quinta-feira, 19 de julho de 2012

Bispo das Forças Armadas acusa Governo de ser “profundamente corrupto”.



Parece que as afirmações de D. Januário Torgal acusando o governo se ser “profundamente corrupto” provocaram a indignação de governantes, comentadores e até de alguns membros bem instalados da própria Igreja.

De facto, do ponto de vista meramente formal e legal não se pode “ainda” provar a corrupção dos atuais governantes.

Como toda a gente sabe, em Portugal não há corrupção, mesmo aquilo que pensamos condenável está sempre legal, ou pela prescrição dos processos, ou pelas armadilhas processuais, ou por leis que legitimam as maiores barbaridades contra os cidadãos, os trabalhadores, a sociedade e a economia em geral, ou pelo simples facto de tudo aquilo que é feito ilegalmente, tal com uma Máfia bem organizada, ser feito sem testemunhas e sem provas, ou por figuras secundárias que, em caso de serem apanhados, protegem os seus  “padrinhos”.

Nesse ponto de vista, D. Januário Torgal nunca vai conseguir provar que estes (e os anteriores) governantes são corruptos.

Agora, se retirarmos o termo “corrupção” da simples formalidade legal e o analisarmos a nível da ético e humana, aí sim, ninguém conseguirá desmentir o corajoso bispo.

Quando se lançam políticas que conduzem o país para a recessão,  para o desemprego e para a pobreza, quando se tomam medidas sociais que penalizam sempre os mesmos e os mais fracos, quando se tomam medidas como encerramento de escolas e centros de saúde, semeando o medo entre  populações isoladas e contribuindo para acentuar a desertificação do pais, quando se aplicam medidas de “engelharia social” que colocam milhares de professores no desemprego ou na instabilidade,  quando convidam os jovens desempregados a emigra, quando a maior parte dos políticos de hoje nunca tiveram atividade profissional conhecida ou tiraram cursos sem estudar, eles fazem tudo de acordo com a lei, mas, do ponto de vista humanitário e ético são, de facto, “governantes corruptos”.

É assim obvio que,  quando um membro da Igreja fala em corrupção, não pode estar a falar da corrupção do ponto de vista legal, mas sim da corrupção do ponto de vista ético e humano, daí a o incómodo das afirmações corajosas de D. Januário Torgal.

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