segunda-feira, 7 de novembro de 2016

WEB SUMMIT : Navegando entre provincianos e criativos


A forma como certa comunicação social e alguns comentadores alardeiam a iniciativa que vai marcar a vida lisboeta a partir de hoje, é bem reflexo de uma certa forma de encarar a rápida evolução tecnológica dos últimos anos, que varia entre o mais ridículo provincianismo e as reais capacidade criativas fomentadas pela actual revolução tecnológica.

A atitude de basbaques provincianos assumida por alguns comentadores perante aquele evento, como se a tecnologia, só por si, fosse o paraíso na terra, é oportunisticamente assumidas por outros com a defesa boçal da “uberização” do trabalho, procurando colar aquela iniciativa à “necessária” precarização do trabalho sem direitos.

Ora, a tecnologia não é “boa” ou “má” só por si, dependendo do uso que dela pode ser feito.

Por sua vez, a evolução tecnológica, ao contrário daquilo que aqueles defendem, não justifica o aumento da precaridade profissional, a perda de direitos sociais ou a desvalorização do factor trabalho.

Pelo contrário, e isso é o verdadeiro apanágio da maior parte das empresas que participam nesse evento, a inovação tecnológica só será importante se melhorar a qualidade de vida da humanidade .

É exactamente graças à inovação tecnológica dos últimos anos que, nos nossos dias, não se pode continuar a justifica o aumento de desigualdades, o aumento de injustiça social ou a desvalorização do factor trabalho à custa  da qualidade de vida.

Por isso, a inovação tecnológica é, só por si, o estertor da mentalidade provinciana e socialmente oportunista dos comentadores neoliberais que tentam colar a iniciativa aos seus ataques descabelados ao estado social.

Por seu lado, iniciativas como esta, para além da importância económica, social e cultural que podem ter para o país , interessam, em primeiro lugar, às empresas aí inscritas que pretendem valorizar o seu “produto” e,  em segundo lugar, à generalidade de empresas e cidadãos que podem ficar a conhecer as novidades tecnológicas que possam contribuir para melhorar, qualitativamente, as suas condições de produção e trabalho.

Tudo o resto é conversa de basbaque oportunista e provinciano.

Nas sociedades actuais há lugar para a tecnologia, mas só se ela servir, antes demais, para a humanização dessas mesmas  sociedades.

Uma última nota ainda para a ignorância de alguns comentadores que vêem nessa iniciativa uma prova exclusiva da dinâmica das empresas privada em desfavor da “inércia” do Estado, dos serviços públicos e da esquerda em geral : “esqueceram”-se  que houve um grande investimento público, quer na divulgação, quer na organização desse evento, por parte do Estado e de um governo de esquerda apoiado pela esquerda!!!!???


 

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