quarta-feira, 14 de março de 2012

Censura no Expresso -Mário Crespo despedido após crítica violenta ao jornal.













Confesso que a atitude da direcção do Expresso não me surpreendeu.
Desde há muitos anos que esse jornal deixou de ser o meu jornal de referência e, nos últimos tempos, só entra cá em casa esporadicamente.
Deixar de comprar o Expresso foi uma decisão demorada e "dolorosa".
Começou quando esse jornal passou a usar títulos bombásticos sobre a política nacional que depois, lendo o conteúdo no seu interior, se revelavam um grande engodo para leitores incautos. Era um pouco a generalização do estilo "Correio da Manhã", mas para "intelectuais" , gente "séria" e “fina”.
Depois comecei a embirrar com a quantidade de "lixo" que era anexado ao jornal, ocupando-me muito tempo a seleccionar e a separar o que interessava daquilo que só servia para forrar caixotes.
Em paralelo, as excelentes reportagens que tinham sido apanágio da história do jornal, deram lugar a demasiados espaços opinativos e à generalização do estilo “cor-de-rosa” das poucas reportagens que ainda eram incluídas nas suas páginas.
Salva-se o seu suplemento cultural, mas também este  cada vez mais elitista e “lobista”.
A situação agravou-se quando esse jornal alinhou na guerra do Iraque ao lado do presidente Bush ou quando começou a dar voz às opiniões económicas e às ideologias do pensamento único neo-liberal, sem grandes contrapontos.
Finalmente o enfeudamento da maior parte dos seus comentadores e jornalistas ao "maria de ludes rodriguismo" levou-me a tomar a decisão final, precisando apenas da "coragem" de assumir o “acto”.
A gota de àgua final foi a entrada pela porta grande do “jornalista” Miguel Sousa Tavares. Aí deixámo-nos de hesitações e cortámos de vez com o jornal.
Já aqui o referimos o que pensamos de Sousa Tavares, o "Dantas" da segunda república.
Em tempos que já lá vão Sousa Tavares até fez algum bom jornalismo, escreve bem, por vezes até acerta nas situações que denuncia, mas depois deixou-se encostar à sombra do êxito do passado, tornando-se desleixado, sectário, arauto do senso comum, pouco rigoroso, embrulhando tudo numa escrita inteligente e numa gestão cuidada da sua imagem pública.
O que ainda não me tinha apercebido era do poder que ele já tinha dentro do Expresso, de tal ordem que uma divergência com outro jornalista, Mário Crespo, que neste caso até tem razão, levou toda a direcção do jornal, em vez de admitir o erro deontológico cometido nas suas página, a tomar a triste e arrogante decisão de  despedir o comentador.
O Expresso acabou por fazer o mesmo que tanto criticou ( e com razão) em relação à suspensão da crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1.
Só que, a partir de agora, deixa de ter “moral” para criticar actos de censura.

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