domingo, 22 de Novembro de 2009

Massive Attack, ontem em Lisboa



Ontem, com repetição esta noite, os Massive Attack deram um memorável concerto no Campo Pequeno, dando um espectáculos que se perpetuará na memória de todos os que a ele assistiram.

Com um som bem ritmado e equilibrado, o grupo britânico mostrou poque é o principal candidata ao título da grande banda do princípio do século, como o foram os U2 no final do século, os REM nos anos 80 ou os Pink Floyd nos anos 70.
Apesar do ritmo avassalador dos Massive Attack, o grupo nunca caiu no facilitismo sonoro, combinando exemplarmente os efeitos visuais, muito marcados pela projecção de palavras e frases em português e sobre Portugal, com o ritmo imaginativo e criativo do grupo, que promete um novo álbum muito mais marcado pelo pop-rock.
A grande revelação deste concerto foi a voz versátil e criativa de Martina Topley-Bird, que, depois de fazer a “primeira parte” em dueto, regressou para se juntar aos Massive Attack.
No final ficou a vontade de os voltar a ouvir.


































































sábado, 21 de Novembro de 2009

DIa de Massive Attack


(Foto do "Y", Público)

Hoje é dia de “Massive Attack”.

Daddy G., líder do grupo, promete um concerto visual e performativo inspirado nos Clash.
Os Massive Attack não editam há seis anos, mas anunciam a saída para breve de um novo trabalho intitulado “LP5”, que vai contar com a colaboração de músicos dos TV on the Radio.
No concerto de hoje, que terá lugar no Campo Pequeno a partir das 21 horas e que se repetirá amanhã no mesmo lugar e à mesma hora, o grupo promete iniciar o espectáculo com vários temas do seu próximo novo trabalho, contando com a voz de Martina Topley-Bird.
Formada em Bristol em 1988, a banda de “trip hop” é formada por Roberte Del Naja, aliás “3D”, e por Grant Marshall, aliás “Daddy G”, tendo editado o seu primeiro albúm em 1991.
Fazem um som de fusão, onde se misturam hip-hop, jazz e soul, mas prometem agora uma aproximação ao pop-rock.
Os Massive Attack foram uma das bandas mais politicamente empenhadas em contestar o envolvimento britânico na Guerra do Iraque.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Os "Deslumbrados"

Excelente, esclarecedor e explosivo artigo este que não resistimos a transcrever, hoje publicado na edição on-line do Sol, da autoria de José António Saraiva.

É sem duvida em esclarecedor retrato de uma geração de políticos que tem dominado este país nos últimos dez anos, que tantos estragos estão a causar e vão continuara a causar por muitos tempo, nas autarquias, no governo, passando pela administração pública e por muitos outros sectores da sociedade portuguesa:



(Foto do SOL)

“OS Boys De Guterres


"O PROCESSO chamado ‘Face Oculta’ tem as suas raízes longínquas num fenómeno que podemos designar por ‘deslumbramento’.
Muitos dos envolvidos no caso, a começar por Armando Vara, são pessoas nascidas na Província que vieram para Lisboa, ascenderam a cargos políticos de relevo e se deslumbraram.
Deslumbraram-se, para começar, com o poder em si próprio.
Com o facto de mandarem, com os cargos que podiam distribuir pelos amigos, com a subserviência de muitos subordinados, com as mordomias, com os carros pretos de luxo, com os chauffeurs, com os salões, com os novos conhecimentos.

Deslumbraram-se, depois, com a cidade.
Com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade.
ORA, para homens que até aí tinham vivido sempre na Província, que até aí tinham uma existência obscura, limitada, ligados às estruturas partidárias locais, este salto simultâneo para o poder político e para a cidade representou um cocktail explosivo.
As suas vidas mudaram por completo.
Para eles, tudo era novo – tudo era deslumbrante.
Era verdadeiramente um conto de fadas – só que aqui o príncipe encantado não era um jovem vestido de cetim mas o poder e aquilo que ele proporcionava.
Não é difícil perceber que quem viveu esse sonho se tenha deixado perturbar.

CURIOSAMENTE, várias pessoas ligadas a este processo ‘Face Oculta’ (e também ao ‘caso Freeport’) entraram na política pela mão de António Guterres, integrando os seus Governos.
Armando Vara começou por ser secretário de Estado da Administração Interna, José Sócrates foi secretário de Estado do Ambiente, José Penedos foi secretário de Estado da Defesa e da Energia, Rui Gonçalves foi secretário de Estado do Ambiente.
Todos eles tiveram um percurso idêntico.
E alguns, como Vara e Sócrates, pareciam irmãos siameses.
Naturais de Trás-os-Montes, vieram para o poder em Lisboa,inscreveram-se na universidade, licenciaram-se, frequentaram mestrados.
Sentindo-se talvez estranhos na capital, procuraram o reconhecimento da instituição universitária como uma forma de afirmação pessoal e de legitimação do estatuto.

A QUESTÃO que agora se põe é a seguinte: por que razão estas pessoas apareceram todas na política ao mais alto nível pela mão de António Guterres?
A explicação pode estar na mudança de agulha que Guterres levou a cabo no Partido Socialista.
Guterres queria um PS menos ideológico, um PS mais pragmático, mais terra-a-terra.
Ora estes homens tinham essas qualidades: eram despachados, pragmáticos, activos, desenrascados.
E isso proporcionou-lhes uma ascensão constante nos meandros do poder.
Só que, a par dessas inegáveis qualidades, tinham também defeitos.
Alguns eram atrevidos em excesso.
E esse atrevimento foi potenciado pelo tal deslumbramento da cidade e pela ascensão meteórica.

QUANDO o PS perdeu o poder, estes homens ficaram momentaneamente desocupados.
Mas, quando o recuperaram, quiseram ocupá-lo a sério.
Montaram uma rede para tomar o Estado.
José Sócrates ficou no topo, como primeiro-ministro, Armando Vara tornou-se o homem forte do banco do Estado – a CGD –, com ligação directa ao primeiro-ministro, José Penedos tornou-se presidente da Rede Eléctrica Nacional, etc.
Ou seja, alguns secretários de Estado do tempo de Guterres, aqueles homens vindos da Província e deslumbrados com Lisboa, eram agora senhores do país.

MAS, para isso ser efectivo, perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.
Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.
A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.
Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.
O Diário Económico, que estava fora de controlo e era consumido pelas elites, mudou de mãos e foi domesticado.
O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara).
A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma ‘OPA’, que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos ecrãs de Manuela Moura Guedes.
O director do Público foi atacado em público por Sócrates – e, apesar da tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.
A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que por sua vez depende do Governo.

SUCEDE que, na sua ascensão política, social e económica, no seu deslumbramento, algumas destas pessoas de quem temos vindo a falar foram deixando rabos de palha.
É quase inevitável que assim aconteça.
O caso da Universidade Independente, o Freeport, agora o ‘Face Oculta’, são exemplos disso – e exemplos importantes da rede de interesses que foi sendo montada para preservar o poder, obter financiamentos partidários e promover a ascensão social e o enriquecimento de alguns dos seus membros.
É isso que agora a Justiça está a tentar desmontar: essa rede de interesses criada por esse grupo em que se incluem vários boys de Guterres.
Consegui-lo-á?

Não deixa de ser triste, entretanto, ver como está a acabar esta história para alguns senhores que um dia se deslumbraram com a grande cidade".

José António Saraiva, 20 de Novembro de 2009, Sol on-line.

A "Praça"


Inaugura-se Hoje à noite, na Cooperativa de Comunicação e Cultura, a exposição de Fotografia "A Praça".
Ver mais informações AQUI.

O Cartoon da Semana- Wiaz, Nouvel Observateur.



Escolhemos esta da semana um cartoon da autoria do francês Wiaz, colaborador do Nouvel Observateur, ontem divulgado e que ironiza com a intenção, também ontem divulgada, do presidente Sarkozy pretender trasladar o corpo de Albert Camus para o panteão nacional e as posições do mesmo presidente em relação à emigração.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

O "Politburo" de Bruxelas


(cartoon de Peray)

Pelo que se lê nos meios de comunicação social, é hoje à noite, durante um jantar em Bruxelas, que reúnem, à porta fechada, os líderes europeus, que vão escolher os nomes do Presidente do Conselho Europeu e do Alto Representante para os Negócios Estrangeiros.
Não deixa de ser significativo que esses dois novos cargos, previstos no Tratado de Lisboa, sejam eleitos de forma ainda menos democrática e mais restrita do que o Presidente da Republica Popular da China.
Os actuais dirigentes europeus, ao contrário dos fundadores do projecto inicial, temem o veredicto popular, como se viu no modo como foi aprovado do Tratado de Lisboa.
A segurança dos seus cargos fica assim garantida.
Não sei se a unidade, a paz, a estabilidade e a segurança europeia, quando se esgotarem os fundos , quando a crise de desemprego atingir proporções incontroláveis, ou as políticas neo-liberais dos burocratas de Bruxelas levarem à falência do que resta do “Estado Social”, estarão garantidas a prazo.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

TIM BURTON no MoMa de Nova Iorque


O trabalho artístico do conhecido cineasta Tim Burton vai ser o tema de uma nova exposição que o MoMa de Nova Iorque inaugura no próximo dia 22.
Ver mais informações AQUI

O Respigo da Semana - A opinião de Pacheco Pereira sobre José Sócrates.

Discordo muitas vezes das opiniões de Pacheco Pereira. Mas tenho-o em conta de um político e historiador sério, que sabe argumentar e fundamentar as suas opiniões.

A sua leitura é por isso um desfio constante e um estímulo aos nosso pensamento.
O texto que escolhi resume de forma clara a desconfiança que com ele partilho em ralação à figura política de José Sócrates e a tudo de negativo que ela representa para esta país.
Por isso esta foi a minha escolha para “o respigo da semana”


“UM PROBLEMA DE CONFIANÇA

“Compreendo muito bem que haja meus amigos no PS que se interroguem sobre as razões pelas quais "ataco" tantas vezes José Sócrates e que entendam esse ataque como uma questão de animosidade pessoal. Divirjo profundamente das suas políticas, que penso fazem mal ao país, e coloco-o numa espécie de top ten daqueles políticos do PS, do PSD e do CDS que entendo terem, pela sua acção política e governativa, provocado mais danos ao Bem Público, como foi o tandem Guterres-Pina Moura. Mas não são as discordâncias políticas, nem sequer é o julgamento sobre o Governo, que inclui ministros que respeito, que explicam a minha atitude.

“O problema com Sócrates é outro: é um problema de desconfiança política profunda. Acrescentei o adjectivo "política" porque o terreno dessa desconfiança é o da própria acção política, não o da pessoa, embora reconheça que é impossível separar de todo os dois níveis, porque a desconfiança implica também com uma questão de carácter. Mas gostaria que, no que eu digo e no que eu faço, a desconfiança ficasse no político e fosse a partir do político que inquinasse o julgamento do carácter e não ao contrário. Não penso que os políticos tenham que ser julgados pelo carácter, o que é sempre uma atitude propícia a um moralismo que acaba por ser arrogante, mas o carácter também importa e em determinadas circunstâncias importa mais. É o caso de José Sócrates.

“Essa desconfiança não me surgiu com o aparecimento da personagem na cena pública, cuja acção como secretário de Estado na co-incineração apoiei, nem na sua vitória de 2005. Pelo contrário. Foi encontrando terreno propício quando me foram sendo cada vez mais nítidos o papel da encenação e da pose na sua acção e a crescente disparidade entre os resultados e a propaganda. Mas também não foi por isso. Sócrates era um político típico da sua geração e da sua formação e nisso não era muito diferente de muitos políticos oriundos do interior dos partidos, das "jotas" em particular", feitos pela promiscuidade entre as "fontes" e os jornais, com "biografias do nada", especializados nas técnicas interiores das carreiras partidárias, construindo "imagens" e obcecados pelo "protagonismo". Portugal e a Europa estão cheios deste tipo de políticos, que se entendem bem entre si e movem-se com habilidade pelo actual panorama mediático, as televisões em particular. Nesse estilo, Sócrates era aliás do melhor, porque não se chega onde ele chegou sem qualidades, muito trabalho, determinação e - e isto é uma questão-chave - sem um grupo. No aparelho sobe-se sempre em grupo, e o de Sócrates anda à sua volta em tudo o que é complicação passada e presente. Mas, mesmo assim, nada disto chegava para me mover contra Sócrates com a intransigência que, reconheço, tenho.

“O clic, chamemos-lhe assim, foi, de facto, a primeira "história", a do curso e a do diploma. Nada daquilo seria muito relevante, se fosse apenas uma certa ligeireza associada à pose, e um curso mais ou menos artificial, que não foi apenas o dele, mas o de muitos da sua geração que apareceram "formados" em escolas privadas pouco exigentes e facilitadoras. Confrontado com o facto de usar um título académico que não possuía, Sócrates podia ter acabado com a questão num instante, dizendo que partilhava a reivindicação dos seus colegas de considerar que o seu curso era de "engenheiro", ou admitindo que não fora muito rigoroso. Toda a gente passaria em frente e não haveria danos.

“Mas ele insistiu que estava tudo bem, e não só que estava bem como tudo era exemplar. E esta atitude, acompanhada por algo que acompanha sempre Sócrates, que é uma enorme e agressiva pressão sobre todos os que não lhe são subservientes - e como são poucos nota-se mais -, levou-me a olhar com outros olhos para o que aparecia e para documentos particularmente bizarros como o currículo emendado existente na Assembleia. Fiquei convicto de que ele era capaz de fazer muita coisa que não devia, por seu próprio interesse, e como se trata de um homem poderoso, isso preocupa-me.

“A partir daí não há pedra em que não se dê um pontapé, casinhas, processos na área do ambiente quando ele foi secretário de Estado ou ministro, Freeport, negócios ligados ao controlo da comunicação social, Face Oculta, em que Sócrates não apareça. Pode-se dizer que isso é perseguição, como há quem no PS diga. Mas não é, o problema é que Sócrates aparece sempre lá, perto ou longe, com mais ou menos responsabilidades, e aparece porque está lá. Ele, a família, os seus amigos do PS, as pessoas que escolheu, as áreas onde governou e governa. E, quando ele aparece, nada nunca se esclarece cabalmente. Nem na justiça (e isso é uma arma de dois bicos, porque também o prejudica), nem na parte da política que exige transparência. Por isso, a minha desconfiança original não tem conhecido a não ser um crescendo, porque encontra um padrão e não "casos". E penso, posso estar enganado, mas penso, que essa desconfiança é puramente racional.

“O que está a acontecer com o seu envolvimento no caso Face Oculta, e isto para usar o termo exacto "envolvimento" e não "culpa", é mais uma pedra em que, quando se lhe dá um pontapé, aparece Sócrates. Ou dito de outra maneira, cada cavadela sua minhoca, numa terra que, pelos vistos, é fértil nas ditas porque algum adubo há-de ter. Esclareço já que sou contra a violação do segredo de justiça, e, como não sou jornalista, desejo apenas que os jornalistas sejam especialmente criteriosos e restritivos na utilização de documentação oriunda da violação desse segredo. Ou seja, que sejam muito rigorosos no julgamento do interesse público daquilo que publicam e dos direitos conflituais que colocam em causa. Não digo isto apenas agora, já o disse na questão da Casa Pia, talvez o único caso em que houve momentos de "justicialismo" na investigação criminal.

“Mas, uma vez publicada a informação, admitindo que ela é verdadeira, não se pode evitar que nos pronunciemos sobre o "escândalo público" que ela suscita, nem sobre os factos que ela revela. E isto é válido tanto para José Sócrates, em que há uma verdadeira barragem, quase chantagem, para que não se discuta o conteúdo do que vem a público, como para António Preto, em que parece que ninguém repara sequer que o que se esteve a discutir nestes últimos anos foram escutas publicadas em violação do segredo de justiça, em que aparecia a história da "mala". Não pode haver filhos e enteados, com critérios diferentes.

“E o que se sabe, sem ter sido desmentido, sendo até confirmado da habitual forma retorcida pelo primeiro-ministro, é que José Sócrates mentiu ao Parlamento sobre o seu conhecimento e eventual papel na tentativa de compra pela PT de parte da TVI. Esta não é uma matéria secundária, mas releva das relações institucionais entre órgãos de soberania. E quando digo que ele próprio já confirmou de forma retorcida, foi por o ver começar a fazer uma distinção, demasiado útil, entre conhecer e ter sido "oficialmente informado", que se percebe ir ser a escapadela que vai usar. E é isso que me faz desconfiar e muito, porque o que José Sócrates disse ao Parlamento e aos jornalistas nessa ocasião foi que "não estou sequer informado disso" quando se tratava de saber que grau de envolvimento tinha ele próprio e o Governo no processo. E neste caso, saber a verdade é crucial porque envolve algo de que este Governo tem sempre negado: a interferência a partir do poder na comunicação social. Pelos vistos, o que veio já a público explica que quem temia a chamada "asfixia democrática" tinha até mais razão do que imaginava.

“É por isso que desconfio de Sócrates. Vale o que vale, mas para o meu julgamento vale muito. E as razões pelas quais desconfio fazem-me considerar que existe perigosidade na sua actuação para a democracia e para Portugal.”

(Pacheco Pereira, Público de 14 de Novembro de 2009) .

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

20º aniversário da "revolução de veludo"



Há 20 anos atrás, no dia 17 de Novembro de 2009, poucos dias após a queda do Muro de Berlim, uma manifestação estudantil em Praga dava início à chamada "Revolução de Veludo".
A Democracia vencia na Checoslováquia, que mais tarde iria dar origem a dois novos países, a Eslováquia e a República Checa.
A situação económica e social nesses novos países é hoje preocupante? Sem dúvida, mas hoje,quem decide o seu futuro são os seus povos e não uma nomenclatura corrupta a partir de Moscovo, nem um regime que se dizia "socialista" , mas que não passava de um bando de mentirosos e mal-feitores.
Ao colarem o comunismo à repressão e à ditadura, muito contribuiu essa gente para o descrédito de um verdadeiro socialismo, atrasando, provávelmente por várias décadas, o caminho da Europa para uma sociedade mais justa, enfim, para um verdadeiro "socialismo" de rosto humano.

UM OLHAR JAPONÊS SOBRE LISBOA

Até ao próximo dia 23 de Janeiro, vai estar patente em Paris, na « Maison de la Culture du Japon », uma exposição de fotografia que revela seis olhares japoneses sobre o mundo.

De Portugal ao Japão, passsando pela Índia, esses fotógrafos japoneses mostram-nos a sua visão do mundo.
Lisboa foi o local escolhido por Sayuri Naitô, que fotografou a Ponte 25 de Abril e a vista do rio Tejo, em 2007, olhares presentes nessa exposição integrada nas iniciativas da bienal Photoquai.





segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

BANDOS


A um mês da Cimeira de Copenhaga, que vai reunir os líderes mundiais para tomarem decisões para salvar o planeta, começam a surgir notícias dando conta de um previsível fracasso dessa mesma cimeira, propondo ou prevendo o adiamento de decisões urgentes para travar uma catástrofe ambiental.

Mais uma vez, perante lideranças fracas, como a europeia, ou mal intencionadas, como a chinesa, prevalecem os interesses dos grandes grupos económicos.
Também hoje será conhecido a declaração final da Cimeira de Roma da FAO, onde se consignará o abandono do chamado Objectivo do Milénio, que era o de erradicar a fome no mundo até 2025.
Ao que parece, mais uma vez os “supremos” interesses do mundo capitalista e a sua lógica abandonam à sua sorte cerca de mil milhões de seres humanos (… sim, o número é este : 1 000 000 000).

Com exemplos destes à escala global, não é de esperar que por cá o interesse das populações conte nas prioridades dos nossos pequenos líderes. Desgraçadamente canhou-nos na rifa este Partido Socialista, e não um Partido Socialista como o dos países nórdicos, o de Espanha ou do Chile, onde as preocupações sociais estão em primeiro lugar.

Por cá, o actual bando que dirige o Partido Socialista está mais preocupado com os negócios próprios ou os dos amigos que lhes pagam as campanhas e, neste momento, em escapara à justiça.
Soube-se hoje (no Público), por exemplo que várias empresas públicas, entre as quais a Refer e a CP, pagaram com o cartão de crédito das empresas o almoço de 50 gestores públicos durante uma “homenagem” à então secretária de Estado dos Transportes, a “socialista” Ana Paula Vitorino.

Entretanto continua a telenovela das escutas.
Pelo que revelam os jornais, no passado mês de Março, por ocasião das escutas da PJ a Armando Vara, por ocasião do processo “Face Oculta” foram registados várias conversas entre aquele “militante modelo” do Partido Socialista e o Primeiro Ministro José Sócrates, onde se terá falado da alegada venda da TVI e de questões financeiras do grupo Global Notícias. Acontece que, no dia 24 de Junho, ao ser questionado no Parlamento sobre o negócio da PT para comprar a TVI, José Sócrates disse nada saber sobre esse negócio.
Claro que ninguém tem nada que saber das conversas entre dois velhos amigos, que subiram juntos no PS, nos negócios e na política. Também não me parece que sejam conversas de circunstância, eventualmente sobre “gajas”  futebol ou a vida política nacional, que podem ter interessado à justiça, mas sim questões de negociatas combinadas.
Por outro lado o desfasamento entre aquela conversa e aquilo que declarou no Parlamento obriga o Primeiro Ministro a dar um esclarecimento àquele órgão de soberania.

Entretanto os ingleses arquivaram o processo Freeport. Qualquer cidadão ciente da sua inocência naquele caso, se tivesse visto o seu nome enlameado naquele processo reaberto por iniciativa inglesa, não tendo nada a esconder, processaria os investigadores ingleses. Só não fará quem vir nesse arquivamento uma hipótese de se safar. Veremos se alguém processa a polícia britânica, para percebermos quem está ou não inocente.

Não tenho dúvidas que, nos processos em que está envolvido, o Primeiro Ministro não cometeu qualquer ilegalidade.

Já tenho dúvidas sobre a Ética da sua actuação.