segunda-feira, 4 de março de 2013

DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE UM DIA DIFERENTE - 2 de Março de 2013




Estive na manifestação de 2 de Março em Lisboa, como já tinha estado na manifestação de 15 de Setembro.

Não faço ideia qual foi a que teve maior participação, mas penso que ambas estiveram muito próximas em número, talvez um pouco menos gente em Lisboa, compensada pela grande manifestação no Porto e noutras cidades do país.

Aliás, entrar na guerra dos números é uma armadilha  que só visa desvalorizar a importância do que está por detrás desta manifestação, na qual, infelizmente, alguns organizadores e alguma comunicação social acabaram por cair.

As pessoas que estiveram no percurso nunca estiveram todas ao mesmo tempo no Terreiro de Paço, muitas chegaram aqui e saíram antes do fim, outras foram ficando pelo caminho e muitas ainda só chegaram à praça mais de meia hora depois de já terem terminado as intervenções e de se ter dado inicio à debandada final.

O que eu vi foi uma multidão social e politicamente muito idêntica à que esteve na rua no 15 de Setembro, quer na sua composição, quer na sua indignação, quer na sua quantidade, só que desta vez notava-se menos esperança e menos alegria no ar.

O silêncio impôs-se por vezes às palavras de ordem, os semblantes carregados impunham-se por vezes à ironia de algumas frases.

A agressividade contra o sistema era mais carregada nas palavras de ordem do que na outra manifestação e, desta vez Cavaco Silva “juntou-se”, de forma mais consistente, à galeria de personagens que estiveram no centro da contestação.

Um sentimento que eu observei em muitas pessoas foi o de que, apesar de fazerem questão em estarem presentes, manifestarem o sentimento que esta forma de luta já não resolve nada, tornando-se necessário passar a um outro patamar de contestação.

De algum modo, esta manifestação foi uma das últimas oportunidades dadas ao poder político e financeiro  para “ouvir” a indignação dos cidadãos. 

Se continuarem  a desvalorizar ou a ignorar essa indignação, sem apresentarem uma luz de esperança que trave o desespero dos cidadãos, não sei o que é que vem a seguir, mas tenho a certeza que a impunidade em que vivem terá os dias contados…

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