sexta-feira, 15 de junho de 2012

OS ROSTOS DO MAL,ou "DESTRUIÇÃO! DESTRUIÇÃO! DESTRUIÇÃO": Jens Wiedmann: "Não nos podemos deixar chantagear por um país por medo do contágio" .


Aí pelos anos 80 houve um grupo de rock de Torres Vedras, os CTT, que conheceram os seus quinze minutos de fama com um tema que tinha por estribilho o grito “Destruição! Destruição!Destruição!”…

Já não me lembro do resto do tema nem da musica, mas este “verso” vem-me à memória cada vez que oiço um burocrata “responsável” pelos destinos europeus ou um qualquer cinzentão do mundo financeiro virem defender o seu modelo de “resolução” da crise, que passa sempre pelos mesmos princípios: austeridade, redução de direitos socias, limitações aos serviços socias, desvalorização do valor do trabalho.

Como é óbvio a entrevista de Jens Weidman, presidente do Bundesbank, reforça com o fanatismo de sempre, a que já estamos habituados por parte dessa gente, aquele “programa” de destruição social da Europa.

Ficamos a saber que o aumento dramático do desemprego e da pobreza, o agravamento da recessão e a destruição das funções sociais dos estados, é, para essa gente, um sinal de que o memorando de austeridade está a ser “bem aplicado” e no “bom caminho” em Portugal e na Irlanda, e terá o mesmo destino em Espanha e em Itália.

Mas o mais grave nessa entrevista está nas ameaças veladas, em primeiro lugar à Grécia e em segundo aos restantes países do sul: ou mantêm a rota da austeridade aplicada por essa gente ou “arriscam-se a uma saída do euro”.

Pessoalmente, já não sei se a saída do euros é uma ameaça ou não seria, pelo contrário, uma benesse para esses países e para os seus cidadãos.

Olhando para a situação grega, não só vejo aí o futuro que nos espera, como não vejo aí qualquer futuro. Sair do euro pode ser doloroso no início, mas para os gregos e para os portugueses desempregados e viveendo em dramáticas condições de miséria e pobreza, por exemplo, dor maior do que aquela que sofrem, ainda por cima sem futuro à vista, já não será possível, com ou sem euro. Pelo menos a saída do euro obrigaria à procura de alternativas e, penso, em dois ou três anos, os Gregos, e os países do sul que saíssem do euro, iriram encontrar um rumo e talvez um futuro melhor do que aquele que os mercados financeiros, a Comissão Europeia e a Srª Merkel preconizam para as próximas décadas.

Claro que todos aqueles que, na Grécia, na Irlanda, em Portugal, em Espanha, ou na Itália, beneficiaram com o euro e as medidas de austeridade (políticos corruptos, banqueiros, especuladores financeiros, grandes empresários), terão tudo a perder. Mas para o resto da população em sofrimento, já nada há a perder…até podem ganhar alguma coisa.

Penso até que o “grande medo” é que a Grécia, saindo do euro, consiga recuperar rapidamente da miséria em que vive, o que seria um “mau exemplo” e punha em questão o modelo de austeridade que aquela gente preconiza. 

Dessa gente, como se pode confirmar pela entrevista que pode ser lida, parcialmente, em baixo, com a sua austeridade, só podemos esperar ….Destruição! Destruição! Destruição

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