terça-feira, 31 de março de 2009

Comunicação do Procurador Geral da República - capítulo 2

“COMUNICADO
Face às notícias amplamente divulgadas pela Comunicação Social sobre o chamado caso “Freeport”, após reunião com os magistrados titulares do processo e a Directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, considera-se necessário esclarecer o seguinte:

Os Magistrados titulares do processo estão a proceder à investigação com completa autonomia, sem quaisquer interferências, sem pressões, sem prazos fixados, sem directivas ou determinações, directa ou indirectamente transmitidas, obedecendo somente aos princípios legais em vigor;

Como os Magistrados titulares do processo expressa e pessoalmente reconheceram, não existe qualquer pressão ou intimidação que os atinja ou impeça de exercerem a sua missão com completa e total serenidade, autonomia e segurança;

A existência de qualquer conduta ou intervenção de magistrado do Ministério Público, junto dos titulares da investigação, com violação da deontologia profissional, está já a ser averiguada com vista à sua avaliação em sede disciplinar e idêntico procedimento será adoptado relativamente a comportamentos de magistrados do Ministério Público que intencionalmente e sem fundamento, visem criar suspeições sobre a isenção da investigação;

A investigação prossegue com a inquirição de todas as pessoas que os magistrados considerarem necessárias, com a análise de todos os fluxos e contas bancárias com relevância, bem como com o exame da documentação atinente, nacional e estrangeira;

Todos os elementos de prova serão analisados e todas as informações estudadas, sem qualquer limitação para além daquelas que a equipa de investigação entender decorrerem da lei;

Tem sido correcta, eficaz e dedicada a colaboração dos Órgãos de Polícia Criminal, esperando-se uma cooperação igualmente frutuosa das autoridades de outros países a quem foi solicitada, de harmonia com as leis que regem as relações internacionais;

Fracassarão todas e quaisquer manobras destinadas a criar suspeições e a desacreditar a investigação, bem como as tentativas de enfraquecer a posição do Ministério Público como titular do exercício da acção penal ou a enfraquecer a hierarquia legalmente estabelecida para o Ministério Público, atenta a firme determinação da equipa de investigação de chegar à verdade última do processo e tornar conhecidos todos os factos, logo que isso seja possível;

O Procurador-Geral da República e a Directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal têm completa e total confiança em toda a equipa de investigadores, designadamente nos elementos da Polícia Judiciária, que colaboram, como foi transmitido ao seu Director Nacional.

Lisboa, 31 de Março de 2009

O Procurador-Geral da República

(Fernando José Matos Pinto Monteiro)”

O Comunicado do sr. Procurador até podia ter sido esclarecedor, não fosse o teor dos 3º e 7º pontos.
“ (…) 3º - A existência de qualquer conduta ou intervenção de magistrado do Ministério Público, junto dos titulares da investigação, com violação da deontologia profissional, está já a ser averiguada com vista à sua avaliação em sede disciplinar e idêntico procedimento será adoptado relativamente a comportamentos de magistrados do Ministério Público que intencionalmente e sem fundamento, visem criar suspeições sobre a isenção da investigação;
“(…)
“ 7º Fracassarão todas e quaisquer manobras destinadas a criar suspeições e a desacreditar a investigação, bem como as tentativas de enfraquecer a posição do Ministério Público como titular do exercício da acção penal ou a enfraquecer a hierarquia legalmente estabelecida para o Ministério Público, atenta a firme determinação da equipa de investigação de chegar à verdade última do processo e tornar conhecidos todos os factos, logo que isso seja possível (…)”

A quem são dirigidos? Para mim parece-me visar o presidente do sindicato dos magistrados.
Mas o tom velado e não assumido, cheio de insinuações, que está a marcar o estilo do sr. Pinto Monteiro, só contribui para adensar todo o mistério.
Por favor, trabalhem e esclareçam rapidamente o assunto e deixem-se de tantas teorias da conspiração, argumentando, por tudo e por nada, com as “manobras”, “suspeições” ou porque não, já agora, com as “campanhas negras”.
Quantos às perguntas que fazíamos hoje de manhã, ficámos na mesma !

Comunicação do Procurador Geral da República

Como cidadão, da anunciada comunicação do sr. Pinto Monteiro, só quero respostas para as seguintes questões:
Há pressões sobre a investigação do Freeport?
Se Sim, por parte de quem? e que atitude vai tomar?
Se Não, vai processar o novo presidente so sindicato dos magistrados por difamação?
Concorda ou não com o rápido arquivamento da investigação sobre o caso?
Se Sim, com base em que argumentos?
Se Não, que medidas vai tomar para um desfecho célere desse caso?
Se nada disto for esclarecido, se nos depararmos com mais retórica e frases inigmáticas, estamos falados sobre a competência do sr. procurador...

120 anos da Torre Eiffel





Nos 120 anos da Torre Eiffel

Há 120 anos, no dia 31 de Março de 1889, era inaugurada a Torre Eiffel.
Projectada pelo engenheiro que lhe deu o nome, Gustave Eiffel (1832-1923), foi projectada para integrar a Exposição Universal que se realizou esse ano em Paris.
Inicialmente, era para ser um edifico temporário, mas tornou-se no ex-líbris da “cidade luz”, apesar de muito ter escandalizado os espíritos esclarecidos da época. Conta-se que Guy Maupassant desviava o seu caminho para não a ver.
Até à inauguração do Empire State Building deNova Iorque, em 1931, a Torre Eiffel, com mais de 270 metros (324 metros, se incluir a altura da antena), foi o mais alto edifício do mundo.
Eiffel foi o expoente máximo da chamada arquitectura do ferro e foi igualmente responsável pela construção da Estátua da Liberdade.
Se a torre parisiense é a obra mais conhecida daquele engenheiro francês, foi em Portugal que realizou a sua primeira grande obra, a Ponte Ferroviária de D. Maria, no Porto, projectada em 1868 e construída entre 1876 e 1877. Para acompanhar esta obra, Eiffel permaneceu estes dois anos em Portugal.
No nosso país construi igualmente a ponte ferroviária sobre o rio Lima, em Viana do Castelo, inaugurada em 1878 e o elevador de Stª Justa, em Lisboa, inaugurado em 1902, este com base no projecto do seu discípulo Raul Mesnier de Ponsard.

120 anos da Torre Eiffel






segunda-feira, 30 de março de 2009

Paris vista da Torre Eiffel

Vista para Oeste
Visa para Este - destaca-se os Inválidos, construido por Luis XIV no século XVII, edifício neo-clássico que serviu de modelo para a construção do "Asilo de Runa" em Torres vedras
Vista Sudeste, "Champ-de-Mars"
Vista Nordeste. Em primeiro plano, o edifício avermelhado, o novo museu de antropologia "Quai Branly"

quem é responsével pela decadência do transporte ferroviário?

Na edição de hoje do Público, onde se denuncia o desinvestimento do estado nos transportes ferroviários, o jornalista Carlos Cipriano coloca a questão nos seus devidos termos:
“Em Portugal a construção de auto-estradas – de qualquer auto-estrada – é sempre pacífica e raramente se questiona a sua utilidade social ou se debate a análise custo-benefício (quando este existe) em que se baseou (…).
“Em contrapartida qualquer decisão sobre uma nova linha férrea provoca as discussões mais apaixonadas, de que é exemplo a rede de alta velocidade (…).
“O mais curioso é que, ao nível político, nas mais altas esferas do Estado e no mundo empresarial, a alta velocidade provocou as mesmas acaloradas trocas de opiniões que nas vulgares conversas de café (…). Raramente, porém, se ouve alguém questionar por que tem Portugal na região de Lisboa a mais densa rede de auto-estradas por quilómetro da Europa, ou se vale a pena o “país periférico que não precisa de TGV” possuir três auto-estradas paralelas entre Coimbra e o Porto, por vezes a distarem entre elas apenas sete quilómetros”.
Acrescenta ainda o mesmo jornalista, numa outra caixa de texto que acompanha a reportagem sobre esse tema, que se fecharam linhas férreas “onde não havia rentabilidade nem população, mas nem por isso se abriu (ou se modernizou) onde há potencial de mercado. Viseu é uma das maiores cidades da Europa que não têm caminho-de-ferro e a Linha do Oeste, que atravessa uma das zonas mais densamente povoadas do país, definha sem passageiros, à margem de qualquer modernização”.
As políticas de transportes dos últimos anos têm sido pensadas para incentivar o transporte privado, com todos os custos que tal opção tem acarretado em termos ambientais e económicos.
Numa altura em que tanto se fala nos problemas ambientais ou no endividamento público, quando está provado que, em Portugal, o aumento da poluição está directamente relacionado com o uso e o abuso dos transportes rodoviários e o endividamento público cresce, em larga medida, devido à nossa dependência em termos energéticos, é, no mínimo, criminosa a atitude dos responsáveis pelo abandono a que tem sido votado o sector ferroviário.
Como se admite que, nos dias que correm, e falando por exemplo no caso que melhor conheço, a oferta de transporte ferroviário na Linha do Oeste tenha piorado significativamente, quer na redução de horários, quer na redução na rapidez do transporte, quer afastando as estações de destino cada vez mais do centro de Lisboa.
Ou, como se admite que exista uma única ligação diária por comboio com Madrid, que leva, proporcionalmente, mais tempo a atravessar Portugal do que Espanha, e se mantém inalterável há mais de trinta anos?.
Neste, como noutros casos, vai sendo tempo de pedir contas aos políticos e aos administradores, responsáveis por tanto desperdício e incompetência.

Centenários 13 - Estudantes da "capa e batina"- Coimbra, 1909

Baptista Coelho, jornalista brasileiro de referência do princípio do século XX, conhecido pelo pseudónimo de “João Phoca”, visitou Portugal em 1909, revelando as suas impressões de viagem na “Ilustração Portuguesa”.
Numa dessas reportagens visitou Coimbra, onde retratou, num estilo colorido e bem humorado, a vida boémia dos estudantes, que se caracterizavam pelo uso da capa e batina.
Hoje, essa característica dos estudantes de Coimbra vulgarizou-se de tal modo que até os “finalistas” do pré-escolar usam “capa e batina” quando passam para o 1º ciclo…!
Hoje reproduzimos as fotografias, da autoria daquele jornalista, que acompanharam aquela reportagem na edição da “Ilustração…” de 22 de Março de 1909.

domingo, 29 de março de 2009

Centenários 13 - Estudantes da "capa e batina"- Coimbra, 1909

Estudantes junto da porta férrea.


Encontro de estudantes


O fado de Coimbra


À porta de uma livraria


As lavadeiras do Mondego

Fotografias de Shotaro Shimomura (1883-1944)

O “American Museum of Photography” tem em exibição um exposição virtual de um fotógrafo japonês pouco conhecido, Shotaro Shimomura.
Intitula-se essa exposição “An Eye for de World – Shotaro Shimomura, 1934-1935”.
Shimomura viveu entre 1883 e 1944. Em 1907 foi nomeado presidente de uma empresa de Kyoto, a Daimamura inc. Para estudar a organização de empresas idênticas, percorreu, em 1934 e 1935, a Europa, os Estados Unidos e outras partes do mundo, fotografando os locais visitados.
As suas fotografias foram apresentadas no Japão, nas edições do “Ashiya Photo Salon” de 1935, 1936 e 1937.
Muito influenciadas pelo modernismo dos anos 30, as suas fotografias são de uma rara beleza.
São algumas das suas fotografias, retiradas do site daquele museu virtual, que hoje aqui partilhamos no espaço deste blog.
( consultem também : http://www.photographymuseum.com/ )

Fotografias de Shotaro Shimomura (1883-1944)

Entrada dos Armazéns Wanamakwe, Filadélfia,



Parque Golden Gate, S. Francisco.


Nova Iorque.


57 th. street, Nova Iorque.


Fotografia tirada do alto do Empire State Building, Nova Iorque.

Fotografias de Shotaro Shimomura (1883-1944)

Aldeia junto ao lago de Lucerna, na Suiça.

Numa quinta em Innsbruck, Austria.

Cavalos no Hyde Park, Londres.


Rua de Warwick, Inglaterra.


Amanhecer junto ao Sena, Paris

sábado, 28 de março de 2009

Centenários 12 - Igreja de Santiago - Coimbra, 1909

Na sua edição de 22 de Março de 1909, a revista "Ilustração Portuguesa" divulgava um conjunto de fotografias do fotógrafo de Coimbra José Gonçalves, onde se revelavam imagens da Igreja de Santiago, na Praça do Comércio, ainda em ruinas e depois de reconstruida.:





A propósito de uma efeméride - a luta política republicana na região Oeste,nos anos 30 (T. Vedras, Peniche e Lourinhã) - 1


Nesse dia 28 de Março de 1939 as tropas franquistas entravam em Madrid. As esperanças dos republicanos espanhóis chegava ao fim. Valência e Alicante cairiam nos dias seguintes.
Encerrava-se assim um dos mais negros capítulos da década de 30 do século XX.
As forças nazi-fascistas revelavam-se imparáveis e invencíveis. Pouco mais de cinco meses depois começava a Segunda Grande Guerra.
Por cá, com a derrota republicana em Espanha, Salazar respirava de alívio. Pelo contrário, a oposição, então ainda dominada pelos republicanos, sofria essa derrota como se fosse sua.
Os anos 30 foram marcados, em Portugal, por uma série de revolta militares que procuraram restaurar o regime republicano derrubado no 28 de Maio de 1926.Todas saíram derrotadas.
Em 1933 a ditadura militar deu origem ao “Estado Novo”, regime que se consolidou durante essa década, numa mistura de autoritarismo conservador tradicional com a mística vanguardista do fascismo italiano.
Francisco Horta Catarino foi um homem que viveu intensamente esse período. A sua experiência deu origem a uma edição de autor, publicada depois do 25 de Abril, em 1977, intitulada “Falando do Reviralho (A Roda do Crime contra a Humanidade”, onde, entre outras peripécias, revela o modo como se viveu esse período na região Oeste, em Peniche, na Lourinhã, emTorres Vedras, e no Sobral de Monte Agraço.
São alguns desses acontecimentos que hoje aqui recordamos.

Francisco Horta Catarino – o percurso de um resistente

O contacto de Francisco Catarino com a acção republicana iniciou-se logo em Fevereiro de 1927, de forma involuntária e anónima, pois, trabalhando no Porto nessa data, e ao deparar-se com os militares na rua, logo se ofereceu para participar na revolta. Esta durou vários dias, até se esgotarem as munições, acabando os revoltosos por se renderem, depois de recolherem as armas que distribuíram pelo povo, entre o qual estava Horta Catarino.
Não sendo conhecida a sua participação, nada lhe aconteceu.
No ano seguinte iniciou o seu serviço militar, sendo incorporado num batalhão de recrutas para prestar serviço no grupo de esquadrilhas de Aviação aquartelado na Amadora. Foi progredindo na carreira militar, como cabo, furriel e, mais tarde, sargento.
Quando se dá a revolta de 26 de Agosto de 1931 comandada por Sarmento de Beires (revolta que terminou em Torres Vedras), preparou armamento para o caso daquele militar procurar apoio na Amadora, o que não aconteceu.
Perante mais essa derrota dos militares republicanos, Francisco Horta Catarino decidiu dedicar-se à carreira militar, não se deixando “envolver em conspirações com fins políticos”.
Contudo, as circunstâncias da vida puseram-no de novo em conflito com a ditadura. Escolhido para representar os sargentos da sua unidade militar como correspondente do órgão da classe, a revista “Marte”, publicou um artigo que não agradou às autoridades, vindo a ser detido por causa disso, e por suspeitas, infundadas, de pertencer a uma célula comunista militar, iniciando um percurso de prisões que o acompanharia pela vida fora.
Foi libertado poucos meses depois, após a polícia política ter reconhecido o erro.
O nosso sargento prosseguiu a sua vida militar, sendo integrado no Quartel de Alverca. Aí envolveu-se em actividades conspirativas contra o regime, acabando mais uma vez, em 1934, por ser preso e embarcado para a prisão-fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo.
Aqui, estando na companhia de outros 18 sargentos na sua situação, concebeu o plano de dinamizar a Organização Revolucionária de Sargentos (ORS).
Em meados desse ano foram libertados . Ao chegar ao continente, Francisco Horta Catarino recebeu guia de marcha para Peniche, onde ficava a residir em situação de residência fixa.
E é a partir deste momento que a sua biografia mais nos interessa .

A propósito de uma efeméride - a luta política republicana na região Oeste,nos anos 30 (T. Vedras, Peniche e Lourinhã) - 2

Peniche acolhe os conspiradores

Chegado a Peniche teve de alugar casa para alojar a sua família que tinha ficado em Alverca.
Estando nesta vila vários oficiais e sargentos na mesma situação que ele, viu aí “condições de dar seguimento ao trabalho da ORS”(p.42).
Começou a deslocar-se clandestinamente a várias localidades, onde se encontravam outros sargentos regressados dos Açores, com vista a reorganizar aquele movimento.
Tinha de fazer tudo, não só de modo a não levantar suspeitas, como de não faltar à obrigação diária de assinar um livro de ponto na Fortaleza de Peniche.
Fazia aquelas deslocações “aproveitando as camionetas que transportavam o peixe para os mercados. Havia mais de uma centena delas na vila de Peniche. Quase sempre de madrugada lá seguiam carregadas, voltando à tarde”. Esperava pela “sua passagem em sítio combinado fora da vila e trepava para cima da carga. A alta velocidade lá seguia regressando da mesma forma, sempre a tempo de aparecer na Fortaleza para assinar o Ponto” (pp. 43 e 44).
Com esse estratagema conseguiu deslocar-se “às Caldas da Rainha, a Leiria, a Coimbra, a Santarém, a Tomar, a Mafra e a Lisboa”.
O seu segredo era conhecido por centenas de “motoristas, ajudante de motoristas e negociantes de peixe”,sem nunca o denunciarem às autoridades, situação reveladora do apoio da população local às conspirações dos “reviralhistas”.
Com aquela acção estabeleceram-se vários núcleos da ORS em várias unidades militares chegando a uma dimensão tal que alertou a Polícia Política.
Iniciando-se a prisão de muitos elementos da ORS, Horta Catarino acabou por ser atraído a uma cilada em Lisboa, acabando detido pela Polícia.
Detido na Fortaleza de S. Julião da Barra, acabaria demitido da suas funções militares, em Maio de 1935, perdendo, por isso, o direito de estar detido em presídio militar, sendo enviado para o Aljube e daqui para a Prisão de Peniche, onde ficou a aguardar julgamento.
Nesta prisão, com o apoio dos restantes prisioneiros, planeou a sua fuga e a de outros três militares republicanos aí detidos. A Fuga efectuou-se, com êxito, do dia 1 de Maio de 1936.

O início da Acção Clandestina

A fuga foi feita pelo mar, onde os esperava um pescador que “remando com vigor contra a ondulação e em larga travessia”, os colocou numa praia da costa de Peniche, não identificada.
Aí aguardava-os um automóvel que os conduziu à Lourinhã. Nesta vila receberam abrigo na casa de Américo Marques, lavrador e proprietário, antigo administrador desse concelho durante a República e que pertencia ao Partido da Esquerda Democrática.
Daí deslocaram-se para Torres Vedras onde foram recebidos por Joaquim Henriques da Silva Martinez, “que tinha uma padaria na Serra da Vila”, sendo depois transportados para Belas(p.60).
Tendo, entretanto, a Frente Popular vencido as eleições em Espanha, os republicanos portugueses esperavam auxílio de Espanha para se iniciar a luta contra o salazarismo.
Presos quase todos os militares conspiradores, o grupo de Catarino programou a preparação de um “levantamento revolucionário de núcleos civis devidamente organizados”, devendo cada um agir separadamente, por razões de segurança.
É neste contexto que Horta Catarino seguiu para Torres Vedras “onde já tinha amigos seguros”.

A propósito de uma efeméride - a luta política republicana na região Oeste,nos anos 30 (T. Vedras, Peniche e Lourinhã) - 3

(folheto de propaganda nacionalista, distribuido em Torres Vedras, durante a Guerra Civil de Espanha - clicar para ver em tamanho maior)


Francisco Horta Catarino conspira em Torres Vedras



Nesta vila, como o apoio do “sindicalista Mafalda”, do “ferroviário Gomes” e por outros, começou “a preparar o povo de Torres Vedras para um levantamento armado, falando várias vezes perante centenas de pessoas reunidas geralmente durante a noite em pleno campo, no meio das vinhas dos arredores da vila” (p.62).
Enquanto andava foragido, a sua família, mulher e filhos, continuou a viver em Peniche, valendo-lhes a bondade do senhorio da casa, o “Sr. Manuel Coelho”, com o apoio da esposa “Dona Alice Passos Coelho” que, dadas as circunstâncias, deixou de cobrar a renda e fornecia-lhes gratuitamente o pão da padaria de que era dono (p.63).
Dá-se entretanto o movimento militar nacionalista em Espanha, em 18 de Julho de 1936,iniciando-se a Guerra Civil, pelo que o grupo de Horta Catarino considera urgente desencadear a luta em Portugal “em auxílio dos que em Espanha lutavam pela mesma Causa” republicana (p.64).
Horta Catarino conta-nos um episódio passado em Torres Vedras, relacionado com aquele acontecimento político: o autor viu “a passagem” pela vila “de uma coluna motorizada de falangistas vinda do sul, pelo Alentejo, em marcha para a Galiza, onde havia (…) alguma resistência de forças republicanas. De passagem por Torres Vedras obrigaram a seguir com eles um empregado de café, natural da Galiza, que além se encontrava trabalhando. Vinham armados e fardados como se estivessem em terreno conquistado gritando constantemente o seu “Arriba España” (pp. 68 e 69).
Entretanto, numa reunião realizada na quinta da Conceição, em Dois Portos, Torres Vedras, decidem que, “não havendo esperança de” obterem “recursos” a parir de Espanha, decidem conquistá-los, apoderando-se “pela força de dinheiros públicos”. Para esse efeito foi necessário adquirir armamento, pelo que Horta Catarino seguiu de Torres Vedras para Lisboa, “num automóvel arranjado” por Joaquim Martinez, na casa do qual as armas entretanto adquiridas ficaram escondidas (p.65).
Um dos elementos do grupo que se encontrava na Lourinhã “apareceu a informar que na repartição de finanças da Lourinhã havia um funcionário disposto a indicar o dia e a hora apropriados para lá se encontrar boa quantia com o cofre aberto” (p.61).



O Assalto às Finanças da Lourinhã



No dia combinado, 1 de Agosto de 1936, a partir de Torres Vedras, o grupo, de três elementos (o nosso cronista, o “Rocha” e o Martinez) seguiu , “numa camioneta de passageiros que ia para o Bombarral”, tomando aqui um táxi para a Lourinhã.
Tendo dado início ao assalto à repartição de finanças da Lourinhã encontraram resistência por parte dos funcionários, tendo um agarrado Horta Catarino. O seu cúmplice no assalto, para o soltar, disparou, matando o resistente. Tiveram de fugir sem levar dinheiro nenhum, mas deixando um morto.
Dirigiram-se então para Peniche. Aqui chegados, planearam um assalto á fortaleza de Peniche “libertar os presos e armá-los com as armas das forças de guarda lá existentes”, ocupar a vila, apoderarem-se das “camionetas destinadas ao transporte do peixe e” transportarem-se nelas “até à fronteira” na zona ainda ocupada pelos republicanos (p.67).
Com esse fim estabeleceram contacto com a organização local do Partido Comunista. Esta, apoiando a iniciativa, preveniu, contudo que não podia actuar sem autorização dos responsáveis máximos do partido.
A resposta demorou demais. Entretanto caía Badajoz nas mãos dos insurrectos nacionalistas, caindo rapidamente todas as posições republicanas junto da fronteira portuguesa.


sexta-feira, 27 de março de 2009

A propósito de uma efeméride - a luta política republicana na região Oeste,nos anos 30 (T. Vedras, Peniche e Lourinhã) - 4

A “Monte”…

Dadas as circunstâncias desistiram do seu plano e cada um seguiu a sua vida. O Rocha conseguiu fugir para Espanha, alistando-se num regimento republicano de Madrid, Martinez regressou à sua vida, na Serra da Vila, em Torres Vedras e o nosso Horta refugiou-se no Casal das Voltas, perto de Torres Vedras, protegido pelo dono do casal, Joaquim de Oliveira.
Poucos dias depois o casal foi cercado pela polícia. Alertado pelo Oliveira, Horta Catarino conseguiu fugir para a Quinta da Conceição, em Dois Portos, onde foi apoiado pelo caseiro desta, um tal Nogueira.
Entretanto Torres Vedras “fora cercada e rebuscada casa a casa, havendo horrores por lá” (p.70).
O Martinez foi preso “na sua casa na Serra da Vila” e “parece ter sido assassinado um comerciante muito conhecido como republicano que se atirou ou foi atirado de uma janela dos Paços do Concelho [de Torres Vedras] onde estava a ser interrogado” (p.70).
Horta Catarino prosseguiu a sua fuga, sendo escondido por um amigo, Leonel Filipe, em Seramena, perto do Sobral de Montagraço. Alguns dias depois foi aquela aldeia cercada pela polícia mas, mais uma vez, o Catarino conseguiu escapar, indo até á Malveira, onde foi apoiado por um sapateiro amigo, seguindo depois, de madrugada, até Belas, onde tinha apoio.
Desenvolvendo vários contactos, o nosso narrador continuou a tentar organizar uma insurreição contra o regime, uma delas a partir de Coimbra que acabou por se malograr mais uma vez.
Foi então que voltou a encontrar refugio perto de Torres Vedras, na Feliteira, na adega de Carlos Manata Carrasqueiro, fundador do ainda hoje conhecido restaurante “O Labrego”. Foi neste sítio que Horta Catarino acabou finalmente por ser preso pela Polícia Política, devido á traição de um tal João Comprido. Carlos Manata também foi preso.
Terminava aqui esta parte da vida aventurosa de Francisco Horta Catarino, aquele que nos despertou mais interesse por se passar na nossa região e na época dos anos 30, aqui evocada, a propósito do 60º aniversário do fim da Guerra Civil de Espanha.

Uma Boa Notícia - as Portas de Ródão foram classificadas como Munumento Natural.

Nem tudo são disparates ou más notícias quando este governo toma decisões.
No Conselho de Ministros de ontem foi aprovado o decreto que classificou as Portas de Ródão como Monumento Natural.
A candidatura datava de 2005 e tinha sido uma iniciativa conjunta das Câmaras de Vila Velha de Ródão e de Niza e da Associação de Estudos do Alto Tejo.
As Portas de Ródão formam uma profunda garganta, com 45 metros de largura, escavada pelo Tejo ao longo de milhares de anos na Serra do Perdigão
Com base nessa classificação é possível, a partir de agora, proteger e valorizar um dos ícones do rio Tejo, numa das zonas mais ricas do ponto de vista biológico e arqueológico.
Estamos todos de parabéns com essa feliz iniciativa.

Portas de Ródão - (finalmente) Monumento Natural




"La Danza" de Picasso - últimos dias de uma exposição rara.

Se passar por Torres Vedras, aproveite os últimos dias da exposição “Picasso – La Danza”, patente ao público nos antigos Paços do Concelho até ao próximo dia 31 de Março.
Não é todos os dias que se tem a oportunidade de ver originais de Picasso, ainda por cima fora dos grandes centros culturais do país.
Pela segunda vez recebe Torres Vedras uma exposição da obra gráfica de Picasso, uma das dimensões menos divulgada e menos conhecida daquele grande artista, cujo nome é, só por si, sinónimo da arte do século XX.
Esta oportunidade, única e impensável há poucos anos atrás, foi possível devido a uma parceria entre o município de Torres Vedras, liderado por um exímio apreciador e coleccionador de arte, com a Fundação D. Luís, a Câmara Municipal de Cascais e a Fundación Bancaja. Este banco é o maior coleccionador e detentor de obras gráficas de Picasso.
Esta exposição revela os cenários e os figurinos do bailado Le Tricorne e Suites 347 e 156,.
Le Tricone foi o segundo dos quatro bailados produzidos por Diaghilev para os Ballets Russes, estreado em Londres no dia 12 de Julho de 1919, baseado na obra de Pedro António de Alárcon, adaptada no sentido da crítica sócio-política à monarquia e servindo de pretexto para divulgar o folclore espanhol.
Depois de vários anos afastado da colaboração em obras cénicas, só no final da sua vida, entre 1968 e 1970, (Picasso faleceu em 1973 com mais de 90 anos) é que Picasso se voltou a dedicar à produção de gravuras com temas de dança, a série “Suite 347” e “Suite 156”, igualmente incluídas nesta exposição.
Se puder, não perca os últimos dias desta exposição, e fique a conhecer uma faceta pouco conhecida de Picasso, para além do prazer de poder estar próximos de obras originais e raras.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Notícias da Crise - 2

A revista “Sábado” de hoje noticia aquilo que já se sabia doutras fontes : na Europa Portugal é o campeão das desigualdades sociais. Ou seja, é aquele que apresenta maior diferença proporcional entre os 20% de população mais rica e os 20% da população mais pobre (8 x).
Em Espanha e em França essa proporção é quase metade (5,6 x) e na Finlândia a diferença é ainda menor (3,4%).
Ao “nosso nível” dois outros campeões da desigualdade: os Estados Unidos (8,5%) e o Reino Unidos (7,2%).
Os dados foram revelados pelo “The Guardian” que alerta ainda para o facto de “que todos os problemas sociais – dos crimes violentos à gravidez na adolescência – são provocados pela diferença de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres”.
Recorde-se, a propósito, que um estudo coordenado por Bruto da Costa já havia revelado que a maior parte da pobreza em Portugal era provocada pelos baixos rendimentos e pela precariedade do emprego. Seria lógico que, para combater esse risco, os nossos economistas e “opinadores” defendessem a valorização do factor trabalho.
Contudo, a reboque da crise, provocada pelo modelo que estes defendem e que foi formatado na maior parte das escolas de economia, chantageando com o desemprego, começam a ouvir-se cada vez mais vozes a defender propostas como a de redução dos salários e a redução de direitos do trabalho.
É essa a proposta maioritariamente defendida por um painel de economistas e empresários hoje interrogados pela revista Visão. É o que defendem António Nogueira Leite, João César da Neves e João Salgueiro.
Registe-se a lucidez da opinião do economista Sandro Mendonça, (um quase desconhecido – não será por acaso!). Considera este que a redução salarial “iria contrair a procura e agravar pressões deflacionistas, no pior momento possível”, apontando como alternativa a expansão das “prestações sociais aos desempregados” e o reforço da “formação profissional”. Defende ainda a publicação obrigatória de “dados sobre a situação vivida na empresa, quanto às assimetrias remuneratórias”.
Surpreendentemente, também o presidente da CIP, Francisco Van Zeller, considera que a “redução de salários de uma forma generalizada, obviamente não é uma medida socialmente aceitável, mesmo que pudesse melhorar a competitividade”.
Penso que muitos portugueses até aceitariam, temporariamente, algumas limitações aos seus direitos e a redução dos seus salários, se começassem a ver o exemplo a vir de cima, começando pelos próprios defensores dessas propostas, muitos deles gozando vastos privilégios pelos cargos que ocupam em instituições ou empresas. Em defesa desta situação, dirão alguns que isto é demagogia, ou, em linguagem “socrática”, “inveja social”,que eles são uma minoria e as suas funções exigem renumerações em conformidade. Mas defender aquelas medidas para os que ganham menos , a maioria, já não é demagogia?. Faz lembrar aquela frase de Chaplin, segundo a qual “quem mata uma pessoa é um criminoso, quem mata milhões é um herói”.
Neste caso, o raciocínio é ao contrário, quem defende que sejam os gestores de topo e os defensores dessas propostas a dar o exemplo , reduzindo os seus privilégios e os seus rendimentos, é classificado com demagogo, e quem defende a redução de “privilégios” e salários para os outros é uma pessoa séria e credível.
No sistema onde ainda vivemos, onde é o consumo que incentiva a produção e é a produção que cria empregos e aumenta o valor dos salários e dos lucros, defender a redução da capacidade de consumo daqueles que ainda a têm, parece-me, não só ignorância económica, como perigoso e explosivo.
Ao menos que aprendessem com a leitura da notícia hoje editada no Público onde se procura perceber como é que “pensões milionárias, demissões e fechos de fábricas fazem disparar a agitação social”, um pouco por toda a Europa. Par o sociólogo Sérgio Aires, a resposta está no facto de, enquanto uns são despedidos, outros recebem prémios, o que provoca em qualquer cidadão um choque enorme”. Alerta ainda para o a hipótese de “o clima de agressividade” aumentar “ a parir do momento em que o número de pessoas desesperadas aumentar” e, principalmente, “quando a crise atingir a sério as classes médias”.
Quando os mesmos economistas, “opinadores” ou políticos, que, ainda não há muito tempo, defendiam o sistema agora em crise, são os mesmos que agora se propõem debelar os efeitos da crise, avançando com propostas estapafúrdias, devemos desconfiar da sua seriedade e das suas “boas intenções”.
É tempo de procurar soluções novas e diferentes da cartilha económica que nos tem sido vendida nos últimos anos por políticos, economistas, gestores, órgãos de comunicação social e universidades de “referência”.
É tempo de dizer basta a tanta trafulhice ideológica!

Isto é a sério ou a brincar?...

ISTO É A SÉRIO....
....OU A BRINCAR ?

Ontem, no texto aí em baixo, referia-me à capacidade de regimes ditatoriais perseguirem a livre expressão na Internet.
Hoje ficamos a saber que no democrático Reino Unido o governo revelou tencionar controlar “a correspondência de milhares de utilizadores de redes sociais online”(Público).
Não, o objectivo não é, como no Irão combater as actividades “anti-religiosos , obscenos e contra-revolucionários” na Internet.
A desculpa é combater as duas obsessões ocidentais : o “crime e o terrorismo”.
Será que o sr. Brown também vai criar, na Inglaterra, um “centro de delitos de Internet” que, em vez de ser dirigido pelos “ Guardas da Revolução” , venha a ser dirigido pelos simpáticos “Guardas da Rainha”?
No melhor pano “neo-liberal” anglo-sáxónico, (também) caia a nódoa…

Gravuras Antigas da "Illustração Portuguesa" - 5 -1884- Ponte sobre o rio Zêzere.

Ponte sobre o Rio Zêzere, in "Illustração Portugueza", nº10, 1 de Setembro de 1884

quarta-feira, 25 de março de 2009

Blogues e Liberdade - No Dia Internacinal da Solidariedade para com as Pessoas Detidas e Desaparecidas

Hoje é o Dia Internacional da Solidariedade para com as Pessoas Detidas e Desaparecidas.
Nós, que vivemos num Estado democrático e livre, já mal nos lembramos dos tempos em que qualquer pessoa podia ser arbitrariamente detida pelas suas opiniões.
Hoje podemos exprimir livremente as nossas opiniões neste grande espaço de liberdade que é a blogosfera.
Nem temos consciência do que é ser detido, ou, nos pior dos casos, desaparecer pura e simplesmente, por causa das nossas opiniões.
Damos de barato que a liberdade de expressão na internet é um dado adquirido. Custa-nos a acreditar ser possível impedir o livre acesso a esse gigantesco meio de comunicação.
Interrogo-me muitas vezes como teria sido possível ao “Estado Novo” censurar e perseguir os blogs, se existisse internet nesses tempos.
Contudo, alguns factos recentes mostram que é possível controlar o acesso á Internet.
Ainda ontem, numa daquelas notícias que passam em nota de rodapé num noticiário nacional, (passando praticamente despercebida pelo ruído de primeiro plano à volta da “grave situação para o futuro do país” que é a arbitragem de futebol), passava a notícia de que o governo chinês tinha bloqueado o acesso ao YouTube. Até ao momento não voltei a ouvir falar no caso. Parece-me contudo que tal atitude só pode ser possível com a colaboração das grandes empresas ocidentais que controlam a internet. Não seria a primeira vez que colaboravam nos actos de censura do estado chinês.
Situação mais grave, que, igualmente, passou praticamente despercebida, mesmo no meio da blogosfera, foi a notícia divulgada, na semana passada, num cantinho da página 21 do Público, do suicídio cometido, numa prisão iraniana, por um jovem blogger.
Omid Mir Sayafi tinha 25 anos e estava preso a cumprir uma pena de 30 meses, acusado por insultos, no seu blogue, ao guia supremo do Irão, o ayatolah Ali Khamenei.
Não se pense que este foi um caso isolados. Existe naquele país um “centro de delitos de Internet dos Guardas da Revolução”, que, nessa mesma semana, prendeu 26 pessoas, acusadas de manterem sites “anti-religiosos , obscenos e contra-revolucionários”.
Recorda ainda a mesma notícia que o governo iraniano foi o primeiro, em 2003, a tomar medidas contra os bloggers. O universo da blogosfera iraniano é um dos maiores a nível mundial, com 64 mil blogues.
Como se vê, é possível perseguir blogues, detendo os seus autores, embora por cá se possam adoptar formas mais subtis de controle e censura (de tipo económico, cultural ou judicial).
Para que esta não seja mais uma daquelas datas de que nós, ocidentais, tanto gostamos para “limpar” consciências e porque a nossa liberdade não está garantida, aqui prestamos homenagem, neste dia internacional de solidariedade para com as pessoas detidas e desaparecidas, a um dos primeiros “mártires” da blogosfera, jovem iraniano Omid Mir Sayafi.

A Arte do Cineclubismo - 12 - (CC. de Aveiro)

O Cine clube de Aveiro foi um dos primeiros fundados em Portugal, no ano de 1955.
Divulgamos hoje um conjunto de cinco linóleos que ilustravam os catálogos de divulgação das sessões realizadas ao longo de 1959, com destaque para a sessão nº 100, onde se exibiu o filme francês “As Grandes Manobras”, de René Clair .
Escrevia o dirigente local Jorge Monteiro que, para “as pessoas que acompanham com interesse o desenvolvimento cultural do país, o facto [de se realizar a 100ª sessão] tem, forçosamente, algum significado. Se bem que o C.C.A., não projecte a sua acção muito além da periferia da cidade e povoações mais vizinhas, o certo é que ele está integrado e serve um movimento de cultura que se amplia à escala da Nação”.
Destaque também para a exibição do filme sueco “Ela só dançou num Verão” de Arne Mattsson, que teve lugar a pedido dos sócios que, num inquérito realizado sobre as preferências cinematográficas destes, destacaram aquele filme.
Por ocasião da exibição do filme “A Estrada” de Federico Fellini, incluiu-se no boletim um texto de reflexão sobre o movimento cineclubista, da autoria do histórico Manuel Pina, onde fazia apelo á unidade desse movimento, contra “tudo e contra todos os que, dos mais variados campos e pelos mais variados processos, tentam travar ou desviar o nosso caminho” de difundir a “cultura através do cinema”.
Vários artistas colaboraram na execução das gravuras que ilustravam os programas, como Jeremias Bandarra, Pereira Lemos ou “Zé Penicheiro”, sendo a execução técnica dos linóleos da autoria de João Sarabando.

A Arte do Cineclubismo - 12 - (CC. de Aveiro)