segunda-feira, 9 de julho de 2012

“O ARTISTA” OU O REGRESSO DA PAIXÃO



Fui, em tempos, um apaixonado pelo cinema.

Penso, aliás, que poucas artes me apaixonaram e comoveram tanto como a 7ª arte.

Contudo, de tanto ver cinema e, também, porque vejo cada vez menos cinema nas salas e cada vez mais em casa em DVD, essa paixão vai esmorecendo, transformando-se num mais maduro amor.

Ainda há filmes que me fazem recuperar ou vislumbrar a grande paixão do passado. Um deles foi este “O Artista” que recupera toda a pureza do cinema e a capacidade que este tem de nos fazer sonhar, comover e fantasiar.

O mais surpreendente é esse filme ser mudo e a preto-e-branco, recuperando o lado mais puro e mais ingénuo do cinema, sem os artifícios tecnológicos ou o realismo da cor que há muito dominam a produção cinematográfica.

A história é uma história simples mas também comovente, onde se cruzam:
-  a decadência do cinema mudo e dos seus actores e realizadores, com a entrada do som e da musica que questionam a gramática dos primeiros temos dessa arte;
-  uma crise económica ( a de 1929) destruidora de sonhos e semeadora de misérias;
 -  e uma história de amor “quase” impossível entre um artista maduro, mas em decadência e uma jovem e promissora artista. 

É magnifico a forma como a diferença geracional entre esses personagens, que se amam de forma não declarada, se  “confrontam” num magnífico “duelo” de criação, quando o primeiro, orgulhoso,  resolve realizar um filme mudo na era do sonoro, que vai ser também o seu último trabalho, e nova “estrela” em ascensão é a principal atracção do primeiro filme sonoro dos estúdios onde ambos se tinham encontrado a trabalhar e de onde “o artista” se tinha despedido.

Como não podia deixar de ser o filme termina em “happy end”, na última e única parte sonora deste filme.

Por mim, este filme reascendeu, nem que tenha sido por momentos, a chama da paixão…

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