domingo, 30 de agosto de 2009

Um Aviso a ter em conta...


Lembram-se dos comentadores do sistema afirmarem, quando a crise começou, que esta beneficiaria quem estivesse no poder, porque as pessoas queriam estabilidade?
Hoje, duas eleições diferentes desmentiram tais previsões.
Enquanto no Japão o partido Liberal, no poder há 50 anos, sofreu uma pesada derrota eleitoral, na Alemanha o partido da chanceler Angela Merkel sofreu um forte revês nas eleições regionais da Turingia e do Sarre, perdendo a maioria absoluta que aí detinha.
O partido Social Democrata Alemão manteve uma votação idêntica à que detinha nessas regiões.
O partido “A Esquerda”, liderado por Oskar Lafontaine, que aglutina o antigo Partido Comunista do Leste e os dissidentes do PSD, foi o que mais aumentou a sua votação, obtendo mais de 20% dos votos naquelas regiões.
O Partido Liberal conheceu igualmente uma subida significativa
Ao contrário do que vaticinavam os nossos comentadores de serviço, parece que, um pouco por todo o mundo democrático, os eleitores recusam cada vez mais do mesmo e reforçam a verdadeira esquerda.

sábado, 29 de agosto de 2009

Perpignan - Começa hoje o "VISA pour L'Image" - Festival Internacional de Fotojornalismo

Começa hoje, na cidade francesa de Perpignan, e prolonga-se até ao próximo dia 13 de Setembro, o prestigiado Festival Internacional de Fotojornalismo "VISA pour L'Image".
Debates, exposições e a entrega de 7 prestigiados prémios de fotojornalismo vão marcar mais um ano do mais importante festival dedicado a esse género fotográfico.
Alguns dos mais importantes profissionais dessa àrea da fotografia vão estar presentes. As sessões e exposições são de entrada gratuita.
Um dos momentos mais interessantes vai ser a projecção das imagens mais marcantes dos acontecimentos mundiais que tiveram lugar entre Setembro de 2008 e Agosto de 2009.
Serão ainda recordadas as imagens de algumas das efemérides deste ano, como o centenário do Jazz, a crise de 1929, a chegada do homem à Lua, em 1969, ou a Revolução Iraniana em 1979.
Par acompanhar mais de perto este festival, cliquem AQUI

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Cartilha de Hospedagem Portuguesa"

Encontrei esta pequena relíquia num antiquário presente na Feira Rural de Torres Vedras, já alguns anos.
Editado a cores, intitula-se “Cartilha de Hospedagem Portuguesa” e foi editada pelo Secretariado da Propaganda Nacional em Abril de 1941 “da era de Cristo e 15 da era do Portugal Renascido”.
O objectivo desta “cartilha”, editada pelo organismo titulado por António Ferro, enquadra-se na sua preocupação de “modernização” dos costumes para melhor servir a propaganda do Estado Novo. Nela incluem-se “adágios novos para servirem a toda a hospedaria que não quizer perder a freguezia”.
Estamos no início do desenvolvimento do turismo, mas, talvez mais do que isso, talvez se procurasse responder à procura do país por parte de refugiados ao nazismo, então dominante na Europa, que por cá se hospedavam até poderem abandonar o continente.
Os “dizeres”, escritos em quadra por Augusto Pinto, eram ilustrados, de forma pedagógica, por Emmérico Nunes.
Emmerico Nunes era um dos mais destacados autores de ilustrações humorísticas, um pioneiro da Banda Desenhada portuguesa, criador, entre outras, em 1915, da série "Quim e Manecas" no Século Cómico, série que manteve até 1953.
Nascido em Lisboa, em 6 de Janeiro de 1888, de pai português e mãe alemã, iniciou-se na ilustração apenas com dez anos no semanário humorístico “A Risota”.
Estudou na Escola de Belas-Artes de Lisboa, sendo aconselhado por Malhoa a ir estudar arte para Paris, para onde parte em 1906.
Nessa cidade frequenta a Académie Julien e conclui os estudos na École des Beaux-Arts.
Percorre a Europa em 1910: Inglaterra, Holanda e Bélgica. Acompanha-o Manuel Bentes, um dos expoentes do primeiro modernismo português.
Em Lisboa participará, com as suas caricaturas, nas primeiras exposições modernistas.
Divide a sua vida entre a Alemanha e Portugal, regressando com a Guerra.
Voltará à Alemanha depois de terminada a Guerra.
Será colaborador do ABC-ZINHO, jornal infantil dirigido por Cottineli Telmo.
Regressará definitivamente a Portugal por recear o crescimento do nazismo na Alemanha.
Em 1926 começa a colaborar na "Ilustração"e no "Magazine Bertrand" .
Tal como muitos modernistas portugueses, acaba a colaborar nas actividades artísticas promovidas pelo Secretariado da Propaganda Nacional, fundado em 1933 e dirigido por António Ferro.
É assim que integra a equipa de decoração do pavilhão português na Exposição Universal de França, colabora no pavilhão nacional na Feira Internacional de Nova Iorque e participa na Exposição do Mundo Português, em 1940.
É neste contexto que colabora nesta “cartilha” para educar as boas maneiras entre as hospedagens portuguesas.
Faleceu em Janeiro de 1968, em Sines.

"Cartilha de Hospedagem Portuguesa"

 

"Cartilha de Hospedagem Portuguesa"

"Cartilha de Hospedagem Portuguesa"

"Cartilha de Hospedagem Portuguesa"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

UM LOUVOR À CORAGEM POLÍTICA DE MOITA FLORES

Louve-se a coragem de Moita Flores.
O autarca do PSD atribuiu ontem a medalha de ouro da cidade de Santarém ao primeiro-ministro José Sócrates.
Moita Flores assumiu publicamente uma realidade e uma atitude que muita gente do PSD só não assume, ou por falta de coragem política, ou por sectarismo político.
Essa realidade é o facto de o actual governo do PS ter posto em prática muitas das políticas e ideias que o PSD e a direita há muito preconizam para Portugal.
Daí a dificuldade do PSD em demarcar-se deste PS.
Leiam-se muitos dos artigos ou oiçam-se muitas das opiniões de António Borges, de Manuela Ferreira Leite, ou mesmo de Pacheco Pereira, nos últimos quatro anos, antes de se prever que estivessem hoje na posição em que estão no PSD, onde defenderam, de modo mais ou menos claro e directo, as políticas deste governo na educação, no funcionalismo público, no trabalho, na segurança social ou na economia, para se perceber o entusiasmo com que seguiram a “política reformista” de José Sócrates.
Claro que, desde há cerca de um ano para cá, com as mudanças políticas no PSD, a crise económica e a falência do neo-liberalismo, mudaram o seu discurso.
O próprio José Sócrates mudou o seu discurso, ao perceber que só pode vencer se conquistar votos à esquerda e que já não rende o discurso neo-liberal. Mas as suas políticas aí estão para desmentir o seu travestismo político de pendor eleitoralista.
Louve-se portanto a coragem e a coerência de Moita Flores, assumindo publicamente o agradecimento das elites económicas e políticas do PSD pelas políticas de José Sócrates.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Há 400 anos - o telescópio de galileu que nos tornou mais humanos

No dia 25 de Agosto de 1609 Galileu Galilei apresentou, ao Senado de Veneza, um telescópio construído por si, baseado noutro que tinha surgido, um ano antes, na Holanda.
A qualidade das lentes desse telescópio permitiu a Galileu descobrir as luas de Júpiter, em 1610, e observar atentamente a Lua e o espaço, contribuindo para divulgar e aprofundar a teoria heliocêntrica defendida por Copérnico no século anterior.
As observações feitas com esse “simples” invento tornaram irreversível a aceitação científica dessa nova visão do mundo.
Devemos a esse facto, que hoje comemora 400 anos, a forma como nos olhamos e olhamos o universo á nossa volta.

Tanto cinismo já cansa...

O cinismo de José Sócrates, em relação aos professores, não tem limites.
Ao ser confrontado com a estranha rapidez com que os índices do insucesso escolar caíram em Portugal, o primeiro-ministro, ladeado pela srª ministra da educação, declarou que quem disser que os “bons resultados” se devem ao facilitismo das medidas tomadas, “está a insultar os professores”.
Só que, se há de facto facilitismo, como o comprovam várias associações de professores e os próprios profissionais no terreno, ele deve-se a três situações:
- aos programas escolares, cada vez mais reduzidos ao mínimo denominador comum, no que respeita aos conteúdos, elaborados pelo ministério, sem consultar os professores;
- aos exames, elaborados num gabinete do ministério criado para esse efeito, feitos a pensar nas estatísticas, mais uma vez sem ouvir ou consultar os professores envolvidos com turmas em anos de exame;
- às dificuldades burocráticas criadas a quem considere necessário a “retenção” de algum aluno.
Com aquela frase, Sócrates insinua indirectamente que, se se comprovar o dito facilitismo, tal se deve aos professores, uma frase habilidosa que inverte o ónus do descalabro que tal facilitismo e a respectiva política educativa, elaborada para as estatísticas, para a propaganda e para a demagogia, irão provocar a prazo, nos resultados qualitativos da educação portuguesa.
Pode ser que engane muitos eleitores. Espero que não engane os próprios professores.
Coragem, que só falta um mês para nos vermos livres desta gente.

domingo, 23 de agosto de 2009

NA MINHA AUSÊNCIA

Pois é.
Estou de regresso.
Sobrevivi a mais uma aterragem de avião sobre os prédios de Lisboa. Esta é uma das raras ocasiões em que quase me converto ao cristianismo. Algumas vezes até recorro ao islamismo ou ao budismo, até ao xamanismo (não preciso de recorrer ao judaísmo porque já tenho uma costela de judeu, como se comprova pelo apelido).
Depois, quando o avião se endireita na pista, volto a ser o ateu arrogante e empedernido de sempre.
Agora vão ter de me aturar mais um ano.
Muitas coisas se passaram em Portugal e no mundo durante esta nossa ausência da blogosfera.
De Zeca a Solnado
Por cá, o mês de Agosto começou com uma efeméride e uma grande perda.
Se fosse vivo, José Afonso teria feito 80 anos no passado 2 de Agosto.
Distraídos com a política “pimba” nacional, a efeméride quase passou despercebida.
Ignobilmente um dos mais criativos músicos portugueses continua ignorado nas rádios (não todas…) e nas televisões.
Poucos dias depois dessa data, em 8 de Agosto, deixava-nos um outro grande nome das artes em Portugal, Raul Solnado.
Tal como o Zeca, Solnado é uma daquelas figuras que nos custa acreditar que já não andam no meio de nós, talvez porque a sua criatividade seja intemporal.
Lembro-me do Raul Solnado desde que me conheço.
O meu pai coleccionou quase todos os “singles” em vinil com as rábulas de Solnado, que ouvi com deleite, dezenas de vezes, durante a minha infância e juventude.
Recordo-me bem de, no Zip Zip, ainda criança, aguardar com impaciência o momento protagonizado por Raul Solnado.
A colecção de “45 rotações” do meu pai servia ainda para calar o Salazar, o Américo Tomaz e o Marcelo Caetano. Cada vez que algum destes figurões aparecia a discursar na televisão, o meu pai retirava o som do aparelho e colocava um disco do Solnado.
Era divertidíssimo ouvir um daqueles “gabirus” , de ar sério e solene, a “debitar” as histórias do Solnado.
Hoje , a esta distância, surpreende-me como é que a censura deixava passar as “histórias” do Solnado.
Raul Solnado marcou a primeira grande ruptura no humor português, até então ainda muito marcado pela comédia dos anos 40 ou pelo “teatro de revista”.
Ele foi o grande pioneiro que abriu as portas a outras grandes rupturas desse género artístico, como aquelas que foram protagonizadas por Herman José, pelos “Gatos Fedorentos” ou, mais recentemente, pelos “Contemporâneos”.
Do Humor à “ignóbil porcaria”
Mal humorada, tem andado a política indígena.
A “ignóbil porcaria”, ou a “porca da política” (citando o Rafael Bordalo Pinheiro), tem andado muito ocupada em inventar casos, descobrir conspirações ou lançar suspeitas.
Um dos casos mais ridículos que atravessou todo o mês de Agosto foi a “recomendação” da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) para que fossem suspensos os espaços de debate ou as colunas de opinião nos órgãos de comunicação social, onde os seus comentadores ou colunistas sejam candidatos a qualquer cargo nas próximas eleições legislativas e autárquicas.
Uma recomendação ridícula, atentatória da liberdade de opinião e que faz dos eleitores uma imagem de menoridade intelectual.
Quanto a mim, mais grave do que o espaço público de que dispõem alguns candidatos assumidos, é a profusão de “opinadores” , disfarçados de independentes ou especialistas, que, disfarçadamente, procuram levar a agua ao seu moinho direitista e neo-liberal.
Num ponto percebo as preocupações da ERC: entre a maioria dos comentadores e colunistas pontificam os “agentes ideológicos” do centrão, com inclinação para a direita.
Esta polémica passou para segundo plano quando apareceu outro caso ridículo: as presumíveis escutas feitas à presidência da república.
E ainda a “procissão vai no adro”!
É caso para dizer, “santo” Obama e “santa” Europa nos valham, que por cá os nossos políticos andam com pobreza de espírito a mais para nos tirarem da crise e da decadência.