à ascensão de um então ilustre desconhecido, de seu nome…Bin Laden…

Em 1998 já a União Soviética tinha desaparecido e vivia-se a anunciada euforia do “fim da história” que ia marcar o “cantado” novo século que se aproximava, euforia que em Portugal foi marcado pela realização da Expo 98. Parecia que Portugal entrava finalmente no mundo dos ricos e dos países desenvolvidos, com dinheiro a jorros de fundos europeus, fomentando as negociatas e a euforia consumista. A cobrança veio depois.

Em 2008 iniciava-se a crise financeira que terminou com o “sonho” de um caminho glorioso para o capitalismo neoliberal e iniciou o declínio de uma Europa cada vez menos solidária e refém do crescimento da xenofobia e do populismo de extrema-direita.

E chegamos a 2018, no meio de 40 conflitos militares sangrentos, de uma instabilidade global em termos económicos, sociais a políticos e, apesar de Guterres à frente das Nações Unidas ou de um papa chamado Francisco, com o Mundo liderado pela  mais incompetente, ignorante e perigosa geração de políticos, onde se destacam nomes como Trump, Putin, Erdogan, Assad, Duterte, Netanyahu, Orban, Poroshenko, Rajoy, Maduro, Kim Jong-Un, e tantos outros, cada um a concorrer para ver quem é mais perigoso ou incompetente….

2018, tal como todos os anos terminados em “8” promete não cair no esquecimento da história, e, embora tudo pareça indicar que o vai ser pelas piores razões…pode ser que nos surpreenda!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Iniciar o ano a cavalgar a demagogia


O ano de 2017  foi um ano bipolar, onde se viveram momentos únicos, com grandes conquistas para Portugal em vários domínios, mas onde se revelou outra face menos abonatória, como a tragédia dos incêndios ou a ignóbil situação da Raríssima, só para recordar dois casos.

Foi também o ano em que, talvez para seguir a moda de Trump, a politica e o jornalismo se foi fazendo ao sabor da gritaria das redes sociais, revelando alguma desorientação entre governantes e oposição.

O último caso foi o da aprovação da “lei do financiamento dos partidos”, que trouxe ao de cima duas faces do pior que existe na politica e na comunicação social, o secretismo das decisões e a mais pura demagogia dos que a elas de opuseram.

E, como não podia deixar de ser, o Presidente da República acabou por tomar a única decisão lógica, que foi a de vetar essa lei, sem contudo se ter demarcado da onda demagógica que se tem gerado à volta desse facto.

Para mim, parece-me que a lei em si tem aspectos positivos, tendo em vista fiscalizar melhor as contas dos partidos. O problema foi a forma atabalhoada como tudo foi decidido.

Os partidos aprovaram a lei quase em segredo, talvez com receio da demagogia que essa medida ia provocar nas redes sociais, sem coragem para a enfrentar e denunciar.

Os que não a aprovaram, em especial o CDS, pelo contrário, procuraram navegar e alimentar a onda  demagógica que tal medida provocou.

Todos eles, apoiantes da lei e detractores, têm  agora uma oportunidade soberana para emendarem a mão e explicarem as virtualidades da lei, clarificando e emendando o que de menos claro ela contem.

A alternativa é o crescimento da demagogia populista anti partido e antidemocrática à qual o país tem escapado, mas dominante nas redes socias.

É um mau presságio para o inicio do ano.

...mesmo assim, Bom Ano para todos!


Há 210 anos, Torres Vedras ocupada pelas tropas francesas

(Junot, comandante da 1ª Invasão)
VEDROGRAFIAS: Há 210 anos, Torres Vedras ocupada pelas tropas francesas (clicar para ler)