terça-feira, 5 de junho de 2018

A “Moda” da acusação de “Populismo”



A acusação de “populismo” serve, nos dias que correm, para quase tudo.

Os mais assanhados defensores do actual situacionismo Europeu, isto é, os que defendem a desintegração do Estado Social Europeu, mesmo com a desculpa que o fazem par o “salvar” e “aperfeiçoar” e os que defendem as decisões antidemocráticas dos burocratas de Bruxelas, as tão apregoadas “reformas estruturais” (leia-se, cortes salariais, cortes nas pensões, desintegração do funcionalismo público, entregue aos negócios privados, onde pululam os boys do centrão, a retirada de direitos sociais, considerados “resquícios comunistas”, e as ajudas públicas ao corrupto sector financeiro), consideram “populistas” todos os que se opõem a essa deriva “austoritária” da  União Europeia.

Metem no mesmo saco os que defendem uma verdadeira reforma da Europa (que realize uma verdadeira reforma das instituições europeias, democratizando-as, um verdadeiro aperfeiçoamento do Estado Social e do sector público e do sistema de pensões, uma melhoria das condições sociais e salariais dos trabalhadores europeus, um controle efectivo sobre o sector financeiro e um combate consequente à corrupção e às desigualdades sociais), e os populistas de extrema direita (que visam, demagogicamente, aproveitar-se da crise dos refugiados e dos atentados bombistas para toda uma campanha xenófoba e islamofóbica, com uma critica “nacionalista” à União Europeia, procurando assim, e por agora por via democrática, chegar ao poder e impor o seu programa de intolerância e perseguição aos refugiados e, mesmo que o façam em nome do “combate à corrupção”, facilitando a vida ao grande poder financeiro, em nome de atrair “investimento”).

Mas o mais grave é quando os partidos do “centrão” europeu adoptam os projectos da extrema direita com a desculpa de anular o avanço do populismo.

Enquanto continuarem a culpar o “populismo” pelos males da Europa, em vez de olharem para a sua própria responsabilidade na crescente descrença dos cidadãos europeus pelas instituições europeias, enquanto continuarem a acentuar as desigualdades sociais, salvando o poder financeiro à custa da desintegração do Estado Social e dos Direitos Sociais, enquanto continuarem a alimentar a corrupção ética das elites politica do “centrão”, enquanto acharem que a melhor maneira de combater o populismo é integrar partes dos seu programa anti-social e xenófobo no programa e na acção dos partidos do sistema, legitimando o argumentário populista, o verdadeiro populismo (que os mesmos não têm coragem de chamar pelo nome: FASCISMO!) vai continuar a fazer o seu caminho e  o eurocepticismo a crescer e a alimentar a deriva populista.

Vejam lá se acordam! Ainda estão a tempo de salvar a "Europa" e melhorar a vida dos cidadãos europeus da deriva populista.

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