quinta-feira, 30 de junho de 2016

Schäuble, um dos “monstro” que devora a Europa, portando-se como elefante em loja de porcelanas!


Já cá faltava este.
De irresponsabilidade em irresponsabilidade os líderes europeus vão lançando todos os dias mais achas na grande fogueira em que se transformou a União Europeia.
No mesmo dia em que vários políticos com responsabilidade na União Europeia lançaram uma campanha para apoiar a independência da Escócia ( contra a qual os mesmos se manifestavam fanaticamente apenas há uns meses atrás), apenas para chatear os ingleses, dando argumentos aos que defendem a independência da Catalunha, da Flandres, da Lombardia e de tantas outras, o sr. Schäuble, o todo poderoso e arrogante ministro das finanças alemão, não tem nada mais para se entreter do que ameaçar, veladamente ou não, os portugueses com mais e pior austeridade.
 
O principal efeito dessas declarações, mal ou bem interpretadas, não se fez esperar: os juros da dívida pública portuguesa subiram de imediato. Tivessemos verdadeiro jornalismo e já se estava a investigar quem lucrou financeiramente com a “irresponsabilidade” dessas afirmações (de certeza que lá encontrariam muitos bancos alemães e amigos do dito senhor).
 
O mínimo que se deve exigir a esse monstro que tanto tem contribuído para desmantelar o espírito europeu, é um pedido de desculpas a Portugal.
Por outro lado, em Portugal, o embaixador da Alemanha devia ser de imediato chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para prestar explicações e para se exigir um pedido de desculpas pelas consequências financeiras dessas declarações.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A Grande Palhaçada :Juncker, ontem, para Farage no Parlamento Europeu: "O que está aqui a fazer?" (E, sr . Juncker, o que está você ainda fazer na Comissão Europeia?) :

Juncker para Farage, ontem no Parlamento Europeu: "O que está aqui a fazer?" (clicar para ler).

O desespero está instalado no seio das instituições europeias.
 
Ontem foi a vez do Parlamento Europeu.
 
O sr. Juncker , demonstrando uma grande falta de respeito pela decisão democrática, mesmo se errada, dos britânicos, dirigiu-se a um deputado ainda em funções, essa outra aberração com pernas que dá pelo apelido de Farage, e perguntou-lhe o que estava ali a fazer.
 
Só que desta vez Farage esteve à altura dos acontecimentos e gelou os burocratas de Bruxelas, defendendo-se dizendo algumas verdades:
 
"É engraçado que, há 17 anos, quando eu disse que queria liderar uma campanha para tirar os britânicos da União Europeia, todos aqui se tenham rido de mim. Bem, agora não vejo ninguém a rir", deixando " uma previsão aqui hoje: o Reino Unido não será o último Estado membro a sair da UE." , fazendo ainda uma acusação: "Agora sei que nenhum de vós teve alguma vez um emprego digno desse nome, trabalhou em negócios, trabalhou no comércio, criou um único posto de trabalho."
 
Costuma-se dizer que quem semeia ventos colhe tempestades e seria bom perguntar também ao sr. Juncker , o homem que lesou outros estados europeus com um esquema malhoso de fuga aos impostos para beneficiar o seu país, no Luxleaks, um escândalo abafado pelo próprio parlamento europeu, o que é que ele ainda estava ali a fazer???

terça-feira, 28 de junho de 2016

“Brexit” or not “Brexit”!!!

Com raras e honrosas excepções, tem sido confrangedor ver, ler e ouvir a reacção ao referendo britânico, da direita à esquerda, dentro da Grã – Bretanha e na União Europeia, de comentadores e políticos.
Essas reacções revelam o clima de pânico e desorientação por parte de uma geração de políticos e comentadores que sempre ignorou ou esqueceu, por má-fé na maior parte das vezes, não só a história da Europa, como os objectivos  da criação da União Europeia.
Enredados que andam nos seus negócios com o corrupto poder financeiro que representam, e em proteger a sua carreira e a dos amigos, não se aperceberam da tempestade que se aproximava como consequência das suas políticas e das suas decisões financeiras e políticas.
Agora colocaram-nos a todos à beira do abismo, mas claro, no fundo no fundo, também nada farão, a não ser o recurso à retórica habitual, porque sabem que o seu futuro e o dos seus próximos está garantido, na administração de um banco, de uma grande multinacional ou de uma empresa pública, mesmo que a catástrofe se abata sobre a generalidade dos cidadãos europeus.
Essa gente, à frente dos destinos da Europa, não oferece qualquer confiança ou credibilidade para dirigir as reformas profundas de que a União Europeia precisa para se salvar.
O “Brexit” foi apenas uma consequência de decisões e atitudes que esses burocratas, assessorados pelos seus gobelzinhos da comunicação social, têm vindo a tomar aos longo das duas últimas décadas, situação que se agravou desde que Durão Barroso foi nomeado para dirigir a Comissão Europeia ou desde que o euro foi introduzido, de forma apressada e mal-amanhada.
Também foi essa gente que legitimou o discurso xenófobo e ultranacionalista que esteve por detrás da campanha do “Brexit”, ao incluírem na acção governativa própria, muitas das “preocupações” da extrema-direita, por puro oportunismo político e eleitoral, ou quando “deram” a Cameron, de forma cobarde e vergonhosa, um acordo que absorvia tudo o que os xenófobos britânicos pretendiam.
Como se viu, esta última manobra manhosa dos líderes europeus para “salvarem” o referendo não resultou, o que nos devia levar a pensar que o “Brexit” afinal não venceu por causa do discurso xenófobo dos defensores da saída, já que, o que eles pretendiam , tinha sido dado de bandeja pelos burocratas de Bruxelas, mas principalmente porque funcionou aqui um grande sentimento de revolta contra medidas de austeridade e anti-socias que destruíram a sociedade britânica e que tinha, na União Europeia, o principal bode expiatório, por via da cobardia dos políticos britânicos.
Por sua vez, as ameaças e a arrogância do costume, usadas pelos burocratas do “politburo” de Bruxelas, terão também funcionado ao contrário, reforçando o voto de protesto.
Ainda mais vergonhosas têm sido as análise “sociológicas” de taberna usadas por alguns, onde vêem, de um lado,  os “puros” europeus, defensores da permanência, os “jovens”, os “instruídos”, os “cosmopolitas” e, do outro, do lado do “mal” e  da saída, os “velhos” , os “incultos” e os “rurais”.
É uma simplificação que mostra que nada perceberam do que aconteceu, mas que, mais grave ainda, mostra que nada vão mudar e vão mesmo conduzir a União Europeia para o desastre.
Foi essa técnica de dividir para reinar que o “politburo” de Bruxelas usou para impor a sua austeridade, para destruir o Estado Social e para tirar os direitos de quem trabalha, lançando desempregados contra trabalhadores, precários contra os que têm emprego garantido, quem recebe salários de miséria contra quem recebe salários justos, trabalhadores do público contra trabalhadores do privado, abrindo assim caminho ao populismo e à extrema-direita.
Os que agora tentam “salvar” a Europa pelo mínimo, justificando-a como um projecto de “paz” , à preservação da qual  tudo se deve submeter e justificar, como a perda de direitos sociais, aumento do desemprego e da  precariedade e aumento das desigualdades, esquecem-se, por um lado, que essa paz só foi preservada graças à inclusão dos direitos socias como bandeira da construção europeia e, por outro, à existência de uma NATO e da coexistência pacífica entre “leste e oeste”.
Aliás, o que aconteceu após o fim da União Soviética, nada abona a favor da capacidade das lideranças europeias em preservar esse projecto de paz, pois, em grande parte por iniciativa ou inércia de alguns países da União Europeia, a Europa conheceu nos últimos anos duas terríveis guerras no seu solo, na ex-jugoslávia e, recentemente na Ucrânia, sem esquecer a responsabilidade das políticas externas do “politburo” de Bruxelas nas guerras do Iraque,da Líbia e da Síria, com as consequências que agora estão a atingir gravemente a Europa através do drama dos refugiados, sem que esses líderes se entendam na resolução desses problemas para a paz europeia.
O generoso projecto da União Europeia precisa urgentemente de se renovar, pegando no seu projecto fundador: mais democracia, mais liberdade, mais cidadania, mais igualdade, mais desenvolvimento, mais subsidiariedade, mais inovação, mais respeito pelas identidades e pelos cidadãos.
São necessárias verdadeiras “reformas estruturais” , não aquelas que apregoam e executam os burocratas do “politburo” de Bruxelas, que estendem essas reformas como mais cortes salariais e nas pensões, nos direitos socias, com destruição do Estado Social e aumento de impostos aos cidadãos para salvar o sector financeiro, os seus privilégios, em nome dos “mercados” que eles temem, mas nos quais participam como executantes, gestores ou accionistas.
Com “Brexit” ou sem “Brexit” esta Europa já estava condenada e só se pode salvar com a democratização das instituições, com um verdadeiro combate à corrupção, com harmonização fiscal, com o fim dos paraísos fiscais no seio do espaço Europeu, com o combate ao dumping social e político praticado à sombra da “Globalização” e na criação de condições para melhorar o bem-estar dos seus cidadãos.
Tudo isto é o contrário do que fazem e defendem as actuais lideranças do “politburo” de Bruxelas e por isso o “Brexit” é apenas mais um momento nesta caminhada de autodestruição do projecto Europeu.
Espero estar enganado.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Eleições em Espanha : uma “vitóriazinha” para o “politburo” de Bruxelas


Numa perspectiva meramente conjuntural, as eleições em Espanha não correram assim tão mal para os defensores da austeridade imposta à Espanha pelo “politburo” de Bruxelas, e diligentemente aplicada pelo “soviete” local do sr Rajoy.

Comparando o terramoto eleitoral de 2015 com esta pequena réplica deste fim-de-semana, a direita, no seu conjunto (PP + “Cidadanos”) aumentou em número de votos e em número de deputados em relação à esquerda (PSOE+ Unido/Podemos).

A direita passou de pouco mais de 10 milhões e 700 mil votos no seu conjunto para pouco mais de 11 milhões.

Por sua vez a esquerda desceu de pouco mais de 10 milhões e 700 mil votos (poucas dezenas de milhar a mais do que a direita em 2015) para pouco menos de 10 milhões e 500 mil votos.

Em número de deputados, a direita no seu conjunto obteve 167 votos (137 do PP + 32 do “Cidadanos”) ficando a 9 votos a maioria absoluta, mais 4 deputados do que nas eleições de 2015 (123 para o PP+40 para o “cidadanos”) e a esquerda perdeu 3 deputados (PSOE desceu de 90 para 85 e o Unidos/Podemos subiu de 69 para 71, não chegando para compensar as descida dos socialistas).

Conjunturalmente o PP parece ter estancado a sua queda abrupta, recuperando mais de meio de milhão de eleitores face a 2015, cerca de 400 mil recuperados aos Cidadanos.

 PSOE continua a sua queda, embora tenha estabilizado e mantido a liderança da oposição de esquerda.
O Podemos não beneficiou da sua aliança com a Esquerda Unida, perdendo quase 150 mil votos, mas consolida-se como uma força para o futuro, à espreita de qualquer deslize do PSOE.

O Cidadanos parece ter iniciado o seu declínio, revelando-se um fenómeno efémero, que apenas serviu para segurar o eleitorado do PP, que estava descontente com este partido, eleitorado esse que começa a regressar ao partido conservador. Quanto muito, talvez ambiciona ser uma espécie de "CDS" espanhol.

Também conjunturalmente Rajoy tem legitimidade para continuar a governar impondo em Espanha as ordens do “politburo” de Bruxelas.

Mas, se analisarmos os resultados de forma mais estrutural, comparativamente com o histórico e, principalmente com o resultado das eleições de 2011, a leitura é bastante diferente.

O que vemos é uma derrocada dos partidos do sistema, com o PP a perder quase três milhões de eleitores entre 2011 e 2016 e o PSOE a perder milhão e meio de leitores no mesmo período.
O Podemos torna-se uma grande força política, fixando mais de cinco milhões de eleitores, mais do que a soma dos votos perdidos pelo PSOE (1,5 milhões) e os votos de 2011 da Esquerda Unida (mais de 1,5 milhões de votos), enquanto o “Cidadanos” absorve os três milhões perdidos pelo PP.

Há ainda que ter em conta a consolidação dos Partidos Nacionalistas, principalmente na Catalunha, fenómeno que se pode tornar problemático, principalmente se o “politburo” de Bruxelas, para se vingar do “Brexit”, decidir apoiar a independência da Escócia, deixando de ter argumentos para travar a independência da Catalunha.

Em Espanha, como na Europa, bem como no “Mundo”, os próximos tempos parecem bastante interessantes, principalmente quando alguns já vaticinavam o “fim da história”.!!!

1955 /1956 – Recordar os anos de glória do “Torreense”

FEIRA DE S.PEDRO EM TORRES VEDRAS


Está a decorrer mais uma vez a centenária Feira de S.Pedro de Torres Vedras.
 
AQUI podem consultar a história e  recordação de outras épocas dessa feira anual.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

"Brexit" : A União Europeia morreu…viva a União Europeia!!!


 
A vitória do “Brexit” foi o desfecho lógico da irresponsabilidade das lideranças não democráticas das instituições europeias nos últimos 15 anos, que tiveram como responsável máximo Durão Barroso.
A vitória do “Brexit” é igualmente o desfecho lógico das “reformas estruturais” impostas aos cidadãos europeus nos últimos anos por instituições europeias sem controle democrático, para salvar o corrupto sistema financeiro, à custa de cortes salariais e nas pensões, desemprego e aumento de precariedade, retirada de direitos socias, degradação do Estado Social e aumento das desigualdades e da pobreza.
A vitória do “Brexit” é ainda o desfecho lógico da legitimação dada pelos políticos da direita europeia ao discurso xenófobo e anti-emigração da extrema direita, e que esses políticos neoliberais integraram nos seus programas e discursos para se salvarem eleitoralmente.
A vitória do “Brexit” não foi a vitória dos defensores deste discurso, porque estes estavam nos dois lados da barricada e a União Europeia, em desespero, já tinha cedido, de forma oportunista e vergonhosa, às propostas de Cameron que íam ao encontro dos desejos da extrema direita britânica em relação a essa matéria. Não foi por isso o problema da emigração que pesou na decisão final, mas o descrédito da União Europeia.
Cameron teve a nobreza de se demitir. Espera-se que os arrogantes e irresponsáveis lideres da “troika” europeia (lideranças nunca legitimadas democraticamente, como as do sr. Tusk, do, Conselho Europeu, do sr. Juncker, da Comissão Europeia, e, o pior de todos, a do sr. Dijssolbloem do Eurogrupo), saibam tira as devidas consequências e se demitam para permitir, não só renovar essas instituições, como contribuir para criara condições de melhor controle democrático das mesmas.
Infelizmente os primeiros sinais dados por essa gente não são os melhores, como o revelam as afirmações, com a arrogância do costume, do presidente do eurogrupo, o “trabalhista” (???) holandês Jeroen Dijssolbloem, afirmando que “a Europa não está em pânico”  (uma afirmação que, analisada por um psiquiatra deve ser lida como uma prova de que, pelo menos quem as declarou, está mesmo em “pânico”) e que, desrespeitando a escolha democrática dos britânicos, a Grã-Bretanha escolheu a “instabilidade”, mas a União Europeia deve “escolher outro caminho” (… nós já conhecemos o “caminho” defendido pelo sr. Dijssolboem!!!) e, a rematar do alto de toda a sua arrogância, conclui que não se deve “aprofundar” e alargar a União Europeia (quando, a saída que resta ao projecto europeu, é aprofundá-lo, social, democrática e economicamente).
A União Europeia e o seu generoso e ambicioso projecto fundador está numa encruzinhada: ou continua a caminhar nas mãos do sr.Juncker, do sr. Tusk, do sr.Dijssolbloem, sob a batuta do sr. Schauble, ou se livra desses burocratas, ao serviço do corrupto poder financeiro europeu relançando, sob novas lideranças, com instituições mais democráticas, os princípios da solidariedade, igualdade, subsidiariedade, aprofundando o Estado Social europeu. Infelizmente não se vislumbram no seio da União Europeia lideres com a envergadura  para recolocarem o projecto europeu nos carris.
Por outro lado, uma das consequências para a Grã-Bretanha vai ser a legitimação dos desejos independentistas internos. Vai ser engraçado ver os líderes europeus, que há apenas uns meses atrás usaram todo o tipo de ameaças e chantagens para combater o desejo de independência da Escócia, alterar agora, de forma oportunista, como de costume,  a sua posição.
A procissão ainda vai no adro, mas a Europa, a partir de hoje, não vai voltar a ser a mesma: ou é o início da sua desintegração, com custos humanos muito elevados, ou é o início de uma nova etapa regeneradora, mas que só pode ser feita varrendo a actual liderança e reformando profundamente o funcionamento das suas instituições…

terça-feira, 21 de junho de 2016

A campanha do "Brexit" em cartoon´s

O Respigo da Semana : sobre o "brexit" : "A União Europeia transformou a Europa num bordel" por José Vítor Malheiros


"A União Europeia transformou a Europa num bordel
Por  José Vítor Malheiros  
 
In Público de 21/06/2016
"Era um dia de Primavera de 1995. Atravessei de carro a ponte sobre o rio Minho, ao pé de Valença, em direcção à cidade galega de Tuy, e não aconteceu absolutamente nada. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida.
"Eu estava habituado a entrar em Espanha depois de parar na fronteira, esperar numa bicha interminável de carros e camiões, mostrar o passaporte, responder a perguntas dos guardas e deixar o carro ser revistado antes de poder seguir caminho. E a travessia desta fronteira despertava sempre recordações de antes do 25 de Abril, onde a espera era ainda mais demorada, as perguntas mais agressivas, os polícias mais desagradáveis e as revistas mais rigorosas, principalmente para os jovens que tinham de apresentar os seus documentos militares em ordem e podiam estar a preparar-se para fugir à guerra colonial.
"Foi por isso que atravessar a ponte e entrar em Espanha sem ver um único polícia, sem ver um posto de fronteira, sem mostrar um documento, foi uma experiência inesquecível.
"Na altura eu era ainda um ingénuo adepto da União Europeia e aquilo era para mim a Europa. Não só a liberdade de circulação, mas a corporização da própria liberdade dos cidadãos, da confiança na sociedade, da cooperação e da solidariedade entre os estados.
"Eu era então, como me considero ainda hoje, um europeu e um europeísta. Nascido entre dois países e duas línguas, educado entre quatro línguas, habituado a desconfiar de todos os nacionalismos, a ideia de uma Europa que transcende os seus países sempre me foi cara.
"É por isso que, na próxima quinta-feira, quando conhecermos os resultados do referendo no Reino Unido, eu espero ardentemente que o resultado seja a vitória do “Brexit”.
"Não porque penso que o Reino Unido vá ficar melhor fora da UE. Não porque pense que a UE vai ficar melhor sem o Reino Unido. Mas apenas porque espero que a saída do Reino Unido seja o choque que irá provocar o abalo político, o exame de consciência e o toque a rebate democrático de que a União Europeia precisa para se reformar de forma radical e para se reconstruir, num formato e com regras diferentes, sob o signo da decência. E não penso que isso seja possível sem uma vitória do “Brexit”.
"O presidente do Parlamento Europeu, o socialista Martin Schulz, já disse: “Seja qual for o resultado [do referendo], teremos necessidade de uma reforma integral da União Europeia com regras claras.” Mas o problema é que já ouvimos dizer a mesma coisa noutras circunstâncias para tudo ficar na mesma. Ouvimo-lo dizer depois da guerra do Iraque, da crise financeira de 2008, da crise das dívidas soberanas, das políticas de austeridade, da crise dos refugiados. Mas sabemos que não podemos acreditar em nada do que sai da boca dos dirigentes da UE.
"A questão é que a UE não é aquela associação entre iguais que nos venderam, empenhada no progresso de todos os países e no bem-estar de todos os cidadãos, no pleno emprego e na segurança dos trabalhadores, na paz mundial e na promoção da democracia.
"A questão é que a UE é apenas uma máscara que disfarça o domínio de um grande grupo de países por um pequeno grupo de países, numa nova forma de ocupação que usa a finança como instrumento de submissão, como antes se usavam tanques.
"A questão é que a UE é uma organização antidemocrática, que não só é governada por dirigentes não eleitos e não removíveis, da Comissão Europeia ao Banco Central Europeu, como construiu ardilosamente uma camisa de forças jurídica, sob a forma de tratados irreformáveis de facto, através da qual manieta e subjuga os Estados-membros e lhes impõe políticas que estes não escolheram, mas não podem recusar.
"A questão é que a UE e as suas instituições se transformaram na tropa de choque do poder financeiro mundial e da ideologia neoliberal e, apesar das suas juras democráticas, impõem a agenda asfixiante da austeridade e proíbem de facto os países de prosseguir políticas nacionais progressistas mesmo quando elas são a escolha democrática dos seus povos.
"A questão é que a UE, autoproclamado clube das democracias e dos direitos humanos, acolhe no seu seio sem um piscar de olhos países que desrespeitam os direitos mais básicos e adopta no plano internacional a Realpolitik de se submeter aos mais fortes, obedecer aos mais ricos e fechar os olhos aos desmandos dos mais agressivos.
"A questão é que a UE perdeu o direito de reivindicar qualquer superioridade moral quando continuou a atirar refugiados para a morte mesmo depois de ter chorado lágrimas de crocodilo sobre a fotografia de uma criança afogada no Mediterrâneo. Hoje, tenho vergonha de pertencer a este clube e não gosto desse sentimento. Será isto isolacionismo? Pelo contrário. O que eu e muitos cidadãos europeus exigimos é a solidariedade entre países que a União se recusa a praticar.
"Há pessoas pouco recomendáveis do lado do “Brexit”? Há. Mas do outro lado também. E na UE não faltam pessoas pouco recomendáveis, a começar pelo senhor Jean-Claude Juncker, símbolo da evasão fiscal e da imoralidade política.
"A questão é que a União Europeia não é a Europa dos valores que sonhámos. A UE capturou essa Europa e transformou-a num bordel. O sonho transformou-se num pesadelo.
"A questão é que a União Europeia se tornou o ninho da serpente e deve ser desmontada peça por peça. Espero que o referendo britânico possa ser o primeiro passo".

sexta-feira, 17 de junho de 2016

As "negociatas" da Banca nos últimos 5 anos custaram ao país 14% do PIB português

Segundo o jornal Público (AQUI), nos últimos cinco anos o BES/Novo Banco, o  BCP, a Caixa Geral de Depósitos e o BPI (não se contabilizam aqui as situações do BPN, do BPP e do Banif), perderam mais de 25 mil  milhões de euros em "imparidades", ou seja, em crédito mal parado e em participações financeiras ruinosas, qualquer coisa como 14% do PIB nacional ou 1/3 do resgate da Troika.
 
Como cidadão com impostos em dia, e a quem já estão a pensar recorres para pagar a "festa", só quero ver clarificadas 3 questões:
 
- Quem foram as pessoas e as empresas envolvidas nessa "imparidade"?;
- Quem foram os administradores e os responsáveis desses bancos pela decisões desastrosas ( senão mesmo  fraudulentas) que conduziram a essa situação?;
-Quais os responsáveis políticos, a nível governamental, a nível do Ministério das Finanças, a Nível do Banco de Portugal, a nível do BCE, a nível da troika por decisões (ou falta delas) que conduziram a mais este desastre financeiro?
 
E depois de essa resposta ser dada aos cidadãos cumpridores, que se avance para os tribunais e, tal como aconteceu na Islândia, se julguem os responsáveis e se abram as prisões para que todos cumpram as respectivas penas, para além de pagarem do próprio bolso a roubalheira pela qua foram responsáveis ...

Uma nova BD portuguesa: "Os Vampiros", de Filipe Melo e Juan Cavia,

BêDêZine: "Os Vampiros", de Filipe Melo e Juan Cavia, uma BD...: A Guerra Colonial marca o ambiente da nova novela gráfica "Os Vampiros", com argumento de Filipe Melo e desenhos de Juan Cavia...(clicar para ler mais).

quarta-feira, 15 de junho de 2016

"Tribunal de Contas: Governo de Passos usou ADSE para maquilhar contas públicas" (in RR)



Todos os dias descobrem-se novas malfeitorias realizadas pelo governo de Passos Coelho.
 
É pena que a incompetência dessa figurinha esteja a enterrar diariamente um partido com a história e a importância do PSD  e que muita gente que está de boa fé com esse partido ainda não tenha percebido que, cada dia que o PSD passa sob a liderança de Passos Coelho, aumentam as hipóteses da "geringonça" sobreviver.
 
Ainda não se convenceram que, se querem regressar um dia ao poder, nunca vais ser com uma liderança tão puco credível  e incompetente como a de Passos Coelho.
 
A notícia foi hoje divulgada pela insuspeita Rádio Renascença:

"O Tribunal de Contas diz que a ADSE pagou indevidamente 29,7 milhões de euros ao Serviço Regional de Saúde da Madeira, em 2015, quando devia ter sido usado dinheiro do Estado. Ou seja, o executivo PSD/CDS usou excedentes do subsistema de saúde dos funcionários públicos para maquilhar as contas e baixar o défice.
"Em causa está um memorando de 2015, em que o Governo de Pedro Passos Coelho autorizou o pagamento ao Serviço Regional de Saúde da Madeira – despesa que devia ter sido satisfeita pela dotação orçamental do Serviço Nacional de Saúde.
 
"O relatório refere mesmo que Hélder Reis, na altura secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, e Manuel Teixeira, da Saúde, poderão ter de repor as verbas em causa. E como o pagamento foi autorizado pelo director da ADSE, diz o Tribunal de Contas, também Carlos Batista pode ter cometido infracção financeira sujeita a sanção.
 
"O Tribunal considera que dois secretários de Estado “comprometeram dinheiros da ADSE para fazer face a uma despesa que é do Estado e que devia ter sido satisfeita pela dotação orçamental do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
 
"O relatório refere que esta situação pode ser considerada uma “eventual infracção financeira susceptível de gerar responsabilidades financeira reintegratória”, ou seja, reposição de verbas por parte dos então secretários de Estado Adjunto e do Orçamento, Hélder Reis, e da Saúde, Manuel Teixeira.
 
"Para o Tribunal este é um exemplo de “instrumentalização do rendimento disponível dos trabalhadores da Administração Pública pelo Governo da República”.
A propósito deste pagamento ao serviço de saúde da Madeira, o tribunal lembra que as instituições do SNS, no Continente e nas Regiões Autónomas, são financiadas por transferências do Orçamento do Estado.
"ADSE precisa de mais contribuições
 
"A ADSE é insustentável a longo prazo e o alargamento da base de contribuintes é condição para a sobrevivência do sistema de protecção dos funcionários públicos, avisa o relatório do Tribunal de Contas.
 
“O alargamento da base de quotizados a novos quotizados líquidos é condição 'sine qua non' para a sobrevivência, a prazo da ADSE", lê-se no documento, divulgado esta quarta-feira pela agência Lusa.
O relatório recorda que, por cada beneficiário que efectua descontos, existem 1,5 beneficiários não contribuintes. E defende que “o eventual alargamento” da base deve “ser decidido pelos e no estrito interesse dos seus quotizados, sem qualquer intervenção da tutela”.
 
"O documento alerta ainda para o risco de “desmantelamento faseado da ADSE”, na sequência do “adiamento sucessivo da decisão sobre a refundação da ADSE, a ausência de explicação sobre o racional do eventual retorno financeiro através de impostos, bem como o recurso a formas de descapitalização”.
 
"O Tribunal de Contas entende como riscos para a sustentabilidade da ADSE a diminuição do número de quotizados e o seu envelhecimento, a concorrência do sector segurador e a administração do sistema por parte dos Governos que a têm instrumentalizado para realizarem as suas políticas financeiras e sociais.
 
"Nas conclusões, a instituição começa por indicar que praticamente nenhuma recomendação formulada no anterior relatório foi acolhida. O aumento da taxa de desconto para 3,5% gerou excedentes, financiados pelos próprios quotizados, que foram e continuam a ser usados para maquilhar as contas públicas.
 
"Apesar de os descontos dos quotizados serem a única fonte de financiamento dos cuidados de saúde, a ADSE permanece dependente de uma gestão exclusivamente pública sem que haja qualquer poder de decisão dos financiadores ou de quem paga as quotas.
 
"No actual modelo de governação da ADSE, o Estado tem vindo, no papel de 'agente', a administrar dinheiros dos quotizados, nem sempre agindo no melhor interesse dos quotizados da ADSE. O Estado deve garantir, no futuro, e enquanto o modelo de governação não for alterado, garantir que os descontos dos quotizados são consignados à sua finalidade", recomenda o Tribunal de Contas".

terça-feira, 14 de junho de 2016

Lisa Kristine fotografou a escravatura moderna

A FORMA E A LUZ: Lisa Kristine fotografou a escravatura moderna: Estima-se que, no mundo, são escravizadas mais de 27 milhões de pessoas, o dobro do número de escravos levados até ao século XIX de Africa para as Américas...(clicar para ler e ver mais).

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Vida de Stº António em Banda Desenhada

BêDêZine: A Vida de Stº António em Banda Desenhada: O jornal Público acaba de lançar mais um álbum de Banda Desenhada.   Trata-se da história da vida de Stº António em BD, da autoria de José Garcês...

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Clic, on the rocks, a primeira publicação torriense totalmente virtual

Um Documentário biográfico sobre Muhammad Ali

 
Nunca fui grande apreciador de boxe.
 
Reconheço ,contudo, queé um dos desportos mais populares e justos, pesem todas as vilanias ligadas ao mundo das apostas e aos dramas humanos relacionados com muitos dos praticantes desse desporto.
 
Há contudo um homem que me habitou a olhar para esse desporto com outros olhos. Chamava-se, quando o "conheci" em míudo, Cassius Clay e mudou o seu nome, mais tarde quando se converteu ao islamismo, para Muhammada Ali.
 
Recordo-me da grande expectativa gerada à volta do "combate do século" contra Joe Frazier, combate que ele perdeu, mas recuperando o título de campeão em 1974, contra outra lenda, George Foreman.
 
Mas foi a sua coragem em ter sido um dos primeiros a denunciar o crime da guerra do Vietname, acto que lhe custou o título e o impediu de praticar o seu desporto, bem como a sua luta pelos direitos cívicos, que granjeou todo o meu respeito e admiração.
 
Ali revelava assim, na vida publica, a mesma coragem revelada nos ringues.
 
Em sua homenagem aqui divulgamos um documentário, em espanhol, sobre a sua atribulada vida:


BêDêZine: Muhammad Ali herói de Banda Desenhada

BêDêZine: Muhammad Ali herói de Banda Desenhada: Uma das facetas menos conhecida de Muhammad Ali,(ou Cassius Clay) foi  a utilização da sua como personagem de  Bandas Desenhadas (ver mais clicando em cima).

segunda-feira, 6 de junho de 2016

domingo, 5 de junho de 2016

SIC : Manipulação Informativa

Sequência do noticiário televisivo da SIC, hoje à hora do almoço:
 
- abertura com manifestação de umas dezenas de apoiantes do direito das escolas privadas a serem subsidiadas pelo Estado, junto ao Congresso do PS, com cartazes de ataque pessoal ou que repetem as bocas de Passo Coelho na véspera (a SIC procura o melhor ângulo para evitar mostrar o reduzido número de manifestantes, rodeados por mais jornalistas que manifestantes, mas a situação é difícil de disfarçar;
 
- repetição da intervenção de Francisco Assis,  já vista "n" vezes desde a noite anterior em todos os noticiários, com imagens da chegada do mesmo ao Congresso do PS (não sei se em directo se da véspera);
 
- o jornalista, em directo, realça a comunicação de Assis, enquanto ao fundo discursa António Arnaut...nem uma palavra sobre a intervenção que ocorre em directo;
 
- repetição da reportagem da véspera sobre um discurso de Passo Coelho, onde propõe aquilo que não fez em quatro anos de governo e onde deu o mote a algumas das frases que estavam na manifestação desse dia do "amarelos" (desta vez apenas de branco);
 
- volta ao congresso do PS para passar, em diferido, reacções de dirigentes do PS às afirmações de Coelho...
 
... e segue para "bingo" (..talvez...para futebol!???, não me lembro..)..
 
Que nojo de informação!!!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Grandes Inundações em Paris. Vai ser batido o record de 1910?

Conforme já tínhamos recordado AQUI, em Janeiro de 1910 o rio Sena galgou as suas margens em Paris, naquelas que foram as maiores cheias históricas na capital francesa, apenas ultrapassadas pelas cheias de ..1658.
 
As cheias de 1910  foram provocadas por três meses de chuvas intensas (que provocaram também grandes cheias em Portugal e em Espanha nos finais de 1909) às quais de juntou o degelo de Janeiro.
 
O máximo da cota atingida pelo Sena registou-se no dia 28 de Janeiro de1910, chegando aos 8,62 metros, muito superior ao máximo previsto para hoje, que será de 6 metros.
 
Mesmo assim Paris prepara-se para umas das maiores cheias da sua história, que terá o seu auge durante o dia de hoje.

Cheias de Paris em 1910, nas páginas da Ilustração Portuguesa 
(n.ºs 206 a 209, entre 31 de Janeiro e 21 de Fevereiro de 1910) . Fonte: Hemeroteca Digital:









OUTRAS FOTOGRAFIAS DAS CHEIAS DE PARIS DE JANEIRO DE 1910
(Fonte: internet):





















 
FOTOGRAFIAS DAS CHEIAS DE 2 e 3 de  JUNHO DE 2016 
(Fonte: imprensa on-line):