quarta-feira, 13 de julho de 2016

Um Dia no NOS ALIVE.


Objectivo: levar a minha filha e uma amiga dela ao primeiro grande festival da vida dela e ir ver ao Arcade Fire..

Cheguei no início da última tarde de festival (Sábado 9 de Julho).

Uma segurança competente, sem ser agressiva logo à entrada, deixava-nos mais à vontade (nos dias que correm este é um bom postal de visitas para este tipo de eventos…).

Depois de entrar foi começar a tomar o pulso ao ambiente.

Aí até ao inicio da noite a minha sensação é que eu era o mais velho naquele recinto (parecia-me que só ultrapassado pelo Jimmy Page, que tinha aí estado dois dias antes!!!).


 
Aqui há uma maior proximidade entre todos os espaços do que aquela que existe no Rock in Rio, única comparação que podia fazer, sem que o som dos palcos se sobrepusesse em demasia. Era possível atravessar os espaços ouvindo o que se passava em cada palco, como uma espécie de “banda sonora” de fundo.

Primeira paragem num palco em forma de pequeno coreto onde actuavam grupos menos conhecidos.

Assisti algum tempo à actuação dos Savanna, grupo lisboeta, no “Raw Coreto By G-Star Raw”, com um público pequeno mas rendido ao folk – rock do grupo (aproveitando alguns para, ao mesmo tempo que os ouviam, disputar uma partida de matraquilhos nos vários “tabuleiros” existentes numa lateral dessa espaço).




 
Às 17 e 50 a minha “estreia” no Palco Heineken”, talvez o mais importante a seguir ao palco principal para ver a actuação de “Little Scream” a primeira grande surpresa do dia, cantora norte-americana a viver em Montreal (Canadá),  e a surpresa de aparecer par a acompanhar num tema um dos elementos dos Arcade Fire, grupo da mesma cidade, o baixista Richard Perry, aparição que se explica pelo facto de  este ter sido o produtor do primeiro álbum dessa grupo prometedor, “The Golden Recoird”. Vão ouvir falar no futuro em Little Scream.
 







Uma das coisas que me fui apercebendo foi o cumprimento rigoroso do horário programado para os vários espectáculos.

Depois do fim da actuação daquele grupo, aproveitei o intervalo para ir dar uma volta ao palco principal, para ver com era, percorrendo-o todo à volta, na mesma altura em que actuavam os portugueses AGIR. Não são a minha onda, nas notava-se o seu profissionalismo e a forma como agarraram o público, nem todo constituídos pelos fãs do grupo.


 
Regressei ao Palco Heineken para ver a actuação de um grupo que me tinham recomendado, os Calexico, e não sai defraudado. Grupo norte-americano de Tucson (Arizona), tocam uma mistura de  ritmos latinos com rock/blues, com instrumentos variados, bastante interessante, a fazer lembra os “Los Lobos”, embora originais e diferentes.









Chegado ao fim da sua actuação, mais uma volta por outros recinto do festival, como o recinto EDP, onde se reproduziam vários edifícios portugueses, com várias actividades, entre as quais uma casa de fado ao vivo . Frente às fachadas, uma fila de caixotes do lixo decorados numa original intervenção artística (ver AQUI).

Hora de “jantar” (uma sandes e uma bebida). Aqui deparei-me com o primeiro reparo. Foi difícil encontra um sítio onde se vendessem bebidas não alcoólicas, um dos problemas deste tipo de festivais, em grande parte dominado pelo marketing das grandes marcas de cervejas.
 
Aproximava-se a noite, e, depois de uma tarde calma, onde se podia andar à vontade, o recinto começava a encher-se, e as deslocações entre espaços começavam a ser feitas mais lentamente.


Em direcção ao palco principal, para arranjar um bom lugar para ver os Arcade Fire, tempo para um curta paragem no Palco Nos Clubbing, uma espécie de montra para grupos mais novos, portugueses quase todos, pelo que me apercebi, tendo ouvido ainda um pouco da actuação da musica electrónica de Francis Dale, um artista da casa, já que era natural de Algés.

Desloquei-me então para a última maratona do dia, o palco principal. Consegui chegar-me bem à frente, mas vi-me rodeado de espanhóis e ingleses, muito mais altos do que eu, bem bebidos e tinha alguma dificuldade em ver o palco, mas arrisquei ficar por ali, pois sente-se melhor o ambiente.

Aqueceram o palco para o espectáculo da noite os Band of Horses, grupo que não conhecia, mas era muito popular entre o pessoal à minha volta, mas que não me encheu as medidas (defeito talvez de quem ouve muito rock and rol desde os anos 60 e que já se surpreende com pouco).


 
Finalmente os Arcade Fire. Quase ao mesmo tempo, um problema com uma das máquinas fotográficas que levava comigo, exactamente aquela que tinha o zoom melhor, ficando impedido de tirar fotografias de jeito (o problema era simples mas só o consegui resolver mais tarde, com luz…).





No meio da confusão, entalado entre espanhóis e ingleses com o dobro do meu tamanho, ainda consegui gravar este pequeno trecho de um dos momentos altos dos Arcade Fire, o tema Keep the car Running.

Inicialmente tive alguma dificuldade em fixar o palco, entre braços e cabeças.
 
Ainda perdi o tampo da máquina, recuperado com muita dificuldade entre pés que pulavam e se agitavam constantemente.

Voltando aos Arcade Fire, foi mesmo um grande momento, um dos melhores espectáculos de sempre, um momento de grande festa.

Tocaram todos os seus temas mais antigos, os melhores da sua carreira e, pelo que constou, os Caleexico ainda os acompanharam num tema. Tocaram também Nirvana e Sex Pistols.

Após quase duas horas de actuação (eu estava ali há umas três…nunca pensei aguentar tanto tempo de pé!!!), muita gente a sair e a grande confusão. Percorri vários metros sem ver mais nada a não a gente à minha volta e, depois de, por pouco tempo, ter encontrado uma clareira, num sítio combinado com a minha filha, fiz a asneira da noite, tentar ir à casa de banho…pela primeira vez na minha vida vivi um momento de pânico…multidões em várias direcções, empurrando-se, tentavam chegar ao WC. Salvo e aliviado, voltei para uma zona mais recuada do palco principal, preparando-me para sair, mas aproveitando para ver ainda uma parte da actuação dos franceses M83, uma  boa surpresa, melhores em palco até do que aquilo eu já conhecia deles (a banda sonoro da série Versalhes e do filme Intersteller, entre outras).






Ainda ouvi o tema “Midnight City”. A voz de Mi Lan é de outro mundo.Tive pena de não ver mais, mas era necessário evita a confusão da saída, se bem que a confusão já fosse muita, até porque a saída era mais longa que a entrada, já que tinham fechado o túnel de acesso da estação de comboios, por razões de segurança, e tivemos de percorrer dois viadutos, cerca de dois quilómetros, até ao outro lado da rua.

No geral, valeu a pena, pela qualidade dos espectáculos e pelo ambiente, para mim muito melhor e mais inovador que o Rock in Rio…Para o ano há mais!!

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