sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Agências de rating : A Lixeira avalia o lixo



Anda por aí uma grande euforia acerca da melhoria da situação de Portugal no rating de uma das principais agências de pirataria financeira, a Standard & Poor´s, e chega a ser patética a tentativa de atribuir mérito a esse nojo a que chamam “rating” financeiro.

A Standard & Poor´s tem tanto crédito como qualquer taxista leitor do “Correio da Manhã” na avaliação do país, apelidado com a “séria” classificação de “lixo”!!!.

…ou não fosse a Standard & Poor’s a mesma agência que deu classificação máxima ao Lehman & Brothers, em vésperas deste banco de pirataria financeira falir e arrastar o mundo para a crise financeira de 2008!!!!.

Segundo as palavras de quem percebe do assunto, as " três agências de notação de crédito [Moody'sStandard & Poor's e Fitch] foram elementos fundamentais da crise financeira. Os títulos relacionados com hipotecas que estão no centro da crise não poderiam ter sido comercializados e vendidos sem o seu selo de aprovação. Os investidores confiaram nelas, muitas vezes cegamente. Em alguns casos, eles foram obrigados a usá-las, ou as normas regulatórias do capital eram adaptadas a elas. Esta crise não poderia ter acontecido sem as agências de 'rating' ". (in Financial Crisis Inquiry Commission – FCIC).

Anote-se que, mesmo depois desse erro colossal que todos tivemos de pagar, ninguém foi despedido naquela agência de rating, que continuou a ser ouvida com atenção pelo sector financeiro!!!!


Quem vive no meio do lixo (financeiro) só pode ver lixo à volta!!!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Catalunha como perplexidade


Não tenho opinião formada sobre a situação na Catalunha ou sobre o seu direito à Independência.

Claro que, numa perspectiva histórica e cultural, a Catalunha tem razões fortes para se considerar uma nação.

Contudo, na actual conjuntura política, quer a espanhola, quer a europeia, as razões são mais complexas e menos visíveis.

O que me deixa perplexo na actual situação não é tanto o confronto entre Madrid e Barcelona, mas a forma como esse acontecimento está a ser debatido e tratado na comunicação social, nomeadamente na portuguesa.

A primeira perplexidade prende-se com a forma como essa mesma comunicação social tem relegado para segundo plano a gravidade do que está a acontecer na Catalunha. Se o mesmo acontecesse na Venezuela ou em Angola, tenho a certeza que o destaque seria outro.

Em segundo lugar, fico perplexo pela diferença de pesos usada no debate sobre o direito à independência da Catalunha.

Os mesmo que rejubilaram, e bem, com a independência dos Estados Bálticos em relação à Rússia ou, e mal, com a desintegração da Jugoslávia, ou mudaram de posição, após o Brexit,  em relação ao mesmo direito à independência da Escócia, classificam agora  como uma ameaça a independência  da Catalunha.

Em terceiro lugar, fico perplexo pela diferença de pesos usada quando a mesma atitude antidemocrática é aplicada por Madrid contra a Catalunha ou por Maduro contra a oposição venezuelana.

O acto irresponsável e arrogante ontem desencadeado por Madrid contra as autoridades catalães não é muito diferente das atitudes que Maduro toma em Caracas ou o MPLA em Luanda.

Em quarto lugar, fico perplexo quando se justifica a atitude de Madrid de impedir um acto democrático e de livre escolha, através de um referendo, como aquele que os catalães pretendem levar a efeito no próximo dia 1 de Outubro, recorrendo ao argumento do “cumprimento da lei”.

Talvez seja bom recordar que os estados bálticos, os estados balcânicos e quase todas as nações do mundo se construíram contra a “lei” de quem os dominava.

Por outro lado, é em nome da “lei” que Maduro persegue os opositores ou, num exemplo mais extremo, foi em nome da “lei” que os nazis cometerem todas as suas atrocidades.

Num estado democrático, como é o espanhol, conflitos como este resolvem-se democraticamente, isto é, com um referendo onde os catalães possam escolher. Aliás, se como dizem os detractores da independência da Catalunha, a maior parte dos cidadãos da Catalunha não concordam com a independência, então estão com medo de quê??.

Mas Rajoy, que conduziu irresponsavelmente todo o processo, nunca parando de dar tiros no pé e de extremar posições, já demonstrou várias vezes que a democracia só existe quando serve os seus interesses ideológicos, ou não fosse ele, e o seu partido, os “legítimos” herdeiros do regime franquista…

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Solidários com a Catalunha

Rajoy deu um tiro no pé e lançou a democracia espanhola na lama...

O comportamento de Rajoy não é muito diferente do de Maduro e lança a Espanha no caos e vai contribuir para reforçar o independentismo.

Pelo direito democrático de decidir o futuro, estamos com os catalães nesta hora trágica.

Podem seguir os acontecimentos AQUI e AQUI.

PORTO NOVO NA HISTÓRIA

VEDROGRAFIAS: PORTO NOVO NA HISTÓRIA (clicar para ler e ver)

A crise política da Catalunha vista em cartoon´s

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

“Universidade de Verão”


Tivemos hà dias uma “Universidade” de Verão  de um partido do regime que foi profícua em intervenções idiotas e estapafúrdias.

Não deixou de ser curioso que a nossa imprensa de referência se tenha referido a essa “Universidade”, sem aspas e muitas vezes em maiúsculas, e sem se rir ou publicar a notícia numa página humorística.

Chamar “Universidade” àquilo é, no mínimo, uma ofensa à Universidade.

E o que é que vimos nessa “Universidade”? enxurradas de mera propaganda política, uma espécie de lavagem ao cérebro a jotazinhos, candidatos a futuros cargos políticos, com intervenções que não foram mais longe que a mera boçalidade, armada em “lição” mal preparada, para encher as aberturas de telejornais, como aconteceu com um Paulo Rangel enraivecido e a espalhar ódio por todo o lado, insinuando que o actual governo e os seus cortes cegos (???)  seriam responsáveis por todas as mortes ocorridas em Portugal e arredores nos últimos dois anos!!! (claro que estou a caricaturar a própria caricatura dessa miserável intervenção), um vergonhoso aproveitamento politico da tragédia de Pedrogão Grande.

Outro momento “alto” foi o regresso de Cavaco Silva, numa intervenção ressabiada cheia de trocadilhos armado ao engraçado, misturada com graçolas baratas, no meio de pios e “contra-pios”, enfim, um Cavaco no seu pior!!!!

Cada partido é livre de iniciar os seus seguidores na narrativa e nos valores que o caracterizam, é livre de realizar acções de formação politica junto de militantes e de fazer a propaganda dos seus objectivos.

O que não pode é aviltar as instituições, como o fez com a Universidade, chamando àquilo “Universidade de Verão”.

Só faltou mesmo o Relvas a distribuir diplomas no fim!!!