segunda-feira, 11 de junho de 2018

G7 – E se Trump tivesse razão?



Cimeiras com a do G7 apenas servem para legitimar politicas financeiras e comerciais ilegítimas e prejudiciais aos cidadãos do mundo.

A realização de tal cimeira, a coincidir com a anual reunião secreta de Bilderberg ,não terá sido mera coincidência, e terá servido para coordenar os esforços das elites “globalistas” mundiais para programarem a sua acção em prol do obscuro interesse financeiros e económicos e para fazer frente às previsíveis reacções populares.

Os cidadãos e a melhoria da suas condições de vida não costumam estar na agenda dessas reuniões, antes pelo contrário.

Contudo o “furacão” Trump acabou por desviar a atenção sobre os verdadeiros objectivos e decisões desse encontro dos mais poderosos do mundo.

Trump marcou a cimeira com duas questões: a forma como questionou a liberdade de comércio e o modo como a Rússia foi expulsa dessa reunião.

E se, nestas duas questões, apesar de corresponderem a uma estratégia irresponsável e errada, Trump até tivesse razão, apesar de tomar decisões de forma, aparentemente, pouco racional ?

Claro que o título que usamos em cima é uma provocação.

Mas não nos deixamos de interrogar sobre a ausência dessa cimeira de outras potências mundiais, como a Rússia e a China, isto já para não falar da Índia, do Brasil ou da África do Sul.

É o velho mundo, decadente, abalado por crises que não consegue resolver, mas que ainda mantém um grande peso económico, financeiro e militar, o que está representado na cimeira do G7.

Por isso, não existe grande razão para isolar as potências emergentes ou, no mínimo, tão decadentes como aquelas representadas nessa cimeira.

A justificação para afastar a Rússia podia ser usada para afastar ao Estados Unidos, a Grã-Bretanha ou a França, todas envolvidas recentemente em intervenções militares e financeiras, ou apoiando regimes párias,  não legitimadas pela única organização internacional com mandato legítimo, a ONU.

Por isso, e apesar de não nutrir qualquer simpatia por Putin, a afirmação de Trump em defesa da presença da Rússia tem toda a razão de ser.

Mas, para mim, mais importante do que estar numa cimeira de países decadentes e onde se tomam decisões ilegítimas, seria mais importante reforçar organizações internacionalmente legítimas, como a ONU, começando por alargar o número de países do Concelho de Segurança e o poder da Assembleia Geral.

No Conselho de Segurança, como membros permanentes, deviam ser incluídos países como o Canadá, a Alemanha, a África do Sul, o Brasil e a Índia. E o direito de veto devia ser revisto, aumentando o poder da Assembleia da ONU.

O que têm feito organizações como G7 e outras do género é tentar esvaziar a importância da ONU, com todas as consequências que temos visto em termos de instabilidade económica, social e politica mundial e de aumento das desigualdades.

Também, na outra questão levantada por Trump ,  no que respeita à injustiça da organização do comércio mundial, embora na forma irresponsável que é peculiar nesse líder, também acaba por ter alguma razão.

A "liberdade de comércio", tal como está estabelecida, favorece os mais fortes, desenvolve o dumping social, e agrava as desigualdades sociais.

O “comércio livre” baseia-se no acentuar das injustiças socias e na destruição de direitos humanos e sociais, e é ela própria a principal responsável pelo descalabro ambiental do planeta.

Também não se percebe que os que tanto defendem tal “liberdade” de comércio, só aceitem essa liberdade para a circulação de capitais e matérias-primas, mas imponham todo o tipo de restrições à liberdade de circulação de pessoas, como se tem visto na actual crise dos refugiados .
Claro que não são estas as preocupações de Trump.

Mas teve pelo menos o mérito de agitar e desestabilizar uma cimeira que apenas serve para aplicar as decisões politica impostas pelo sector financeiro, de forma ilegítima.

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