quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Oh Relvas, “vieste às aulas hoje”?





Invocar a liberdade de expressão para defender Relvas das manifestações de indignação de que foi alvo nos últimos dias, seria a atitude mais correcta de quem defende a democracia e a liberdade. Mas isso era num país normal, realmente democrático e livre, governado por gente normal que respeita a Constituição e as pessoas.


O problema de Relvas, apenas o elo mais fraco deste incrível governo, mas ao qual se podem juntar o inumano Gaspar e o incompetente e infantil Passos Coelho, é que soma atitudes de provocação atrás de provocação, contra os portugueses que sofrem as medidas de terrorismo social aplicadas por este governo, convidando jovens qualificados a abandonarem a sua “zona de conforto” e a emigrarem, ele que foi aquele que completou uma licenciatura com uma cadeira feita e quatro frequentadas, tendo-lhe sido dado uma equivalência a várias dezenas de cadeiras, algumas nem existentes, isto para além de outros factos ainda mal esclarecidos da sua vida “empresarial”.


Ora, quando num momento destes, com um currículo como o dele, Relvas entra numa escola onde os alunos têm de estudar para poderem tirar um diploma que muito provavelmente apenas lhes vai dar acesso  ao desemprego ou à emigração, o único futuro que ele e o governo dele têm para oferecer a esses jovens, o mínimo que se pode espera é manifestações de indignação por parte desses jovens.


Quando o governo, em defesa do seu ministro, declara que manifestações como essas “suscitam necessariamente o repúdio da parte de todos quantos prezam e defendem as liberdades individuais, designadamente o direito à livre expressão no respeito pelas regras democráticas”, esquece-se de duas coisas:


- nenhum governo até hoje, como este,  colocou em causa as “liberdades individuais” dos portugueses : o seu direito a uma vida decente, a um emprego e a um futuro digno, para si e para os seus, as verdadeiras “liberdades individuais”;


- nenhum governo até hoje, como este, colocou em causa as regras democráticas, desrespeitando todos os dias os direitos constitucionais e humanos em nome da protecção das aldrabices do mundo financeiro.


Seria bom  também  interrogarmo-nos sobre  o que é isso do “direito à livre expressão” quando a comunicação social é controlada pelos grandes interesses financeiros e enxameada por comentadores que apenas repetem até à exaustão a defesa da austeridade imposta por esse governo? A propósito recordamos aqui uma célebre frase, que é também um aviso, da autoria de Alexandre Herculano, que citamos de cor : “o que interessa a liberdade de expressão àqueles que nada têm?”.


Ontem, no meio da confusão geral que se viveu no ISCTE, alguém lançou ao ministro esta frase “assassina”: “Vieste às aulas hoje?”. Por enquanto vivemos no mero jogo das palavras e talvez seja bom que continue assim. É que, perante o aumento generalizado de indignação contra estes governantes, as suas medidas e as suas boçalidades provocadoras, deviam dar-se por contentes pela forma como têm sido interrompidos, pois isto é o menor mal que lhes pode acontecer .


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