terça-feira, 30 de novembro de 2010

No 75º aniversário da Morte de Fernando Pessoa

Recordando Pessoa, por via do poema bem actual do seu heterónimo Alberto Caeiro:

Falas de civilização...



Falas de civilização, e de não dever ser,

Ou de não dever ser assim.

Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,

Com as coisas humanas postas desta maneira,

Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.

Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.

Escuto sem te ouvir.

Para que te quereria eu ouvir?

Ouvindo-te nada ficaria sabendo.

Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.

Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.

Ai de ti e de todos que levam a vida

A querer inventar a máquina de fazer felicidade!


Alberto Caeiro

BARÇA! BARÇA! BARÇA!

Resultado: TALENTO E ARTE - 5 ; ARROGÂNCIA E DINHEIRO A MAIS - 0

Neil Hannon esteve em Lisboa.





Neil Hannon, o mentor dos Divine Comedy, esteve ontem em Lisboa, depois de estar em Guimarães e em Aveiro,para apresentar, a solo, o mais recente álbum da banda.

Citando o Público, “o "songwriter" britânico é o centro do fenómeno Divine Comedy, cuja "pop barroca" tem conseguido fundir um forte culto com o aplauso da crítica e os bons resultados nas tabelas de vendas. "O talento de Neil Hannon para manipular uma melodia surge esplendoroso como sempre", diz a BBC a propósito deste "Bang Goes the Knighthood", editado este ano (já depois de Neil Hannon se ter aventurado no projecto paralelo Duckworth Lewis Method)”.

NO PAÍS DAS MARAVILHAS DE JOSÉ SÓCRATES - 20 - Salários públicos vão ser os mais penalizados da UE

Salários públicos vão ser os mais penalizados da UE - Economia - DN (clicar na frase para ler a notícia)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

QUE RICA CRISE, PÁ!


Mão amiga fez-me chegar este texto, bem revelador da forma como a "crise" é encarada pelas nossas elites políticas....sem comentários:

“José Sócrates é um dos clientes da mais exclusiva (e cara) loja de Beverly Hills, onde só entra um cliente de cada vez, com hora marcada, e todo o staff de empregados ao seu dispor…

"Com direito a nome escrito no vidro da montra, claro!

Vejam a fotografia… Lá está o nome, José Sócrates, só que, a seguir, tem o pouco feliz título de Prime Minister of Portugal! Uma verdadeira afronta!…



"É o primeiro-ministro do país mais atrasado da Europa e líder de um governo que nos conseguiu atirar ainda mais para a cauda da Europa e atolar-nos em dívidas no estrangeiro até, pelo menos, ao ano 2050!!!

"Soube-se agora, pelo jornal online i, que o nosso dandy, é cliente de uma das lojas mais caras do mundo!… Sim, sim! O primeiro ministro português, que declara às Finanças ser um “teso” que só ganha 5 mil euros por mês, tem o seu nome escrito na montra da loja de novos ricos, da rua Rodeo Drive, (já de si uma rua cheia de lojas hiper luxuosas) em Beverly Hills (Los Angeles), Califórnia, o preço de cada fato lá confeccionado é só de 37 mil euros e só atende um cliente de cada vez.

"Muito bem Sócrates! Assim não admira que esteja tudo porreiro, pá…

"A loja encontra-se no número 420 de Rodeo Drive, em Beverly Hills. Só recebe um cliente de cada vez, com hora marcada, e conta com Vladimir Putin, Bill Clinton, Steven Spielberg, Larry King, Sir Elton John, Al Pacino, Robert de Niro e José Sócrates, “prime minister of Portugal”, na sua exclusiva lista de clientes.

"Segundo o site LosAngeles.com nesta loja um par de meias custa 50 dólares (37 euros) e um fato completo pode chegar aos 50 mil dólares (37 mil euros), valores que lhe valeram o rótulo de “loja mais cara do mundo” segundo os recortes de imprensa publicados no site da House of Bijan.

"Esta loja é de Bijan Pakzad, estilista iraniano nascido em 1944, que abriu a House of Bijan em 1976. “Bijan trata dos mais ricos”, titula um artigo do Los Angeles Times sobre a loja frequentada por Sócrates. “Rua dos grandes gastadores”, diz por sua vez a Time sobre Rodeo Drive. “Ele veste os mais ricos” diz um perfil sobre o estilista publicado no jornal USA Today”".

in AINANAS.COM. Fonte: Jornal i

domingo, 28 de novembro de 2010

...FRIO A SÉRIO

S. Petersburgo, na Rússia...o inverno está a chegar (já estive nesta praça,... mas estavam 30 graus):

(Fotografia de Alexander Demianchuk/Reuters)

NO PAÍS DAS MARAVILHAS DE JOSÉ SÓCRATES - 19 - Emigraram 700 mil portugueses na última década


Emigraram 700 mil portugueses na última década - Portugal - DN (clicar na frase para ler a notícia).

...fosse mais novo e sem compromissos era o que eu fazia...este país com esta gente que nos governa, e agachado ao mando da srª Merkel não tem grande futuro...

SACANAS SEM LEI - 10 - Divida da milhões dá lucro à Banca


Divida da milhoes de lucro a Banca (clicar sobre a frase para ler conteúdo)

Já por cá se sabia para onde vão os nossos impostos e os cortes nos nossos ordenados...para ajudar a banca, responsável pelas medidas de "austeridade" provocadas pela crise por ela alimentada, e aumentar os seus lucros...

O RESPIGO DA SEMANA - Mário Crespo: "Devem-me Dinheiro"

O meu amigo Mário Rui Rodrigues, fez-me chegar este elucidativo texto de Mário Crespo:


"DEVEM-ME DINHEIRO



"José Sócrates em 2001 prometeu que não ia aumentar os impostos. E aumentou.

Deve-me dinheiro.

António Mexia da EDP comprou uma sinecura para Manuel Pinho em Nova Iorque. Deve-me o dinheiro da sinecura de Pinho. E dos três milhões de bónus que recebeu. E da taxa da RTP na conta da luz. Deve-me a mim e a Francisco C. que perdeu este mês um dos quatro empregos de uma loja de ferragens na Ajuda onde eu ia e que fechou. E perderam-se quatro empregos. Por causa dos bónus de Mexia. E da sinecura de Pinho. E das taxas da RTP.

Aníbal Cavaco Silva e a família devem-me dinheiro. Pelas acções da SLN que tiveram um lucro pago pelo BPN de 147,5 %. Num ano.

Manuel Dias Loureiro deve-me dinheiro. Porque comprou por milhões coisas que desapareceram na SLN e o BPN pagou depois. E eu pago pelo BPN agora. Logo, eu pago as compras de Dias Loureiro. E pago pelos 147,5 das acções dos Silva.

Cavaco Silva deve-me muito dinheiro. Por ter acabado com a minha frota pesqueira em Peniche e Sesimbra e Lagos e Tavira e Viana do Castelo. Antes, à noite, viam-se milhares de luzes de traineiras. Agora, no escuro, eu como a Pescanova que chega de Vigo. Por isso Cavaco deve-me mais robalos do que Godinho alguma vez deu a Vara. Deve-me por ter vendido a ponte que Salazar me deixou e que eu agora pago à Mota Engil.

António Guterres deve-me dinheiro porque vendeu a EDP. E agora a EDP compra cursos em Nova Iorque para Manuel Pinho. E cobra a electricidade mais cara da Europa. Porque inclui a taxa da RTP para os ordenados e bónus da RTP. E para o bónus de Mexia.

A PT deve-me dinheiro. Porque não paga impostos sobre tudo o que ganha. E eu pago. Eu e a D. Isabel que vive na Cova da Moura e limpa três escritórios pelo mínimo dos ordenados. E paga Impostos sobre tudo o que ganha. E ficou sem abonos de família. E a PT não paga os impostos que deve e tenta comprar a estação de TV que diz mal do Primeiro-ministro.

Rui Pedro Soares da PT deve-me o dinheiro que usou para pagar a Figo o ménage com Sócrates nas eleições. E o que gastou a comprar a TVI.

Mário Lino deve-me pelos lixos e robalos de Godinho. E pelo que pagou pelos estudos de aeroportos onde não se vai voar. E de comboios em que não se vai andar. E pelas pontes que projectou e que nunca ligarão nada.

Teixeira dos Santos deve-me dinheiro porque em 2008 me disse que as contas do Estado estavam sãs. E estavam doentes. Muito. E não há cura para as contas deste Estado.

Os jornalistas que têm casas da Câmara devem-me o dinheiro das rendas. E os arquitectos também. E os médicos e todos aqueles que deviam pagar rendas e prestações e vivem em casas da Câmara, devem-me dinheiro.

Os que construíram dez estádios de futebol devem-me o custo de dez estádios de futebol.

Os que não trabalham porque não querem e recebem subsídios porque querem, devem-me dinheiro. Devem-me tanto como os que não pagam renda de casa e deviam pagar.

Jornalistas, médicos, economistas, advogados e arquitectos deviam ter vergonha na cara e pagar rendas de casa. Porque o resto do país paga. E eles não pagam. E não têm vergonha de me dever dinheiro.

Nem eles nem Pedro Silva Pereira que deve dinheiro à natureza pela alteração da Zona de Protecção Especial de Alcochete. Porque o Freeport foi feito à custa de robalos e matou flamingos. E agora para pagar o que devem aos flamingos e ao país vão vendendo Portugal aos chineses. Mas eles não nos dão robalos suficientes apesar de nos termos esquecido de Tien Amen e da Birmânia e do Prémio Nobel e do Google censurado. Apesar de censurarmos, também, a manifestação da Amnistia, não nos dão robalos. Ensinam-nos a pescar dando-nos dinheiro a conta gotas para ir a uma loja chinesa comprar canas de pesca e isco de plástico e tentar a sorte com tainhas. À borda do Tejo. Mas pesca-se pouca tainha porque o Tejo vem sujo. De Alcochete.

Por isso devem-me dinheiro. A mim e aos 600 mil que ficaram desempregados e aos 600 mil que ainda vão ficar sem trabalho. E à D. Isabel que vai a esta hora da noite ou do dia na limpeza de mais um escritório. Normalmente limpa três. E duas vezes por semana vai ao Banco Alimentar. E se está perto vai a um refeitório das Misericórdias. À Sexta come muito. Porque Sábado e Domingo estão fechados. E quando está doente vai para o centro de saúde às 4 da manhã. E limpa menos um escritório. E nessa altura ganha menos que o ordenado mínimo.

Por isso devem-nos muito dinheiro. E não adianta contratar o Cobrador do Fraque. Eles não têm vergonha nenhuma. Vai ser preciso mais para pagarem. Muito mais. Já.

Mário Crespo

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Renasceu a Lisboa antes do terramoto


Renasceu a Lisboa antes do terramoto - Sociedade - PUBLICO.PT (clicar na frase para ler notícia e ver o video)

O Museu da Cidade de Lisboa tem disponivel uma instalação em 3D que faz um levantamento rigoroso e exaustivo da cidade antes do sismo que a destruiu em 1755.
O Público disponibiliza um video sobre o mesmo, que pode ser consultado clicando na frase de cima.

Há 35 anos: 25 de Novembro: E se tivesse sido ao contrário?

25 de Novembro: E se tivesse sido ao contrário? - Portugal - DN (clicar na frase para ler a notícia)

Há 35 anos, como tem sido meu “hábito” ao longo da vida, estava no lado errado da história.

Claro que nessa altura já não tinha grandes ilusões sobre o desfecho da “revolução” de Abril. Desde o verão desse ano que já não se lutava por ideais ou por uma sociedade mais culta e mais justa, mas apenas pelo poder.

A esquerda dividia-se em grupos e grupinhos, o PCP começava a abandonar o barco e só lá andava para controlar qualquer iniciativa popular que lhe pudesse fugir ao controle. O PS já se tinha “vendido” ao sr. Carlucci.

Com a distancia do tempo passado devo dizer : ainda bem que o desfecho do 25 de Novembro foi o que aconteceu: os sectores moderados do MFA (grupo dos 9) conseguiram controlar o desejo de sangue por parte dos sectores mais radicais (Jaime Neves e outros), Otelo travou o avanço das tropas sob seu comando, evitando um banho de sangue e, eventualmente, a Guerra Civil, e Costa Gomes revelou-se como um elemento fundamental no equilibro de tensões.

O bom senso acabou por imperar, a democracia, mesmo coxa e muito imperfeita, consolidou-se e o país conheceu alguma estabilidade que lhe permitiu, como todos os indicadores sociais o comprovam, algum desenvolvimento que nos colocou perto da prosperidade.

Claro que o neo-liberalismo dos anos 80-90 e a corrupção política que se seguiu e a ele se associou, não deixou que o país se desenvolvesse como gostaríamos.

Hoje estamos mal, mesmo muito mal, mas estaríamos ainda pior se o desfecho desse dia de há 25 anos tivesse sido diferente do que foi.

A Greve, O Comentador e a Ministra...

(Foto: "Esquerda net")

A forma como muitos comentaram ou reagiram a esta Greve Geral é bem sintomática da imbecilidade que norteia o pensamento dominante de muitos comentadores, políticos e economistas.

Camilo Lourenço, por exemplo, considera, num dos mais descarados elogios à chantagem patronal sobre quem trabalha, que os trabalhadores portugueses são “mais inteligentes do que os sindicalistas” porque “se tiverem de fazer cedências para não perder o emprego fazem mesmo” (sic!). Pudera, não?! (se apontarem uma pistola à cabeça do sr. Camilo ele dirá e fará tudo aquilo que lhe pedirem, o que não quer dizer que concorde ou se torne amigo do “pistoleiro”!).

Pergunta ele igualmente, com o desdém e a arrogância que as suas afirmações sempre revelaram em relação ao mundo do trabalho, em que século vive Carvalho da Silva. Eu não sei, mas o sr. Camilo Lourenço aterrou no século XIX, e daí não sai.

Salienta ainda esse mesmo comentador que “o país não se muda com radicalismos”.

Uma greve geral, que se realizou de forma ordeira, como não se vê na Grécia, na França, em Espanha ou mesmo em Inglaterra (não viu as imagens da manifestação juvenil em Londres ocorrida também ontem?) é uma manifestação de “radicalismo”? As “lentes” do sr. Camilo andam a precisar de limpeza.

Aliás, se andasse pela rua a ouvir as pessoas, talvez percebesse que o que muitos acusam os sindicatos é , pelo contrário, o de serem demasiado passivos e brandos face à roubalheira institucional dos “PEC´s” e dos “mercados” . Ao contrário dos sindicatos responsáveis, essa mesma opinião da rua defende cada vez mais formas, essas sim, verdadeiramente “radicais”, de luta e resistência ao “estado a que isto chegou”. “Deus” nos livre, e ao sr. Camilo e aos seus “amigos” do meio financeiro, de a “revolta” fugir ao controle dos sindicatos.

Se isto acontecer, e aconteceria mais rapidamente e de forma mais violenta se não houvesse o “escape” das greves e manifestações enquadradas e organizadas pelos sindicatos que o sr. Camilo tanto despreza e abomina, o sr. Camilo e companhia terão de enfrentar uma reacção verdadeiramente radical às suas diatribes em defesa do assalto que os seus “queridos” “mercados” estão a fazer ao bolso dos trabalhadores e dos contribuintes.

Aliás, o único “radicalismo” desta greve foi preconizada por um zeloso administrador de um Intermarché, provavelmente grande admirador das opiniões do sr. Camilo, que, agindo como uma espécie de “braço armado” da ideologia do sr. Camilo, de arma e automóvel em riste , investiu contra um piquete de greve.

Mas a imbecilidade não se ficou pelo artigo de opinião do sr. Camilo Lourenço publicada na edição de 24 de Setembro do “Jornal de Negócios”.

A sr. Ministra do Trabalho fez o favor de nos dar o seu contributo, congratulando-se pelo facto da greve ter tido “pouco significado no sector privado”, tentando provar os “baixos níveis” de participação na greve com a conta da luz (segundo ela, os dados sobre a energia gasta durante o dia não teriam conhecido qualquer alteração em relação a um dia normal, o que seria a prova da sua opinião!!!!).

Não vejo a razão de tanto contentamento. O desfasamento dos números da greve entre o sector privado e o público não se deve ao facto dos trabalhadores do sector privado estarem de acordo ou contentes com as medidas governamentais, mas tão somente ao medo e á precariedade.

O medo desses trabalhadores em fazer greve deve-se ao facto da chantagem de patrões pouco escrupulosos sobre os seus assalariados, violando direitos consignados na Constituição e na Declaração dos Direitos do Homem, facto que, em vez de alegrar a srª ministra, a devia preocupar.

É de facto muito mais fácil despedir no sector privado do que no sector público, e a adesão a uma greve pode pesar nessa decisão, mercê também da crescente precariedade do emprego nesse sector (cerca de 30% do trabalho em Portugal é precário …!!) Isto não devia preocupar igualmente uma ministra, ex-sindicalista e de um governo que se diz “socialista”?

Por último, o grande número de desempregados é um factor que acentua o medo de todos aqueles que têm emprego e que facilita todo o tipo de chantagens sobre estes.

Perante isto, como se justifica tão grande contentamento revelado pela srª ministra perante os “fracos níveis de adesão” no sector privado?

E já agora, se os números de adesão à greve apresentados pelo governo, por hipótese, fossem verdadeiros, acho que este teria grande motivo para se preocupar, porque revelaria que a revolta dos cidadãos, não se manifestando de forma ordeira e legal, em greves ou manifestações, ficaria contida, à espera de explodir, de forma espontânea e violenta quando e do modo que menos se esperar.

…vejam lá mas é se ganham juízo e não brincam com o drama social e económico de milhões de portugueses!

Imagens da Revolta dos Estudantes Ingleses














Dia de Greve Geral em Portugal, foi também dia de Manifestações estudantis em Londres. Estas são algumas das imagens divulgadas pelo Guardian.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010