quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O DESESPERO DE UM ELEITOR DO PSD NA HORA DE APROVAR O ORÇAMENTO..

ONTEM O PÚBLICO DIVULGOU ESTA CARTA DE UM ELEITOR DO PSD:


CARTAS À DIRECTORA  -  

"Um PSD evoca Brecht

"Um dia bateram-me à porta e anunciaram-me que o Governo tinha decidido cortar meio subsídio de Natal. Apesar de ser inconstitucional, compreendi o sacrifício que o Governo me pedia; 

"Noutro dia bateram à porta do meu pai e anunciaram-lhe que lhe iam cortar meia pensão do Natal. Apesar de considerar que era um roubo, ainda o admiti, porque o país estava em estado de emergência;

"Depois bateram-me à porta e anunciaram-me que iam tirar-me dois meses de salário e dois meses e pensão ao meu pai. Depois da estupefacção a resignação;

"A 7 de Setembro bateram-me porta para me anunciar que me tiravam 7% do salário para dar 5,75% ao patrão e ficarem com os trocos, em principio para os cofres da Segurança Social.
Desta vez fiquei indignado. Achei que estava a ser roubado e que estavam a transformar os patrões em receptadores de dinheiro roubado. Em reacção corri para a rua a protestar;

"Bateram-me mais uma vez à porta e informaram-me de que o ministro das Finanças ia reescalonar as taxas do IRS de modo a tomá-lo mais progressivo. Imaginando que iam poupar os rendimentos mais baixos e taxar fortemente os mais altos, pensei que o Governo, finalmente voltava ao trilho da Lei;

"Mas, para surpresa minha, voltaram a bater-me à porta para me ameaçarem com aumentos brutais do IMI. A minha indignação transformou-se em raiva e juntei-me ao movimento nacional de resistência ao pagamento do IMI;

"Ainda mal refeito do choque do IMI, bateram-me novamente à porta para me mostrarem, nos jornais, em grandes parangonas a cinco colunas, os novos escalões de IRS. Afinal aumentavam as taxas dos rendimentos mais baixos, menos os dos mais altos e não criavam nenhum escalão para os mais ricos. E a progressividade do rei dos impostos diminuía;

"A minha raiva subiu de tom e resolvi não mais votar no PSD e estou preparado para qualquer acção revolucionária que apareça. Ao fim e ao cabo, eu, o meu pai e a minha família já não temos nada a perder".

Nunes de Almeida, Ericeira

in Público, Cartas à Directora, pág.44, 17 de Outubro de 2012.

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